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Encontro com o Xamã

Encontro com o Xamã

por Paulo Rubens Nascimento Sousa
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Cheguei esta tarde em meu consultório e encontrei à minha espera uma velha xamã que não via há muito tempo. Fiquei surpreso com a visita e muito feliz com aquele encontro inesperado. Sentamo-nos na minha sala, ela ficou contra a luz da janela que iluminava seus traços “indígenas” e nos pusemos a falar e a relembrar velhas histórias e vivências do caminho sagrado. Um espírito de espontaneidade e vivacidade tomou conta de minha memória com a grande força evocativa que ela trazia em cada história que saboreávamos ao sabor de um bom chá de ervas.
Comentei que sua fisionomia tinha sido “possuída” por uma forte expressão xamânica, sendo ela branca de origem germânica, logo, ela sorriu e me disse com voz doce, que “o povo dela estava cada vez mais perto dela” e isto me reportou aos domínios profundos do território da imaginação ativa, o território no qual encarnamos o poder em nossas vidas, seja de um animal, de uma pessoa. Isto é incrível, como carreamos forças e inteligências quando estamos ligados a um arquétipo de poder, e ele passa a nos iluminar num momento da vida, dando novas formas a nossas ações e comportamentos.
Abri-me completamente àquela conversa, não só porque era minha velha amiga de longa data, mas também porque estava diante de uma grande força arquetípica que as leis da sincronicidade me oportunizaram nesta tarde de hoje, e fomos tecendo uma teia de idéias muito ricas de medicina espiritual; alçamos vôo às profundas memórias de nossas vivências xamânicas na montanha sagrada (caminho do peaberu), e começamos a falar de rodas de cura com chanupa e ritos mágicos. Falávamos da escalada à montanha até chegarmos ao santuário sagrado onde tudo acontecia, caminhávamos por dose horas na trilha até chegarmos à aldeia e nos acomodarmos para os dias de retiro e trabalho espiritual.

O caminho era uma jornada de silêncio e autoconhecimento. Era um velho caminho sagrado, uma antiga rota dos índios que vinham dos Andes no solstício de inverno à procura de abrigo e alimento em terras brasilis. O caminho era mágico, especial, de vegetação exuberante, rios e rica fauna. Começávamos a jornada antes do nascer do sol, saímos da pousada ainda com escuro. Aquele dia estava muito frio e o sol apareceu entre nuvens e neblina naquela manhã auspiciosa, seguíamos para nossa jornada sagrada. Caminhávamos em fila cada um com um cajado, guardando uma distância um do outro. Logo ao atravessar o rio, parei à beira do caminho para esperar os outros que estavam atravessando, quando olho para o meu sapato e vejo uma coisa colorida que logo percebi como uma cobra coral. De súbito tive um insight, ao ver a cobra ali imóvel; quando ela movendo-se tranquilamente mostrou-se para mim e naquele momento tive a compreensão do nível de poder que seria aquele trabalho, que estávamos sendo guiados por aquele ser, aquele Elemental, “a dona da farmácia”, das drogas, dos remédios. E seguimos tranquilamente a nossa trilha.

Chegamos ao entardecer à aldeia e fomos recebidos com muita festividade, logo nos integramos a todos e fomos tomar banho de rio, num lugar mágico especial, uma cachoeira encantada, saímos de alma lavada e fomos para nossa barraca nos preparar para o rito que aconteceria a noite, estávamos cansados. Ao anoitecer os índios cantavam e se preparavam para atear fogo à fogueira, e aquele som quase hipnótico mudava a atmosfera do ambiente. Um véu de mistério descia sob nós, as pessoas pareciam tomar outras formas mais empoderadas.
Sentamos num grande círculo e começava o rito da fala, tomávamos chá numa cuia, e à medida que a cuia caia na sua mão, aquela era sua vez de se pronunciar, um rito de cura através da fala, uma terapia do profundo. Seguido um tempo, o Pajé prepara o fumo sagrado para o rito de chanupa, e entramos de fato noutra dimensão da experiência espiritual, do êxtase. Estávamos imersos noutro nível da consciência humana, com níveis muito profundos de acesso, num território mágico, sagrado. Fora do tempo espaço profano. Aquela experiência transcendia toda a compreensão que tínhamos da vida até ali, e ficamos absortos com aquelas primeiras horas que se abriam noite adentro da experiência espiritual.

Voltamos naquele momento, e tínhamos outra leitura de todo aquele acontecimento que marcou nossas vidas. Aquela foi uma noite de muitos mistérios, o pajé nos conduziu pela mata à noite para vivermos uma experiência única, o conhecimento vivo das plantas, e aquilo foi tudo. Não podíamos nunca mais olhar a natureza com outros olhos a não ser com aquela visão que nos foi dada. Aquele velho homem nos colocou em contato com o mundo essencial da vida vegetal, animal e mineral. Ele era a ponte de uma velha tradição com nosso mundo moderno e nós levaríamos como legado daquela experiência outra compreensão do mundo das substâncias que mudaria nossa visão de homem, de doença e de cura. Hoje somos terapeutas e guias, temos a função de guiar as pessoas até seus caminhos, e despertá-las. Fiquei muito contente com nosso encontro que foi como um Oasis no meio da tarde quente de Joinville.

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Atualizado em 23/11/2011

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