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Apenas seja!



A melhor analogia que eu encontrei para definir o Eu Real foi trazida pelo sábio de Arunachala: Ramana Maharshi.

Para o mestre do silêncio, o nosso Eu é como uma tela de cinema, aquela em que os filmes são projetados. Ela já existia antes do início do filme e continuará existindo depois. Ela é real, ao passo que o filme não. Ninguém tem interesse pela tela, apenas pelo filme. Nesse sentido, podemos entender o que é o Eu Real e o falso eu. Um é eterno, perfeito e realizado, ao passo que o outro é apenas um personagem envolvido com os enredos (ego).

Podemos encontrar, nesse filme, imagens de prédios pegando fogo, navios naufragando, mas nada acontece com a tela. As imagens são projetadas, mas ela não é queimada pelo fogo e nem molhada pela água. Nenhum acontecimento do filme poderá afetar a tela, portanto, nada pode atingir o Eu Real.

Nesse sentido, Ramana Maharshi considera o mundo uma ilusão, assim como o Budismo. Para perceber isso é preciso perder a identificação com filme e deixar de envolver-se com a trama. Só aqueles que desenvolvem essa percepção podem se julgar despertos. Somente eles serão chamados de iluminados. Enquanto buscarmos soluções para a vida de um personagem sentindo-se o ator de uma história, estaremos presos nessa dimensão.

O Eu Verdadeiro é consciência, existência e felicidade (Satchitananda), é a tela; ao passo que o falso eu do filme não é nada, absolutamente nada além de uma ilusão. Por que insistimos em realizar esse falso eu? Por que lutamos para promovê-lo? Justamente por desconhecermos o Eu Real.

Quando alguém passa pela experiência da Graça, percebe aquilo que de fato É. Eu digo ‘percebe’, pois o conhecimento se dará a partir da percepção e não da busca provocada por desejos.

Não serão os livros que irão nos mostrar, muito menos as doutrinas. Na verdade, as teorias apenas reforçam essa identificação com o filme, pois quanto mais sabemos, mais ficamos autofascinados e, com isso, cada vez mais identificados com o personagem. Todo esse peso intelectual, em algum momento, deverá ser esvaziado. Os mais simples estarão sempre mais próximos do Reino de Deus. A humildade, a aceitação, a confiança, a alegria, a entrega total para essa experiência, pode ser de grande valia.

Para conhecer a tela, o caminho mais poderoso é o silêncio. Silenciar-se profundamente, do seu modo, sem regras, aprendendo a observar. Deixar de atender aos chamados da mente e tornar-se uma testemunha apenas. Quando a mente perceber que você perdeu o interesse por ela, ela também perderá o interesse por você. Nesse momento você irá perceber.

Não existem teorias, regras ou um caminho específico para isso, mas quanto mais você perder interesse pelo filme, mais você se aproxima daquilo que você, de fato, É: a tela.

A eficácia do desinteresse é imensa, pois estamos presos àquilo que damos importância. 

Não é preciso graduar-se para isso, não é preciso evoluir, você só precisa aprender que não é o filme, ou seja, você só precisa ser o que já É e sempre será: a tela.

Apenas seja!

Texto Revisado

Publicado dia 2/6/2018
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Autor: Paulo Tavarez   
Conheça meu artigos: Terapeuta Holístico, Palestrante, Psicapômetra, Instrutor de Yoga, Pesquisador, escritor, nada disso me define. Eu sou o que Eu sou! Conheça mais sobre mim em: www.paulotavarez.com - Instagram: @paulo.tavarez
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