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A TENTAÇÃO E O MAL


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"Não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal". Jesus.
A oração ensinada pelo Mestre Jesus é, para mim, uma fonte inesgotável! Nesta límpida e revigorante nascente dessedento a sede da alma, a fome de Ser. Nela, banho o meu corpo mental e astral, o que resulta em saúde para o corpo físico, amorosidade nas relações interpessoais, harmonia existencial.

Neste refestelante Oásis disponho de Refúgio Santo, Porto Seguro, onde pensamentos e sentimentos peregrinos podem com segurança lançar âncora, silenciar, relaxar e sentirem-se acolhidos, abrigados, iluminados e aquecidos sob o aconchego da casa Paterna. Casa com suas "muitas moradas"...

No final da prece ensinada pelo Mestre encontra-se, para os buscadores da Verdade, a orientação para pedir ao "Pai nosso" força suficiente para nos manter fora da atração gravitacional da tentação e livres do escravizante domínio do mal. Aos Filhos da Luz, portanto, Jesus recomenda orar: "Não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal".

É possível afirmar que a "tentação" origina-se do "mal", ao mesmo tempo em que abre as portas para que o "mal" se manifeste fomentando a tentação. Este é mais um daqueles casos onde é difícil saber quem nasceu primeiro: a serpente ou a maçã.
Mas o que significa "cair em tentação" ou "ser livres do mal"?

É possível lançar luz sobre este assunto estabelecendo analogias com alguém que cai em um buraco, em um fosso. Assim, a tentação é buraco enquanto que o mal é queda. A tentação é consequência de um buraco na existência, produzido por carências geralmente camufladas pelas artimanhas do ego. O ego coloca as armadilhas da tentação em trilhas onde, geralmente, a vida torna-se vulnerável. Quando o gatilho da tentação é acionado, a vida corre o risco de ser ferida, aprisionada, tornando-se "presa" que alimenta o mal.

Imaginemos uma cena campestre... Há alguém caminhando com leveza e descontração, alegria e liberdade sobre a rastejante relva que brilha sob matutinos raios de sol. Sua visão abarca uma imensa planície, montanhas azuladas ao longe e céu de um azul profundo adornado com algumas nuvens brancas. Caminha com desenvoltura, sente o ar puro, a claridade da luz, o calor do sol. A Vida se manifesta em suas mais variadas texturas, formas, cores, aromas, sons e outras infindáveis expressões. Na natureza, interna e externa, tudo é mágico, a vida é abundante. No coração de nosso alegre personagem a alma livre canta a harmoniosa melodia da paz e dança no ritmo da criação...

Imaginemos nosso caminhante sendo atraído por um buraco. Ao redor do buraco a vida pode até ser, ou aparentar ser, ainda mais exuberante. O fosso encontra-se coberto e camuflado. Ele sabe que existe um buraco ali, mesmo assim aproxima-se, escorrega e se precipita para o fundo.
Fora do buraco, o nosso amigo imaginário usufruía abundantemente do Reino de Deus, movia-se na leveza do Espírito Santo. Vivia em natural harmonia com a natureza interna e externa, em sinergia com a Filiação e com a Paternidade Divina. Era guardião de uma consciência expandida e de uma espiritualidade em constante evolução. Movimentava-se em estado de Graça, na harmonia do Amor Incondicional. Manifestava, mesmo que inconscientemente, a imagem e semelhança do Eu Sou. Como Jesus, o Mestre, podia sentir e dizer: "Eu e o Pai somos Um".

Dentro do buraco, entretanto, nosso personagem imaginário vivencia a limitante dimensão do mal. Sua liberdade está comprometida em consequência de escolher aproximar-se do buraco. O suave cheiro da relva é substituído pelo odor da lama fétida. A visão, outrora ampla, torna-se cercada de limites. O caminhar outrora leve torna-se penoso. A luz outrora intensa dá lugar às sombras. A liberdade é destronada por limites angustiantes. A confiança torna-se cativa da ansiedade, da dúvida e do medo. No reino da alegria a tristeza assumiu o trono. Restringem-se as expressões da vida. O fim torna-se uma possibilidade...

Mas de onde vem esta tentação que nos coloca em contato com o mal, levando-nos a cair no "buraco" e experimentar os horrores da "fossa"?

Não vem de Deus nem do diabo e muito menos tem sua origem fora de nós. Assim como a vida abundante resulta da vivencia do Amor Incondicional possuindo sua fonte no Espírito Santo, assim também a vida "pobre" resulta da vivencia do amor "especial" - de sentimentos menores - oriundos da fome do ego.

A força que nos atrai para o fosso origina-se de buracos que progressivamente vão sendo criados na medida em que a inocência da infância vai ficando para traz. São cavernas criadas em espaços onde um dia um rio de Vida já existiu. São os efeitos das sombras em espaços onde a Luz deixou de brilhar.

Obviamente não é sem motivo que Jesus afirma que para "ver o Reino de Deus é preciso voltar ser criança". Na criança - recém nascida - a Vida é abundante, a Energia Vital transborda, a Luz é intensa. Não há pecado, culpa, julgamento ou medo. Não há necessidade de crer em Deus, pois nela Deus é. Não há necessidade de temer os demônios, pois nela tal forma-pensamento, estes sombrios construtos, ainda não foram imputados. Não há sentimento de separação em relação ao Criador, pois todas essas hediondas crenças que lhes são introjetadas a partir da "educação" vinda dos pais e da religião ainda não aconteceram.

Na medida em que as crianças crescem estas crenças tomam forma e as deformam. Na linguagem do livro sagrado cristão, lembrando o profeta Jeremias, "dois males cometeu o meu povo; a mim me deixaram o manancial de águas vivas e cavaram cisternas rotas (esburacadas) que não retêm as águas." Os buracos existem nos espaços onde Deus foi expulso e em Sua ausência o ego, separado do Eu, assume o descontrole.

Na prática não é o pecado de Adão e Eva - do mito religioso da criação - que põe fim ao paradisíaco convívio no Jardim do Éden entre a Filiação e o Criador; é o ego que destrói o Jardim e gera a sensação da separação do homem de Deus.

Em verdade, precisamos ser ousadamente tentados a subverter estes cristalizados paradigmas, oriundos de crenças que por milênios tem moldado e subjugado a cultura de muitas nações. É imperativo romper com esta aniquilante, infundada e absurda crença na separação, na queda, na quebra da imagem de Deus.

Crer na queda é o pecado original! Desta crença nascem todos os escravizantes e paralisantes sentimentos de culpa, medo, indignidade e condenação. Do sentimento de "danação", que tal crença produz, a religião se beneficia para subjugar, manipular e manter cativas as almas que em Essência jamais deixaram de ser livres.

Que o Pai Nosso nos ajude a não "cair em tentação". A tentação de subestimar, desvalorizar e não perceber a dimensão Crística que habita cada ser humano, cada criatura, cada expressão da Vida.  

Texto revisado

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Conteúdo desenvolvido por: Oliveira Fidelis Filho   
Teólogo Espiritualista, Psicanalista Integrativo, Administrador,Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor.
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