A MATURIDADE ESPIRITUAL COMEÇA QUANDO A PESSOA ACEITA QUE NÃO É ESPECIAL

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Autor Dalton Campos Roque

Assunto Espiritualidade
Atualizado em 1/10/2026 11:55:25 AM


1. Quando a ideia de missão pessoal vira identidade

Grande parte do discurso espiritual contemporâneo se apoia numa promessa silenciosa: você é especial. Tem uma missão diferenciada, uma sensibilidade rara, um chamado único. Essa narrativa é sedutora porque oferece sentido imediato e elevação simbólica, mas cobra um preço alto em maturidade.

A noção de especialidade, quando adotada sem critério, deixa de ser hipótese existencial e passa a ser identidade fixa. A pessoa não está em processo, ela já se vê como alguém separado, destacado, diferenciado. A espiritualidade deixa de ser caminho e vira confirmação de autoimagem.

Nesse ponto, o ego encontra terreno fértil para se expandir sem ser percebido.

2. A especialidade como antídoto contra a frustração comum

Sentir-se comum é desconfortável. Implica aceitar limites, anonimato e o ritmo lento do amadurecimento humano. A narrativa da especialidade surge como antídoto para essa frustração. Se a vida não flui, é porque o caminho é elevado. Se há conflitos, é porque a missão é grande.

Assim, dificuldades ordinárias são reinterpretadas como provas excepcionais. O indivíduo não precisa revisar escolhas, hábitos ou expectativas, basta reafirmar que seu percurso é mais complexo que o dos outros.

A espiritualidade passa a proteger da realidade em vez de ajudar a compreendê-la.

3. O ego que se esconde atrás do "chamado"

A ideia de chamado espiritual oferece ao ego uma justificativa elegante para não se submeter aos mesmos critérios que os demais. Regras comuns parecem pequenas demais. Críticas são vistas como incompreensão. Limites são interpretados como tentativas de bloqueio externo.

O ego não se assume como ego, ele se disfarça de missão. Qualquer questionamento vira ataque à essência espiritual do indivíduo. Isso cria um campo simbólico onde não há espaço para feedback real.

A consciência deixa de se desenvolver porque não aceita ser colocada em perspectiva.

4. O preço invisível da ilusão de excepcionalidade

As consequências dessa narrativa aparecem com o tempo. Psicologicamente, a pessoa se torna frágil diante da frustração. Qualquer falha ameaça a autoimagem elevada. No campo relacional, surgem conflitos constantes, pois o outro é visto como menos consciente ou menos preparado.

No plano kármico, entendido como aprendizado progressivo por meio da experiência, a ilusão de especialidade impede integração. Se tudo que acontece é parte de uma missão superior, nada precisa ser aprendido de fato. A consciência gira em torno de si mesma.

O processo evolutivo se transforma em justificativa permanente.

5. O que se perde quando ninguém pode ser comum

Aceitar-se comum não é diminuir-se, é humanizar-se. Quando essa aceitação não ocorre, perde-se a capacidade de aprender com o cotidiano, com o erro simples, com o esforço repetitivo e com a convivência real.

A espiritualidade vira palco de diferenciação simbólica, não espaço de amadurecimento. Em vez de aproximar, separa. Em vez de integrar, hierarquiza.

A consciência fica isolada em sua própria narrativa de exceção.

6. A maturidade que começa no chão

A maturidade espiritual começa quando o indivíduo aceita que não é especial no sentido egóico do termo. Que erra como qualquer outro. Que aprende devagar. Que depende de revisão constante. Que não está acima da experiência humana comum.

Isso não nega singularidade, mas retira dela o caráter de privilégio. Cada consciência é única, mas nenhuma está isenta de limites, responsabilidades e consequências.

A verdadeira elevação não está em sentir-se escolhido, mas em tornar-se mais lúcido, mais coerente e mais responsável, mesmo sem aplauso, sem identidade heroica e sem promessa de distinção.

Dalton Campos Roque - Sensibilização Consciencial

Espiritualidade sem religião, ética sem doutrina, reforma íntima sem evangelho, intelecto sem arrogância, bom humor sem puritanismo e música com consciência.
Escritores efêmeros, poetas eternos, pensadores conscienciais profundos, escritores da alma com bom humor avançado, sempre questionando paradigmas.
A convergência da ciência com o espiritualismo universalista.
Autores, poetas, cronistas, contistas, jornalistas do plano astral, médiuns, humoristas incorrigíveis que buscam a educação consciencial e e engenharia consciencial.

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Autor Dalton Campos Roque   
Médium, projetor astral consciente, sensitivo, escritor e editor consciencial, autor de dezenas de obras espiritualistas. Eng. Civil e Professor de Informática (aposentado), pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e em Educação em Valores Humanos (linha de Sathya Sai baba). @Consciencial YT: @DaltonRoque
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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