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China

por Marilene Pitta

Publicado dia 17/9/2008 em Espiritualidade

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CHINA: O DRAGÃO TEM FOME...

2005... 2008... Era outono na China quando pisei naquela terra dos meus sonhos com amigos e participantes da Conscenciologia. Acredito que cada pessoa que enfrenta contemplar o povo chinês na sua história, na sua civilização, com hábitos e costumes tão diferentes do nosso Ocidente... tem um encontro existencial com a terra do Dragão, dos mitos, das lendas, das artes, da medicina, das acobracias, do silêncio e da tecnologia.

O impacto da China é o espaço e o tempo. Tudo é grande, imperial, solene. O passado faz-se presente nos pacotes turísticos que sustentam o brilho da China. O espaço é amplo... Seja nas alturas dos edifícios de Xangai, de uma arquitetura contemporânea com traços arrojados, desafiando a lei da gravidade com seus planos e superplanos inclinados, redondos. Seja nas praças com seus jardins planejados, sua pedra gigantesca (que contam histórias emudecidas pelo código não decifrado). Seja pelos hotéis abarrotados de turistas e de gente de todo lugar do mundo: conhecer a China, mergulhar na sua estrutura sólida é o desejo de todos. Não é possível mergulhar nessas águas milenares. A primeira barreira é a língua (chinês mandarim ou chinês cantonês – todo tonal numa estrutura desconhecida para o tronco lingüístico indo-europeu). Eficientes, rígidos, possuem metas e focos; objetivos e estratégias para o comércio, trocas, vendas. É como se o DRAGÃO CHINÊS desejasse abarcar tudo, devorar tudo, reter tudo!

O mundo vai render-se á China! É a maior população do planeta. E 70% atéia, com o maior número de abortos legalizados do mundo! Muitas e muitas consciências pairam no ar como fantasmas. É impressionante: quanta energia mal qualificada! Fazem a dança fúnebre para todos aqueles que desejam abrir o espaço do coração numa intervenção energética.

A China Antiga mística e ritualista que nos é apresentada no Ocidente através dos filmes - “As adagas voadoras,” O tigre e o dragão” - perderam-se num lindo pôr-do-sol dessa fome de fazer negócios. Desenvolver-se e ocupar um lugar de destaque no cenário político, social e econômico do mundo. A China Antiga está encravada nos monastérios, perdida nas montanhas... Fica no silêncio do Zen, na quietude do Tao, seguindo o Caminho que para o ocidental é desafiador mergulhar e seguir adiante. Um sistema de crenças de sete mil anos está como um eneagrama no imaginário social do povo que reflete no riso, não necessariamente o início de uma amizade.

O preço das mercadorias nunca é justo; evoca a rota da seda, dos antigos comerciantes das especiarias: troca-se e abaixa-se o preço. Negociar é a palavra de ordem. O DRAGÃO nunca perde. Trabalha-se com eficiência e rapidez, comunica-se com uma velocidade gestual impressionante e, acrescente os olhares ávidos que controlam, sabem e identificam tudo e todos.

Mas a China está sendo um presente do Universo e da Espiritualidade. Ainda no Brasil fui informada de uma existência pessoal vivida num monastério... Atenta aos objetos, lugares, cores, alimentos, sons a China foi uma aventura das memórias mais ricas que já vivi... O lugar foi visto e a memória revivida, tão distante e tão próxima de mim, sempre.

O sabor da viagem teve o seu início no vôo com escala na África do Sul... Ficamos num hotel para um pequeno descanso. A emoção foi muito intensa ao pisar no solo africano; meus antepassados e ancestrais por certo lá estavam abençoando, ao lado dos imensos e lindos jacarandás floridos de lilás num tom espiritual, belo... Tristemente, verifiquei que os negros ainda estão nos trabalhos menos remunerados... Mas a África reina em algum lugar distante. A África dos curandeiros, das raízes e das festas... Ela se esconde como um felino na mata. Devo voltar um dia para esse abraço com gosto de feijão cozido na gamela. Coisa de negro. Código cifrado. É o lado oculto para poucos e muitos. É só ver e escutar!

Enfim, Beijing... A cidade pulsa pelo progresso, pelas construções, pelo arranque do desejo do progresso. Porém, o que encanta na China ainda é o passado da Cidade Proibida, da Praça Celestial, do Palácio de Verão, dos imensos pátios, da arquitetura majestosa, das cores, dos detalhes, dos animais mitológicos erguidos em bronze como guardiões que imperam solitários e eternos.

O saboroso de conhecer outras culturas é apreciar a diferença: os chineses esforçando-se para agradar... Entre risos e desacertos com a comunicação, lá estavam: pratos pequenos, louças minúsculas, os famosos pauzinhos... A culinária sofisticada e rica nos aproximou e nos distanciou! Pessoalmente, decidi: chá verde, frutas, arroz, melão e melancia. Quando dava, comia uma linda batata doce assada no fogo no meio da rua. Que delícia de sopa!

Estranha e confusa foi a experiência dos banheiros... Tudo rente no chão. É preciso pernas fortes e agilidade para o exercício de usá-los! Papel higiênico, às vezes não se achava. Eu, confusa no banheiro, fiz uma mímica para a funcionária que necessitava de um papel higiênico. Olhares parados, as chinesas me olhando querendo entender aquela cena! De repente, ela ágil trouxe-me um absorvente. Todas em silêncio... Esperando a minha reação. Peguei o absorvente e agradeci. Risos e risos... Que satisfação! Tínhamos nos comunicado. Essa é a China que guardo no meu coração.

A China nos convida ao exercício do “olhar contemplativo”, do “silêncio interior” para que se possa mergulhar naquele universo de sete mil anos de cultura. É preciso fugir do desejo de comprar... Encontra-se de tudo... Todas as marcas, todas as grifes... O antigo e o novo se misturam de uma forma complexa e desafiadora. É preciso ter discernimento crítico para entender a China de agora!

Ficou na minha lembrança: a Grande Muralha, que espelha o afinco, a força, a garra de um povo que procurou se defender e impor os seus limites para o mundo. Interessante, que a Grande Muralha não desafiou a montanha, ela foi erguida em cima, num diálogo entre pedras monumentais. O Centro Médico da Medicina Chinesa, a precisão do diagnóstico, já tão familiar para mim! Porém, a atendente já estava com a calculadora e os preços em dólares para a compra precisa e eficiente.

Assim foi no mundo das sedas, um trabalho milenar que conserva até os dias de hoje a técnica ancestral. A pintura dos tapetes foi a experiência de como a condição da mulher é sub-humana. A visão gasta, os ombros cansados e a perfeição mantida, para admiração dos ávidos compradores ocidentais. Lindo: os anciões escrevendo no chão com canetas de água que o sol quente, de uma forma bem Zen, apagava; e eles, novamente escreviam... Horas e horas... Como numa oração meditativa!

Ao lado dos celulares que fecham negócios. As bicicletas e os carros de última fabricação... Confúcio e a sua cidade linda, cheia de lembranças de um tempo de ensinamentos, trabalho, estudo e aplicação. A floresta de Confúcio silenciosa, guarda a história.

Essa é a China que guardo em meu coração.

Marilene Ferreira de Mello Pitta
Psicopedagoga Clínica e Terapeuta

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Marilene Pitta   
Formada em Registros Akáschicos;Alinhamento Energético;Terapia Floral;Formação Holística de Base (UNIPAZ) com Pós Graduação em Terapias Holísticas;Mestrado em Educação e Desenvolvimento Humano. Consultas em Roda Xamânicas. Animal Poder.Atendimento com Conexão com o Povo das Estrelas (Arcturianos e Pleidianos). Atendimento á Distância e Presencial.
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