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ELOGIO À MORTE



I - VIDA?
(ZONA DE CONFORTO)


Crescer, depois de nascer, aprender
a segurança, o dinheiro, o sucesso
família, filhos, netos e depois... nada.
Me dêem o controle
status, um nome, o prazer imediato
que depois vem o nada.

Um sentido para isso eu compro na esquina,
Um sentido me dá o preconceito, o dogma
a sensação de pureza
a preguiça de mim e da vida
que depois vem o Nada
e a vida e o depois às vezes se misturam.

Por Deus, que eu nem sei se existe
me dêem o poder
para que eu não precise buscar um sentido
que depois vem o nada
a morte do sonho que não ousou sonhar
sua eternidade.

“A vida começa onde termina a sua zona de conforto.”
Neale D. Walsh

II – DÈJÁ VU?
(ARCHOTES)


Eu vi uma cidade da Idade Média
com suas casas de pedra
e ruas estreitas.
Eu vi um povo sofrido
marchando para a morte
com archotes na mão.

Eu vi um burgo e um senhor
que comia numa mesa farta de impostos injustos.
Eu vi um camponês chorando a dor
de não comer o que plantou
e gente faminta nos becos gelados
morrendo de frio e de abandono.

Eu vi a ignorância parir a heresia
e a heresia, a fogueira
e vi pessoas gritando e vibrando
enquanto o fogo queimava
o que a sua ignorância
não compreendia.

E vi a cidade,
suas ruas, seu povo
suas lutas, sua fome
sua ignorância e intolerância
suas fogueiras, seus gritos...
e eu morrendo mais uma vez.

III – FIM?
(SENHORA)


Senhora de tudo que vive
seu rosto já ouvi medonho
seus olhos, incandescentes
seu riso, macabro
seu toque, gelado
sua morada, sinistra.

Quando criança, era o medo do escuro
mas nunca te via.

Senhora da Imaginação
dos que vivem e sonham eternamente viver
cresci e te encontrei na Filosofia
metáfora paradoxal da vida
impessoal discurso, abstrato retrato do medo
que toda criança tem do escuro.

Mas te ver não podia.

Senhora dos Quatro Elementos
amadureci e te vi
na peregrinação do dia atrás da noite
na mudança das estações
no milagre da semente
nas transformações do meu corpo.

E aguardo o dia
quando se cumprir o ciclo
e se expandirem as dimensões
e eu possa te ver inteira
por todos os sentidos
Senhora da Vida, Morte.
Texto revisado

Publicado dia 1/11/2007
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