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E SE SÓ LHE RESTASSE ESSE DIA?...

por Christina Nunes
E SE SÓ LHE RESTASSE ESSE DIA?...

Publicado dia 20/10/2012 em Espiritualidade

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"Meu amor/o que você faria/se só lhe restasse esse dia?/Se o mundo fosse se acabar/me diz o que você faria? - Lenine

Gostaria de compartilhar com o leitor uma vivência durante o desligamento noturno, considerada característica dos chamados sonhos proféticos. Mas por favor; adianto uma explicação importante para a compreensão do que digo: o sonho profético não se trata exatamente da profecia entendida no seu significado clássico de previsão do futuro. Para mim, que já os vivenciei em mais de uma circunstância, sempre aconteceram num sentido didático - de aprendizado importante para o nosso repertório evolutivo.

De conteúdo absolutamente inusitado, pois, durante a noite inteira, e experimentando em consequência natural angústia frente ao realismo vívido de detalhes ricos em cores, com personagens que me ladeavam na vivência, via-me, junto aos meus dois filhos e a mais um agrupamento enorme de pessoas nalgum lugar indefinido, em clareira vasta rebordada por montanhas, na qual achava-se um casarão grande onde estávamos. Havia, portanto, ali, conhecidos e desconhecidos; gente do meu trabalho no Judiciário, idosos e crianças.

Inusitadamente, no entanto, e colhendo a todos de imenso estarrecimento, acontecia o que muitos ao redor do mundo atualmente, e especialmente neste ano de 2012, vêm temendo! Alguma anomalia violenta acontecia com o planeta, desencadeando devastadora tsunami, em ciclos! E, ante a nossa paralisada perplexidade, de repente, avizinhava-se de onde estávamos onda marinha colossal, da altura mesma das nuvens mais altas nos céus, em pleno dia ensolarado! Estuporados, olhávamos para aquilo, sem saber de início o que fazer; e depois se sucedia o esperado pânico, com a multidão imensa dispersando caótica e barulhentamente, aos gritos, e buscando se abrigar de algum modo.

Eu, particularmente, me desesperava buscando pelos meus filhos! Via o mais velho, já adulto, nas proximidades, e de algum modo ele encontrava um lugar para se abrigar, mas minha agonia aumentava por causa da menor, momentaneamente fora de vista.

A onda descomunal, em questão de instantes, colhia a todos, invadindo o lugar, e ouvíamos nitidamente o barulho horroroso do impacto. Dava-se, neste minuto, uma confusão em minhas idéias. Misturava-se o curioso fator de que, de algum modo, eu conseguia me proteger em meio à invasão agressiva das águas e à gritaria, e ao mesmo tempo, inexplicavelmente, encontrar minha filha, escondida nalgum canto.

Passado um intervalo da cena impressionante, via-me em meio a um cenário mais ou menos devastado, e é a partir daí que se pode extrair reflexões importantes.

Muitos remanescentes espalhados ao meu redor comentavam atropeladamente o que acontecia - vários metidos em incredulidade e choque. Alguns se agrupavam formando assembléias de emergência, liderados por um senhor encanecido e de aspecto respeitável, que compartilhava opiniões sobre o que fazer. De entremeio, ouviam-se comentários sobre a realidade dura de que, apenas um dia antes, todos ali tinham emprego, lar e alimentação; e que não sabiam agora como lidar com o desastre de ver o mundo devastado e, de uma hora para outra, se compreenderem despojados de todo o conforto ao qual estavam tão acostumados, ao ponto de dá-lo como certo até ao final da vida, se este acontecesse num contexto de normalidade - para agora, de um minuto para outro, estarem todos atirados à mais absoluta indigência!

Como reagir àquilo?! O que fazer?!

Alguns outros aludiam ao próprio estarrecimento em dando com o cumprimento até pouco tempo antes o mais desacreditado possível das propaladas profecias, alardeadas com maior ênfase desde o princípio deste século. Protestavam o absurdo de ver-se todos metidos na confirmação da situação, do modo mais inesperado! Outros, ainda, buscavam em desespero pessoas conhecidas. Enfim - a materialização mais dantesca do caos e do desnorteamento!

Até que, para desarvoramento generalizado, o inusitado repete-se, contra a expectativa de todos: a aproximação abrupta de outra invasão marinha da magnitude das altitudes dos céus, em velocidade de relâmpago!

Pânico! Novamente eu atrás de meus filhos, gritando pelo nome da menina. As águas de novo invadindo tudo; e, ainda daquela vez, estranhamente, via-me a salvo, escondida nalgum recuado indefinível de móveis ou destroços, mesmo sentindo nitidamente certa sensação de afogamento, de esforço para respirar em meio à invasão furiosas das ondas!

E outra vez estava com meus filhos depois da angústia desesperada para encontrá-los; e de novo o caos se estabelecia no lugar já devastado pelo fenômeno destruidor de momentos antes!

A cena indescritível, e incrivelmente nítida aos meus sentidos e sensações, como a realidade que me rodeia agora, desperta, se repetiu, para a extrema agonia de todos, pelo menos três vezes!

Ao enfim despertar, dominada por certa perturbação das idéias, todavia, e após alguns instantes de reflexão sobre a vivência, vieram-me, fáceis, as conclusões sobre o aprendizado didático proporcionado, certamente sob a orientação decisiva de meus mentores, para elucidação íntima, e a de com quem pudesse compartilhar a experiência.

Como recita o trecho de canção que abre este artigo, amigos, o que faríamos, se só nos restasse esse dia?

Incontáveis pessoas ao meu redor aludiam ao cotidiano anterior de conforto e de estabilidade, drasticamente destruídos de um minuto para outro. O sinistro colhera a todos de dentro do mais definitivo e surpreendente impacto, sem possibilidade de cálculos, de planejamentos prévios para nos colocarmos a salvo da conjuntura dramática! Não seria a ilação destas circunstâncias, refletindo sobre o quadro vivo diante de minha visão espiritual, a de que deveremos sempre estar cientes da única permanência real dentro de nossa marcha rumo ao infinito: a eterna mutabilidade de tudo? A realidade de que devemos praticar desapego a tempo, e desenvolver a noção de que nada, em absoluto, nos pertence ou é assegurado, requisitando-nos disposição para sempre recomeçar num contexto qualquer, todos os dias, nem que em detalhes imperceptíveis? Afinal, reencarnamos todos livres de posses, e nada trazemos! E assim deixaremos este mundo - sem nada levar, a não ser o que fizemos de nós mesmos!

Lembro-me claramente de outras das principais emoções daquele momento inaudito: de pensamentos dominantes, do aprendizado emergindo, súbito, à tona da compreensão mais necessária ao progresso do meu espírito! Qual foi minha principal preocupação da hora? Meus dois filhos! Nada - nem mesmo a aproximação fulminante das águas colossais, a iminência da morte, o impulso da luta pela sobrevivência, me obcecaram acima de achar aqueles seres a mim mais ligados pelo coração, a fim de protegê-los e abrigá-los comigo, nem que para compartilhar o último momento unidos, resguardando-os, com calor humano, do desespero supremo inerente à conjuntura! E o que, disso, extraimos como lição útil? Que, acima de todas as circunstâncias transitórias, e por mais desesperadoras se apresentem, sobrepõe-se, espontaneamente, os nossos vínculos valiosos de amor! O que permanece; o que sobrevive e segue conosco!

Pois - notem! - eis o principal: estranhamente, todos seguíamos! Vivos! Apesar da hecatombe furiosa das águas!

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Sobre o Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: [email protected]
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