Chakras: um antigo mapa do corpo e uma descoberta intrigante

Chakras: um antigo mapa do corpo e uma descoberta intrigante

Autor Colégio dos Magos

Assunto Espiritualidade
Atualizado em 10/5/2026 5:08:50 PM





Há muitos séculos, diferentes tradições indianas descrevem centros no ser humano que não pertencem à anatomia que podemos observar diretamente.

São os chakras - centros associados, dentro dessas tradições, à circulação da energia vital, à percepção e a processos de transformação interior.

Hoje, a imagem dos sete chakras tornou-se tão conhecida que é fácil esquecer a pergunta mais interessante por trás dela: o que levou seres humanos, séculos atrás, a construir mapas tão detalhados de algo que afirmavam perceber dentro de si mesmos?

Essa pergunta se torna ainda mais intrigante quando encontramos a história da bioquímica Esther del Río.

Porque ela não estava procurando chakras.

Estava tentando descobrir o que eram certas partículas que insistiam em aparecer em preparações de tecidos animais.

Tudo começou com uma aparente contaminação

Em 1968, depois de realizar estudos no exterior, Esther del Río retornou ao México. Química-bióloga formada pelo Instituto Politécnico Nacional e doutora em Ciências com especialidade em Bioquímica, passou a trabalhar na preparação de cortes de tecidos animais para observação microscópica.

Apesar dos cuidados adotados no laboratório, partículas apareciam repetidamente nas amostras.

Pareciam contaminação.

O procedimento mais simples seria eliminá-las e continuar o trabalho.

Esther fez algo diferente: decidiu descobrir o que eram.

Segundo o relato de sua pesquisa, ao analisar aquele material encontrou compostos de ferro com propriedades magnéticas. A aparente interferência tornou-se então uma nova pergunta: de onde vinha aquele ferro?

A investigação tomou outro rumo.

Esther passou a propor que aquelas partículas não estariam simplesmente espalhadas ao acaso pelo organismo. Elas fariam parte de uma rede extracelular organizada, relacionada a processos de oxidação e redução e à produção de fenômenos eletromagnéticos.

Ela chamou esse sistema de ECOR - Cofator Extracelular de Óxido-Redução, referindo-se também a ele como um corpo eletromagnético.

E aqui a história começa a ficar particularmente interessante.

Uma geografia dentro do corpo

Na concepção desenvolvida por Esther, o ECOR não seria um conjunto de pequenos fenômenos magnéticos independentes.

Existiria uma organização. Uma geografia espacial dentro do organismo.

Ao utilizar um aparelho de raios X modificado com ímãs, Esther relatou observar regiões nas quais essas concentrações magnéticas se tornavam mais pronunciadas.

Foi então que encontrou uma correspondência que não estava procurando.

Segundo sua interpretação, algumas dessas regiões coincidiam com aquelas tradicionalmente relacionadas aos chakras.

Esther descreveu ainda uma organização em forma de vórtice e um fluxo percorrendo o organismo de baixo para cima, relacionando suas observações às antigas descrições orientais.

Isso não significa que uma experiência de laboratório tenha simplesmente "provado os chakras".

A história é interessante por uma razão mais sutil.

Uma pesquisadora que partiu de partículas encontradas em tecidos terminou diante de um mapa que seres humanos já utilizavam, em outro contexto e com outra linguagem, muitos séculos antes.

E isso nos devolve aos próprios chakras.

Os chakras nem sempre foram os sete círculos coloridos

Os antigos sistemas de chakras são mais diversos do que sua representação contemporânea pode fazer parecer.

Diferentes tradições indianas desenvolveram diferentes mapas do chamado corpo sutil. O número de centros, suas posições, representações e funções não foram idênticos em todos os textos e linhagens.

Sistemas elaborados de chakras aparecem especialmente nas tradições tântricas medievais e, posteriormente, em diferentes vertentes do Yoga.

Um texto particularmente influente é o Sat-cakra-nirupana, composto por Purnananda no século XVI. Nele encontramos seis centros, além do Sahasrara, e a descrição da ascensão de Kundalini pelo canal central.

Mas há algo mais importante do que simplesmente contar quantos chakras aparecem em determinado texto.

Esses mapas foram concebidos para serem vividos, não apenas estudados.

Dentro dessas tradições, os chakras estão relacionados à circulação da energia vital e a processos de equilíbrio e transformação. Por isso, conhecer seus nomes ou compreender intelectualmente sua localização nunca foi exatamente a mesma coisa que trabalhar com eles.

É justamente aqui que uma antiga ideia se aproxima de uma questão muito contemporânea.

Podemos acumular enormes quantidades de conhecimento sobre nós mesmos sem que esse conhecimento necessariamente nos transforme.

Há uma diferença entre saber alguma coisa e desenvolver a capacidade de percebê-la em nossa própria experiência.

Quando conhecimento se transforma em caminho

Essa diferença também está presente no Curso de Formação do Colégio dos Magos.

Os chakras não aparecem como uma técnica independente ou como uma curiosidade sobre o chamado corpo energético. Seu estudo faz parte de uma progressão.

Antes deles, na Antecâmara, o estudante trabalha fundamentos como atenção, concentração, respiração consciente, observação e percepção interior.

Na Primeira Câmara, esse percurso se aprofunda com o estudo do organismo bioenergético, da circulação da vitalidade e dos chakras, acompanhado de práticas relacionadas a esses centros.

A ordem é importante.

Primeiro, aprender a observar. Depois, desenvolver condições para perceber com maior clareza aquilo que acontece em nossa própria experiência. E aquilo que é desenvolvido nessa etapa prepara, por sua vez, o trabalho das etapas posteriores.

Talvez essa seja também uma maneira interessante de olhar para os antigos mapas do ser humano.

Podemos perguntar se são símbolos. Podemos investigar sua história. Podemos examinar relatos como o de Esther del Río e as correspondências que ela acreditou encontrar.

Mas podemos fazer ainda outra pergunta:

por que tantas tradições consideraram insuficiente apenas conhecer esses mapas - e insistiram que algumas coisas só podem ser realmente compreendidas quando se tornam experiência?

Fontes e referências

DEL RÍO SERRANO, Esther. Ciencia: el agua de tu Ser - Por las Venas Corre Luz. Material dedicado às pesquisas da autora sobre partículas ferroso-férricas, o Sistema ECOR ou "corpo eletromagnético" e as correspondências por ela propostas entre concentrações magnéticas no organismo e os chakras.

PRATES, Luciana Cangussu. "Noções introdutórias sobre os chakras no Hinduísmo". Interações, v. 18, n. 1, 2023. Estudo acadêmico sobre os chakras no contexto do Hinduísmo, das Yoga Upanishads e das tradições tântricas.

PURNANANDA. Sat-cakra-nirupana ("Descrição dos Seis Centros"), século XVI. Texto sânscrito dedicado aos centros sutis e à ascensão de Kundalini, posteriormente traduzido e comentado no Ocidente por Sir John Woodroffe.

WOODROFFE, Sir John (Arthur Avalon). The Serpent Power: Being the Sat-cakra-nirupana and Paduka-pañcaka: Two Works on Laya-Yoga. Publicado originalmente em 1919. Obra que apresenta tradução e comentário do Sat-cakra-nirupana e que teve papel importante na difusão desse sistema de chakras no Ocidente.





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Autor Colégio dos Magos   
Adriano Villas-Bôas integra a equipe do Colégio dos Magos, dedicando-se à investigação da consciência, da transformação interior, da filosofia e das tradições de conhecimento, com atenção ao diálogo entre experiência, interpretação e evidência. Visite nosso site: https://www.colegiodosmagos.com.br
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