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Desenvolvimento Espiritual Sem Neurose


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Caro Leitor:

Neste pequeno texto, quero lhe falar um pouco sobre a senda do desenvolvimento espiritual.

Muitos acham que o desenvolvimento espiritual exige, intransigentemente, a adesão a um grupo, uma religião ou uma filosofia, mas, pra lhe falar a verdade, com base no que aprendi ao longo das décadas, não acredito que isso seja verdade. Essa afiliação pode ajudar, e de fato ajuda, mas não creio que seja essencial. Estudei diversas filosofias e religiões ao longo dos anos, freqüentando alguns grupos de naturezas distintas e posso lhe dizer, com conhecimento de causa: se você tem intenção de progredir, em primeiro lugar, é necessário experimentar, tentar, meditar, analisar e criar um caminho exclusivo pra si próprio e uma filosofia pessoal, conhecendo e comparando as diferentes filosofias e religiões que estão por aí (nesse sentido, leia sobre a Maiêutica).

Os grupos e métodos podem ajudar, como foi dito, mas o caminho é unicamente seu.

Edward F. Edinger diz, em seu excelente livro “Ego e Arquétipo”, que sempre é necessária uma transgressão para que o ser humano possa atingir um nível de consciência maior, ou uma abertura mental maior, transgressão essa análoga ao “crime” praticado por Adão e Eva no mito da Gênese. Ou seja, a transgressão é, segundo ele, condição sine qua non para o desenvolvimento do indivíduo. Então, se a transgressão nos for, de fato, exigida por nossa própria natureza, por que não aproveitarmos essa oportunidade para transgredir tudo o que nos foi ensinado em termos de dogmas metafísicos, espirituais e religiosos? Por que não nos rebelarmos contra os dogmas solidificados e os métodos muito padronizados, definidos e cristalizados. Não estou falando, aqui, de ciência, com toda sua metodologia rígida e definida, mas do desenvolvimento interior, intangível, a priori, aos referidos métodos.


Não aceitemos, por conseguinte, nada que ainda não tenhamos analisado e experimentado pessoalmente. Não sejamos apenas uma rês ou uma “Maria Vai Com As Outras” . Principalmente, não tenhamos preguiça de pensar.

Pode parecer estranho, mas como nossa mente tende a ser econômica, ela pode acabar por se tornar preguiçosa, ainda que não estejamos plenamente conscientes disso. Usamos, automaticamente, métodos padronizados e fórmulas prontas, para facilitar as coisas, olvidando-nos, assim, de usufruir do maravilhoso dom que nos foi dado: o dom de pensar.

Não nos esqueçamos, também, de que agir e praticar são tão atitudes tão importantes quanto pensar. Afinal, um teórico radical não é mais útil que um prático iletrado.

Nos grupos de estudo que vemos por aí, encontramos toda sorte de pessoas problemáticas, chatas e complexadas, embora sejam sinceras em sua busca pela cura. Vemos algumas pessoas que tiveram contato com filosofias orientais e que, então, passaram a se achar verdadeiros “santos”, os “salvadores da Humanidade”. Agindo assim, eles acabam por negligenciar a si mesmos e por atrapalhar seu próprio progresso, não obstante acreditem que o fato de auxiliarem ao próximo seja suficiente para seu desenvolvimento espiritual . Crêem estar acima dos demais, e quites com as forças superiores, por sua bondade e altruísmo, por sua santidade, sem perceber que o objetivo maior, o foco em seu próprio trabalho interior, acabou por ser abandonado.

O foco em si de que falo não deve ser confundido com egoísmo ou egocentrismo, mas deve ser entendido como uma “centralização saudável” da pessoa em si mesma.

Não quero, aqui, apenas condenar deliberadamente essas pessoas, as chatas religiosas e esotéricas, já que, em grande parte das vezes, elas assim o são por falta de uma orientação adequada.  E, às vezes, somente por causa daquela preguiça de pensar da qual falei. Elas simplesmente podem ter aceitado o que se lhes foi equivocadamente ensinado em uma ocasião qualquer.

Conheci, certa vez, uma senhora que encarnou um tipo de “santa”, uma messias maravilhosa, sempre preocupada com todos e com tudo, vegetariana, avessa ao sexo, defensora dos animais, e todas aquelas coisas previsíveis. Uma vez contrariada, entretanto, ela demonstrou, inesperadamente, ser uma pessoa de personalidade agressiva, sem lapidação, com comportamento reacionário, carregado de mesquinhez e ciúmes. Ou seja, uma pessoa preocupada em passar uma imagem de santa para todo mundo, mas que, na verdade, carrega em si um subdesenvolvimento interior: o principal acabou por ser negligenciado.

Não é preciso ser psicólogo pra saber que as pessoas centradas, saudáveis emocional e espiritualmente, são alegres, mais ou menos extrovertidas, divertidas, otimistas e positivas. Sabem gozar os prazeres da vida e não ficam condenando a diversão e o sexo. Não tem ideias suicidas ou autodepreciativas, ou neuroses de santidade, de messianismo, de castidade e de reclusão.

Concordo que o corpo é sim nosso sagrado veículo, e também não deve ser negligenciado, mas tudo deve ser feito na medida certa, sem radicalismos.

Não pensemos que devamos nos tornar monges budistas, gurus, frades cristãos ou santos reclusos para evoluir espiritualmente. O afastamento pode ser necessário em certas épocas do desenvolvimento espiritual humano, mas tenhamos em mente que a vida cotidiana, com todas suas dificuldades e vicissitudes, é o meio ideal para nosso desenvolvimento espiritual. Não um local fechado, controlado, em que fiquemos seguros demais, orando e meditando o dia todo – ainda que nos empenhemos em trabalhos assistenciais. Nesse sentido, concordo com a filosofia do grande mestre Massaharu Taniguchi: é no mundo físico e na vida cotidiana que devemos trabalhar nossa evolução.

Você já deve ter conhecido algum espiritualista fanático, que diz, vez ou outra, esperar ansiosamente pela oportunidade de passar para o “outro lado”. Ou então algum “santo” que vive ajudando os outros, como um grande herói, um humanista grandioso e um filantropo, enquanto sua própria vida vai de mal a pior. Ou ainda alguém que posa de iluminado por freqüentar certos grupos, ou participar de certas reuniões, mas que, na verdade, está longe de ser senhor de si mesmo, tornando-se um monstro de Ego quando exposto a qualquer contrariedade.

Esses tipos são relativamente comuns, fáceis de achar, e devemos até lhes ser agradecidos por nos servir de parâmetros de como NÃO devemos ser.

Mas, o mais importante no desenvolvimento espiritual não é apenas orar, rezar, participar de sessões espíritas ou cultos cristãos, prestar serviços humanitários etc.. Isso tudo é importante, mas não essencial, como já disse. O mais importante é não negligenciar nosso próprio desenvolvimento. É o aprimoramento de nosso autocontrole e a conscientização de nossos processos internos. Creio ser esse nosso objetivo nesse plano atual, e a meditação é uma boa ferramenta nesse sentido.

Entendamos, então, a vida física como se fosse uma escola: nosso ser não vive verdadeiramente lá o tempo todo, mas apenas uma parte do tempo, ou seja, durante o “horário escolar normal” - em nossa jovial analogia. Contudo, enquanto estivermos lá, na “sala de aulas”, ESTEJAMOS LÁ. Não “fujamos” para outro lugar, pela desconexão com a realidade. Aprendamos as lições que nos forem transmitidas, pratiquemos, aprimoremo-nos, e enfrentemos as provas sabendo que são apenas testes para verificar nossa assimilação de tudo o que se nos fora ensinado até então. Quando acabar nosso período de instrução, então, podemos voltar pra casa e descansar. Não nos dispersemos em nosso horário letivo, mantendo nosso foco nas diversões que ficaram em casa e naquilo que possamos haver deixado pra trás. Durante nosso período de aula, empenhemo-nos o quanto pudermos na preparação para encarar os testes inexoravelmente vindouros.

E não queiramos receber lições de séries mais avançadas, ou nos adiantarmos em nosso próprio “ciclo letivo”. O que se nos é ensinado no momento é exatamente aquilo que se nos deve sê-lo. Não sejamos apoteóticos: um passo de cada vez é o suficiente.

Creio ser essa a essência do desenvolvimento espiritual, mas, quer saber? Essa é minha opinião. Não quero me contradizer no que disse nos primeiros parágrafos: você é livre para analisar, experimentar e chegar às suas próprias conclusões.

Acredito que nós não estamos aqui pra viver em outro mundo, local esse imaginário a priori, mas sim para vivermos neste mundo, pela quantidade de dias que nos for designada pela Providência Divina. É inútil, então, querer apressar nosso regresso à fonte.

Não tentemos, por fim, alcançar aquilo que ainda não está na didática de nossa “série”, de nosso “módulo”, de nosso “semestre” etc.. Não quero dizer, com isso, que devamos ser desleixados, displicentes ou folgados, mas uma boa dose de bom senso é sempre bem vinda. E não nos esqueçamos daquilo que foi dito no início: questionar sempre e, se preciso, transgredir.

Se você simpatizou com uma senda, ótimo! Trilhe esse caminho e se empenhe, mas sem se esquecer de questionar sempre e experimentar o quanto possível. Depois de algumas décadas fazendo isso, você vai acabar chegando à mesma conclusão a que chegou o célebre filósofo Sócrates: “Só sei que nada sei”.

E isso não nos deve ser desestimulante ou desanimador. Pelo contrário, isso é maravilhoso... pois, significa que, à nossa frente, sempre haverá um grande Universo a ser desvendado ainda.


 


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