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As duas portas


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O homem sofre em função de querer aquilo que não tem e desprezar o que tem. Padece por estar na ignorância de si mesmo e assim vive, como diria o genial Cazuza: “correndo atrás dos carros como um cachorro otário…”.

Não percebe que está no caminho errado ao escolher a estrada larga da perdição -o caminho representado pelo mundo exterior- criado pela mente humana a partir dos sentidos e turbinado pela memória.
Angustiado, vive como um escravo dos próprios desejos, em transe profundo, provocado pelo apego ao mundo que percebe através dos sentidos. Não entende que esse apego à paisagem tem um preço muito alto e que a liberdade que tanto busca está, justamente, no sentido contrário, mesmo que consiga conquistar o mundo não irá conquistar essa liberdade.
Desorientado, escolhe continuar sofrendo ansiedades e preocupações, tentando preencher o vazio insuportável da alma com coisas e necessidades, sem entender que ele não é um recipiente vazio a espera de substâncias externas que o completem, ele é um ser pleno, realizado e pronto, no entanto, vive sob um véu de ilusões (véu de Maya) criado pela mente para mantê-lo preso a conceitos e doutrinas que modelam e orientam a sua parca consciência.

Inconsciente de si, julga-se um miserável, mesmo estando sentado encima de um baú com muito ouro, mesmo sem notar que é dono de um tesouro com riquezas inestimáveis e que traz um DNA Divino, pois é um legítimo filho de Deus.
Pobre homem que vive na busca frenética de prazeres do mundanos sem perceber que o prazer e a dor são a mesma coisa, não aprendeu ainda que vive de forma equivocada, querendo o que não pode ter e desprezando o que possui. Confunde felicidade com prazer, acredita que quanto mais prazer tiver mais feliz será, não entende que o prazer jamais lhe trará a paz que inconscientemente busca, não entende que o verdadeiro estado de felicidade só será possível de ser alcançado quando cessarem essas buscas, quando deixar de olhar para fora e entender que o rio que corre diante de seus olhos, apesar de fascinante, não deveria arrastá-lo. Ah, pobre homem!

Buda não entendia por que, apesar de ter renunciado a todas as riquezas e prazeres terrenos, abandonar aqueles que amava e abrir mão do luxo e do poder que fazem parte da vida de um príncipe, ainda não havia conseguido alcançar a iluminação. Embora houvesse mergulhado em uma experiência ascética, abrindo mão de qualquer forma de dependência externa, livrando-se de todos os desejos, demorou para perceber que existia, ainda, um último obstáculo a ser superado: o desejo de iluminar-se, assim, quando abriu mão dele também, alcançou a iluminação.
Buda percebeu que os desejos fazem parte da linguagem do ego e que para transcender o ego seria necessário não ter mais nenhuma espécie de desejo, pois esse falso eu se alimenta de anseios constantes; faz isso para tirar o homem da realidade, arrancá-lo do presente, pois de outra forma não conseguiria existir, assim, acaba criando um ambiente angustiante que favorece a criação de mecanismos de fuga da realidade.

O ego se nutre de necessidades fictícias, é um instância que vende uma realidade totalmente idealizada, ajustada às demandas emocionais que trazemos na memória, não seria capaz de sobreviver dentro da plenitude que existe no âmbito da Consciência Pura.
Jesus também tratou desse assunto ao citar as duas portas. Quis mostrar que a porta larga é aquela paisagem sedutora proposta pelo ego, enquanto que a porta estreita é a porta do Self, uma porta desconfortável de renúncia e desapego, mas que representa o caminho que irá nos conduzir a iluminação. Para trilhar esse caminho, entrar por essa porta, teremos que tratar esse mundo como um mundo de ilusões e nos colocarmos nele, apenas, na condição de expectadores e não nos envolvendo com essa realidade a ponto de vivermos - como de fato vivemos - em regime de escravidão.

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Conteúdo desenvolvido por: Paulo Tavarez   
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