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As Pérolas do Sofrimento

por Tony Valentim
As Pérolas do Sofrimento

Publicado dia 12/10/2012 em Espiritualidade

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Muito se fala sobre o sofrimento, e não faltam visões austeras sobre o aprendizado que se obtém ao passarmos por ele. Naturalmente, a sensação do sofrimento, no momento em que ele é mais latente, não é nada agradável e nem tão simples de suportar. Mas é fato que ele nos ensina muitas coisas, e que nada mais é do que uma medida necessária à correção de escolhas voluntárias que fizemos -por não ouvirmos os alertas do Mestre Amor- escolhas essas que estejam nos fazendo mal, mas que por força das circunstâncias da vida humana, acabamos por achar que nos fazem bem ou que são neutras, não nos fazendo mal. Mas não existe sofrimento vão. Cada dor, das menores às mais pungentes, são oportunidades para nos transformarmos em pessoas melhores.

Se você está no meio de um processo cruciante de dor, não se revolte. Antes, tente absorver da situação, o que de bom ela pode lhe trazer, por mais desesperadora ou decepcionante seja a circunstância. Nas quedas, o rio cria energia, muita energia!

Normalmente, para exemplificar mais claramente um tema, costumo usar exemplos de casos que acompanhei, pessoas que atendi ou experiências das quais tive a grata satisfação de serem comigo compartilhadas por almas amadas - preservando naturalmente o anonimato dos envolvidos - mas hoje, decidi compartilhar uma experiência pessoal que demonstra claramente o quão valiosas são as pérolas do sofrimento.

Habitualmente, me chamavam de "máquina que não pára". Desenvolvia eu um sem número de atividades, com raríssimos momentos de pausa, ocupando facilmente de 16 a 20 horas do meu tempo diário - em média. Vivia no dinamismo. Nada era rotina. Dormia 3 ou 4 horas por dia. Vivia na plena capacidade produtiva, onde as pessoas e circunstâncias forçavam-me a não desperdiçar um minuto de tempo, produzindo cada vez mais. Percalços, intempéries, aborrecimentos, dificuldades, doenças, conflitos, pressões, cobranças; tudo enfrentado com resignação. O que me impulsionava era o contantamento de ver uma certa pessoa satisfeita em suas aspirações mais íntimas, e naquela satisfação alheia, ver se multiplicar em mim o combustível para os maiores embates diários.

Experimentei a sensação extenuante de movimentar neste tempo e neste espaço, todos os recursos mentais, físicos e espirituais - os talentos advindos do Pai - para promover o máximo em cada circunstância, ainda na ausência de reconhecimento. Eu não dizia "não", jamais. Simplesmente me doava.

Mas o sofrimento - esse instrutor implacável - ao perceber minha própria negligência quanto a valores essenciais - como a atenção à minha família, a dedicação aos meus amigos, o respeito à minha saúde física e outros aspectos fundamentais do Feng Shui - permitiu que vagarosamente os filhos do ego humano (como a vaidade, a covardia, o ressentimento, o melindre, a soberba - e outros lastimáveis sentimentos de quem ainda não conseguiu compreender a legitimidade de uma doação sincera) me posicionassem como alvo de uma das mais violentas, dolorosas e irascíveis experiências deste caminhar pessoal: um brutal golpe de ingratidão e de injúria.

E naquele momento, a "máquina" parou.
Foi então que, num difícil e doloroso movimento íntimo de adaptação, comecei a perceber o brilho de pequenas luzes no caminho: eram as pérolas do sofrimento que começavam a se fazer visíveis. 
Percebi que eu dormia 3 ou 4 horas por dia, não por ausência de sono, mas por excesso de preocupações, stress e cobranças. 
Absorvi a deliciosa sensação de conviver mais com meus familiares, dividir histórias, compartilhar experiências - ainda que as difíceis. 
Descobri que muitos daqueles a quem eu repreendia, exigindo o melhor, foram os amigos verdadeiros que me estenderam a mão sem questionamentos. 
Auferi que aquela família que eu havia abandonado em função da falta de tempo e do excesso de exigências de outrem, esteve sempre comigo independente de qualquer circunstância. 
Ouvi declarações de apoio, carinho, amizade e amor de pessoas que até então, pensava eu serem meros anônimos, quando na verdade eram expectadores atentos na arquibancada da minha vida. 
Vi a fidelidade de grandes homens e mulheres que não se deixaram corromper por inverdades. 

Mas entendi também que a amizade e a consideração de alguns, ainda eram fracas e insuficientes para suportar os golpes da indução, da manipulação e do ego humano.
Rememorei, como em tantas vidas, que existem pessoas más por motivos diferentes; algumas por mera fraqueza, outras por simples influenciação/indução, e outras por excelência na perversidade. 

Compreendi na prática que mesmo quando você é caluniado, difamado e execrado cruelmente da vida de alguns, o Espírito Infinito da Inteligência Universal não te abandona, permitindo que novos corações se aproximem e ofereçam o aconchego de um acalento.
Percebi a diferença de viver livre do stress intenso, do cerco pernicioso, da cobrança nociva, da violência psicológica, da acusação vil, da ironia leviana, da abordagem degenerativa, da coação maléfica, da ofensa hiperbólica. Pisei na grama novamente. Namorei a lua e as estrelas. Me dei o direito de viver off line. Descobri o sabor de um almoço em um restaurante popular. Conheci um posto de saúde pública. Caminhei a pé pela cidade, sem rumo, sentindo o movimento e a vida de um mundo do qual eu havia me afastado. Chorei na solidão. Simplifiquei o complexo, emudeci o extraordinário, calei a altivez, enlevei-me ao sacro. 

E de repente, a consciência mostra claramente que graças às Pérolas do Sofrimento, você foi resgatado de algo que nem mesmo fazia ideia do potencial destrutivo. O sofrimento é valoroso instrumento de reeducação íntima. Quando não nos imobiliza, nos arranca da auto destruição involuntária e nos oferece lições inesquecíveis. E se nada dura pra sempre, nem o amor e nem a dor, aproveitemos o tempo - que vai passar de qualquer jeito - absorvendo, dia a dia, as preciosas lições do aprendizado. Percebamos que as pedras do caminho, ainda que machuquem nossos pés, são na verdade pedras preciosas que nos enriquecem a caminhada.


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Sobre o Autor: Tony Valentim   
Tony é um ser comum, sem privilégios ou destaques que o diferenciem das demais pessoas. Devorador de livros, admirador de culturas religiosas sem preconceitos, e eterno aprendiz do Cristo. Mestre de nada, sábio de coisa alguma. Alguém como você, que chora, sorri, busca, luta, exercita a fé e cultiva no peito a doce flor da esperança.
E-mail: [email protected]
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