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Altruísmo ou Egoísmo?


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O egoísmo, impulso natural de preservação dos próprios interesses a despeito dos de outrem é, em maior ou menor intensidade, próprio da espécie animal. No homem, esse impulso é fator limitante da expansão da consciência fazendo com que a sua restrita percepção do Todo passe a ser mais limitada ainda. Será que o antídoto para isso residiria no amor desinteressado e abnegado ao próximo, na filantropia, na bondade ou, de um modo geral, no altruísmo?

Mas, o que é ser altruísta? É atender os desejos egoístas dos outros? É violentar continuamente os próprios desejos? É sacrificar-se constantemente? É dar aos outros tudo o que os outros querem, ou tudo o que os outros acham que precisam? Sacrificar-se, reprimir-se e prestar-se servilmente às necessidades, aos caprichos e às vontades dos outros, em detrimento consciente ou não de si mesmo, não é ser altruísta - é ser tolo, inseguro e com baixa autoestima. Exemplos disso os temos no comportamento de muitos pais, filhos, esposas, maridos, parentes e tantos outros que, vítimas de chantagem emocional, têm sua mente submetida à tirânica vontade de outros, sejam esses quem forem.

Também não é altruísmo dar esmolas, fazer doações ou dar dízimos a esmo, sem saber qual destino será realmente dado aos mantimentos, roupas ou dinheiro arrecadado. Ainda mais quando tudo é orquestrado por grupos ou organizações que montam espetáculos para pedir ajuda para terceiros física e emocionalmente vulneráveis. Nesses shows, terminado o entretenimento, quem doou, em geral, pouco se interessa na destinação final de sua ajuda.

Altruísmo é fazer o próprio papel na vida, por gosto e vocação, com dedicação e empenho, da melhor forma possível, dando aos outros o exemplo do bom exemplo, mesmo que isto custe algum sacrifício. Altruístas os temos nos Doutores da Alegria, nos Médicos sem Fronteiras, nos Corpos de Bombeiros, nos Anjos da Estrada, nas Delegações da Cruz Vermelha. Da mesma forma, exemplos são encontrados nas vidas de Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá e Albert Schweitzer, entre outros que mostraram que ser altruístas é preocupar-se com o próximo, sem distinção de idade, gênero, credo, raça, nacionalidade, opinião política ou hábitos. Além disso, a rigor, somos todos benfeitores anônimos sempre que, com o dinheiro público, os governantes dignos e honestos executam ações para atenuar a cruel desigualdade social - o que infelizmente não ocorre tão amiúde quanto seria necessário.

Ser altruísta é respeitar e amar o próximo como a si mesmo, fazendo-se também respeitar. É não tirar e nem desejar o que é dos outros e não deixar que os outros lhe tirem o que poderá vir a lhe fazer falta. Portanto, ser altruísta é também preocupar-se consigo mesmo. É ser egoísta com o próprio EU interior. Aquele EU mais íntimo e mais elevado que existe em cada um e que anseia pelo Bem e pela Paz mundial.

Egoísmo e altruísmo - na superfície, tão antagônicos, porém, quão parecidos quando praticados nas suas formas mais puras, e é na sua alternância que, aos poucos, aprende-se a sabedoria do desapego e descobre-se que egoísmo e altruísmo nada mais são do que diferentes faces de uma mesma quimera. Além disso, apegar-se a quê? Se nada do que é material é eterno... e se a própria Terra após cumprir com seu propósito também irá desaparecer. Melhor é acumular emoções resultantes de sentimentos que ampliam a consciência, dando-nos vislumbres de outras dimensões e possibilidades. Sentimentos tais como o amor, a felicidade, a harmonia, a paz e o perdão.

Tudo isso é qualitativamente diferente e esse tipo de acumular, no fim, revela-se um ajuntar ao inverso, pois quanto mais Amor você dá, mais Amor você recebe, e este receber aos poucos esvazia você sempre mais e mais, a ponto de finalmente o Todo caber em você, e você se tornar Um com Ele, passando então a SER.

Por isso, quando o desejo de TER já enfastiou, começa a busca de algo diferente e imorredouro. Uma busca cujo sucesso depende de um trabalho ativo para se alcançar um estado passivo, onde o egoísmo e o altruísmo se anulam, e o SER finalmente nos inunda. E se você “É”, como pode “DAR”? Para dar, você tem que possuir, porém, se você “É”, você está em tudo e tudo está em você - tudo o que existe, tudo o que existiu e tudo o que existirá!
Texto revisado
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Conteúdo desenvolvido por: Renato Mayol   
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