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Luto não se cura, vivencia-se!


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Quando mencionamos luto nos remetemos quase que  instantaneamente  à morte de alguém. O Luto é um sentimento de tristeza profunda. Ele não precisa estar diretamente ligado a um processo da morte de alguém, pode e até deve estar relacionado a outros diversos processos de perdas e mudanças intensas que vivenciamos na vida, desde objetos na infância, moradia, amigos, escola, trabalho, namoro, casamento, mudança de cidade ou país, desde que represente uma perda significativa.
A morte faz com que experimentemos a tristeza e esta faz parte da humanidade, é um sentimento natural que deveria ser bem aceito por nossa sociedade. Mas não é bem assim que acontece, parece que não temos o direito de ficarmos tristes, de chorarmos etc..

 Existem pais que não permitem a seus filhos vivenciarem o processo de perda e também não permitem a eles vivenciarem a  tristeza. Um grave erro que esses pais cometem ao tentar suprir ou tamponar , mascarando esse sentimento, pois esses momentos servem de vivências para uma morte real de uma pessoa querida.

Temos muitas teorias, mas nenhuma é capaz de explicar o luto; a experiência de viver o luto é única, só quem vive sabe o que é e cada um vive a dor a seu modo.

Ele se manifesta no corpo na forma de dor de cabeça, dor de estômago, moleza, dores musculares, a pessoa  fica mais suscetível a pegar gripe, o sistema imunológico fica abalado, a pessoa  fica mais propensa a adoecer. É uma reação esperada e normal à perda de alguém que amamos.

Há alguns estudos que apontam para os estágios do luto. Estes estudos partiram de uma pesquisa específica com pacientes terminais e seus familiares, mas com o passar do tempo, foi sendo utilizada por outros casos de luto e morte, devido à fácil identificação do processo do luto no geral.

As etapas são:

1) Negação: consiste num período em que a pessoa se poderá sentir como se estivesse desligada da realidade, atordoada, desamparada, imobilizada ou perdida. Aqui a pessoa  evita falar, finge não estar acontecendo e usa sua estrutura emocional para lutar contra a morte;

2) Raiva: caracterizada por um período de emoções fortes, sofrimento psicológico e agitação física. Momento de ira, questionamentos, revolta, expressados de forma inquieta, chorosa, normalmente relacionado por não poder mais negar o fim;

3) Barganha: uma negociação que se faz consigo mesmo, com o meio, até com Deus e outras entidades religiosas, onde entende que não pode mais negar a ideia de morte, mas ainda tenta desviar os sentimentos para outras ideias, camuflar, ou mesmo negociar uma última oportunidade, último momento, para depois se permitir a aceitar;

4) Depressão: quando já não há mais força emocional, para lutar contra os medos e a dor da perda e o fim é assumido e encarado;

5) Aceitação: nesta fase deverá emergir uma nova identidade que permite ao indivíduo abandonar a ideia de recuperar aquilo que perdeu e adaptar-se ao significado que essa perda tem na sua vida. É  quando a dor começa dar espaço para um processo de superação. Sofrer a dor da perda, não tomará mais todo o espaço da vida já poderá voltar a pensar em planejar, construir e seguir em frente, enquanto ainda lida com sua dor.

O processo do luto deveria ser visto como natural e necessário para o posterior equilíbrio emocional da pessoa. Ele não é uma doença , é uma experiência viva e é um produto do seu lugar e sua cultura.

Não pode, nem deve ser evitado, é um processo que todos passamos em vida. Ele deve ser entendido como algo próprio do ser humano e percebido, não negado ou disfarçado. Isto é, tanto a pessoa enlutada como aqueles que estiverem acolhendo esta pessoa não devem fingir, negar ou disfarçar o assunto. Assumir a dor, a tristeza , se permitir a chorar, a se recolher é fundamental. Assim como entender que a vida deste ponto em diante irá mudar e será preciso se readequar. Com o tempo e também com olhar adequado para cada caso, as angústias vão sendo compreendidas e trabalhadas e assim encontrando lugar na vida daquela pessoa, que poderá voltar a construir, sonhar e desejar um futuro para si.

Não há um tempo certo para cada estágio, nem mesmo é necessário que se siga a ordem ou que ocorra todos, isso sempre será muito particular a cada caso. Cada um dá um sentido a sua perda e esse sentido é muito particular.

Existem pessoas que fazem músicas, poemas, filmes belíssimos, plantam jardim, fundam ONGs, ajudam outras pessoas.

O processo de luto  pode durar meses ou anos. O que verificamos é que  luto de pessoas mais próximas como filhos, maridos, esposas, mães e pais, costumam ter maior intensidade e uma sensação dolorida de angústia.

Hoje em dia, é possível dizer que se fala muito de morte, mas não se elabora sobre ela. A pessoa assiste a tragédias, violências e epidemias, mas não considera ser atingida por ela.

A morte não é falada e é algo a ser evitada, como se o ser humano tivesse o poder de viver para sempre; ou como se pudesse criar um padrão, somente morre após certa idade, ou se possui certos hábitos, se for de adoecimento severo. Quando, na verdade a morte existe porque se está vivo. Esta negação social pode ser um dos motivos relevantes para o luto ser um fator causador de tantas angústias.

Outro fator relevante são os rituais, eles  sempre existiram e são fundamentais na concretização da morte. É o momento para se expressar a dor e receber condolências, para se despedir e se preparar para um novo ciclo que vai iniciar na vida de quem fica.

Algumas dicas preciosas para quebrarmos o tabu do luto (wikiHow):

Chore quando precisar e sorria quando puder.

Quando você perceber que está enlouquecendo, apenas pare, relaxe, não faça nada, veja um filme, leia, durma e acalme-se.

Não espere que nenhum dia se passe sem que você não pense no seu filho, marido, esposa – você provavelmente nem vai querer isso. Você amou muito e irá sentir a falta pelo resto de sua vida. Não há nenhum problema nisso.

Faça o que você achar certo enquanto você está de luto. Você não deve explicação a ninguém a respeito do modo pelo qual expressa sua dor.

Não imponha limites de tempo para a sua recuperação. Você pode levar anos para se sentir normal de novo, sendo que esse estado será como um novo normal. As coisas nunca mais serão as mesmas, mas isso não quer dizer que sua vida não valha mais a pena de ser vivida – ela não será mais a mesma, será diferente, mudada para sempre por seu amor ao seu filho e pelo amor dele por você.

Reze o quanto você puder, caso você seja uma pessoa de fé.

Tente lembrar que ninguém poderá entender sua dor, a menos que eles tenham passado por uma situação como a sua.

Tente deixar seus amigos ou parentes lhe ajudarem e peça para que eles respeitem seus sentimentos.

Tente não perder as esperanças com coisas irrelevantes. Você está enfrentando a pior situação de sua vida. Nada mais poderia ser pior que isso. Se puder, lembre-se que a força que você descobriu ter ao viver com a morte de uma pessoa amada significa que você é capaz de sobreviver a qualquer coisa agora.

Saiba que você não está sozinho. Apenas procure ajuda, ela está por aí.

À noite, quando você estiver sozinho e não conseguir dormir, escreva uma carta para o seu ente falecido dizendo-lhe o quanto você o ama e sente sua falta.

Há ambivalência em quase tudo, até mesmo em "seguir em frente".

Tente superar a situação. Saia de casa. Divirta-se. Limpe sua mente.

E para finalizar gosto muito de uma frase do Padre Fábio de Melo que diz:

“As pessoas não moram ao lado, (em outro quarto, em outra cidade ou país)

Elas moram dentro da gente”.

Então vamos trocar a perda de alguém pela “presença” desta pessoa querida.

Lembre-se dos momentos felizes, dos sorrisos, do que ela representa e irá representar para você por toda sua vida. Se tiver vontade, converse com ela sobre tudo.

E, principalmente, olhe para a morte como parte da nossa vida, como uma passagem.  A pessoa amada só foi um pouco antes, nós também iremos morrer. Entrar em contato com a morte e com a possibilidade de perder as pessoas que amamos, é transformador.

A dor e o amor, a vida e a morte são duas faces da mesma moeda. Só quem tem a morte na consciência , mesmo que não esteja o tempo todo pensando nela, é capaz de viver em profundidade, de aproveitar a vida a cada segundo.

E é isso que nos faz vivermos intensamente, a vida passa a ter outro sabor, outras cores, outro sentido.

Não temos o ontem, nem o amanhã; temos o hoje para estar com quem amamos.

Iole Maria Bonetti

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Conteúdo desenvolvido por: Iole Maria Bonetti   
Psicologa/Psicanalista Tels: 11 963439030
E-mail: i.bonetti@yahoo.com.br | Mais artigos.

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