Aprendi com Francisco a Diminuir para Crescer

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Autor Paulo Roberto Savaris

Assunto Espiritualidade
Atualizado em 1/13/2026 8:52:52 PM


A lógica do Evangelho

Durante muito tempo, acreditei que crescer era acumular. Mais conhecimento, mais reconhecimento, mais conquistas, mais certezas. A vida me ensinou assim - e, por muitos anos, também ensinei desse modo. Crescer era subir. Era ocupar espaços. Era ser visto.

Francisco surgiu na minha caminhada como uma contradição viva. Um homem que cresceu justamente quando decidiu diminuir. Que encontrou liberdade ao abrir mão. Que se tornou grande ao escolher o último lugar.

Aprendi, com ele, que a lógica do Evangelho não segue as leis do mundo.

Naquela manhã, o sítio despertava lentamente. A neblina ainda repousava sobre o açude, e os primeiros raios de sol tocavam as folhas do pomar como quem pede licença. Caminhei descalço pela grama úmida, sentindo o frio suave da terra nos pés. Havia algo de profundamente intencional naquele gesto simples - um desejo silencioso de reaprender o essencial.

Sentei-me sob a velha mangueira, companheira de tantas reflexões. O canto dos pássaros preenchia o silêncio, e percebi como a natureza não disputa espaço. Cada árvore cresce sem sufocar a outra. Cada som encontra seu lugar sem anular o restante.

Naquele instante, compreendi:

- Diminuir não é desaparecer. É deixar espaço para que a vida floresça.

Francisco de Assis vinha à minha memória como um espelho incômodo e necessário. O jovem rico que, ao despir-se diante do pai e da cidade, vestiu-se de humanidade. O santo que não buscou destaque, mas encontrou sentido. Que não quis poder, mas recebeu autoridade espiritual.

Senti resistência dentro de mim. Diminuir exigia abdicar de velhos hábitos: a necessidade de ter razão, de ser ouvido, de conduzir sempre a conversa. Exigia aceitar que nem toda experiência precisava ser narrada, nem toda opinião expressa.

Mais tarde, durante o café, Clara me observava em silêncio. Ela conhece esse meu olhar distante, carregado de perguntas.

- Em que tempo você está hoje? - perguntou, com doçura.

Sorri de canto.

- No tempo em que percebo que falei demais e escutei de menos.

Ela riu levemente.

- Francisco ficaria feliz em ouvir isso.

Respirei fundo. A lógica do Evangelho ecoava como um convite desconcertante: quem quiser salvar a própria vida, vai perdê-la; mas quem a perder por amor, vai encontrá-la. Não se trata de autopunição nem de apagamento, mas de liberdade. De confiar que o valor da vida não está no tamanho do ego, e sim na profundidade do amor.

Naquele dia, decidi praticar pequenas diminuições. Falei menos. Ajudei mais. Observei sem julgar. Aceitei não ser o centro.

E, ao final da tarde, enquanto o sol se despedia atrás das colinas, percebi algo inesperado: meu coração estava mais leve. Eu havia crescido por dentro.

Aprender com Francisco é isso para mim: compreender que, na lógica do Evangelho, quem diminui por amor jamais se perde. Ao contrário - finalmente se encontra.

Um Sonhador, Caminhando com Francisco - Paulo Roberto Savaris - Autor dos eBooks Série, Descubra Caminhando com Francisco e O Eremita Digital - Silêncio no Caos Moderno. Reflexões sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade.

 https://www.caminhandocomfrancisco.com/


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