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Autoconhecimento: Meditação, o bem que ela faz

por Roberto Debski

MEDITAÇÃO E SAÚDE

A meditação é uma prática de origem milenar que vem sendo estudada e reconhecida pela ciência como uma técnica efetiva para tratar diversas condições de saúde física, mental e emocional.

Quando falamos sobre meditação, surgem várias idéias pré-concebidas além de várias perguntas: como se pratica? Qual o seu efeito? Preciso me isolar de tudo e todos para meditar? É importante esclarecê-las bem para que todos possam se beneficiar desta maravilhosa prática.

Primeiro, vamos verificar o que a ciência tem descoberto a respeito da meditação. Recentemente, o centro nacional para medicina alternativa e complementar dos Estados Unidos, órgão ligado aos Institutos Nacionais de Saúde, publicou centenas de estudos a respeito de diversas correntes de meditação. Segundo Dean Ornish, professor de medicina na Universidade da Califórnia, a meditação, ao contrário do que se possa imaginar, não é cair na ociosidade, mas ativar a mente. E o resultado é positivo para a saúde e o equilíbrio físico e emocional.

Em termos práticos, meditar é concentrar a atenção em uma única coisa, chamada âncora, que pode ser o ritmo da respiração, um mantra, que é uma palavra ou som, ou uma imagem, entre outros. Meditar é simples, mas não é fácil, pois nossa mente agitada está sempre voltada para o passado ou para o futuro, o que pode gerar depressão e ansiedade. Meditar é estar no presente, aqui e agora, plenamente, inclusive enquanto se anda, come ou faz qualquer outra atividade.

Os benefícios da meditação se iniciam pelo repouso corporal, muito superior ao do sono. Uma pessoa dormindo consome mais oxigênio do que quando medita. Os batimentos cardíacos se reduzem durante a meditação e aumentam no cérebro as ondas alfa e teta, que são associadas ao relaxamento profundo.

Pesquisas recentes realizadas na Universidade da Califórnia mostram que a meditação contribui até para evitar o acúmulo de gordura nas artérias, dado que se soma às recentes descobertas sobre a função preventiva da meditação nas doenças coronarianas. Outro estudo realizado por cientistas de Harvard mostrou imagens do funcionamento cerebral de meditadores regulares, obtida através de aparelhos de ressonância magnética funcional. Seguindo a coordenadora do estudo, Sara Lazar, o mesmo evidenciou alterações favoráveis em regiões cerebrais ligadas às emoções e na função cardio-respiratória.

Outros estudos realizados nas universidades americanas de Stanford e Columbia evidenciaram que a meditação ajuda a baixar a pressão arterial e reduz a produção dos hormônios do estresse, cortisol e adrenalina, além de estimular a produção de endorfinas, neurotransmissores do bem estar, que são tranqüilizantes e analgésicos naturais. Graças a estas e outras descobertas, os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos patrocinam novas pesquisas sobre o efeito da meditação em diversas doenças.

Segundo Roberto Cardoso, autor do livro "Medicina e Meditação", para se caracterizar como meditação, uma prática deve conter os seguintes elementos: uma técnica específica, relaxamento muscular durante o processo, o que indica o relaxamento físico e psíquico; relaxamento da lógica, ou seja, o não envolvimento em sequências de pensamentos; ela deve ser auto induzida, e conter um artifício de auto-focalização, chamado de âncora.

Calcula-se que hoje em dia nos Estados Unidos dez milhões de pessoas meditem regularmente, inclusive, em hospitais e instituições de saúde. Entre mais de onze mil pacientes atendidos no centro de redução do estresse da Universidade de Massachussets, sintomas como dores, pressão alta e problemas digestivos teriam diminuído em media quarenta por cento após dois meses nas pessoas que meditavam duas vezes ao dia. O indiano Harbans Lal Arora, doutor em física pela Universidade de Waterloo no Canadá, realizou trabalhos no Hospital Geral e no Hospital Cesar Cals em Fortaleza mostrando que pacientes que praticaram meditação antes de submeterem-se à cirurgias perderam quarenta por cento menos sangue durante a operação e voltaram para casa na metade do tempo previsto.

Porém, a meditação não funciona quando se fala dela, mas, sim, quando praticada regularmente, como um treinamento para o autoconhecimento. O segredo está em prestar atenção em cada momento do presente. Novamente, é simples, mas não é fácil. Exige uma mudança de postura perante a vida, sutil, porém, fundamental. Fomos ensinados que para resolver problemas é preciso pensar e se preocupar muito com eles.

Meditar é concentrar-se plenamente no presente, tornar conscientes os nossos gestos até então automáticos.

Eis algumas dicas para melhorar sua meditação: Respire fundo a fim de oxigenar seu cérebro, aclamar a agitação e estabilizar a mente. Endireite sua postura, queixo paralelo ao chão, e coluna ereta, numa posição confortável, favorecendo o fluxo de energia pelos chakras ou centros integrados de energia, conglomerados neuroimunoendócrinos do nosso organismo. Olhos fechados ou semicerrados mantenha-se relaxado e concentre-se no ritmo da respiração. Quando menos esperar, perceber-se-á pensando em outras coisas, no que tem para fazer, ou o que aconteceu ainda há pouco. É nossa mente, irriquieta e destreinada, distraindo-nos da prática meditativa. Não há problema, volte novamente para a observação da respiração, entrando e saindo, ritmicamente, até que novamente, você se percebe distraído com outra coisa. Reconheça, diga para você mesmo: "pensando", sem julgar o pensamento, sem apegar-se a ele se for algo bom, ou rejeitá-lo se for desagradável. Assuma a posição do "observador", e os pensamentos não se fixarão e irão embora. E quanto mais você praticar o desapego, e assumir a posição de observador, melhorará sua prática diária, aprimorando sua meditação a ampliando seus resultados.

Você aprenderá que pode meditar de olhos abertos, ouvindo música, caminhando e durante todas as atividades cotidianas, já que a meditação não é uma ação, e sim um "estado de espírito", o "estado meditativo", qualidade de estar consciente e alerta. Tudo o que fizer com consciência, será meditação. A questão não é a ação, mas a qualidade que você traz para a ação, como diz em suas obras o mestre indiano Osho.

Então, pronto? Comece hoje sua prática meditativa, viva plenamente, no aqui e agora, e seja mais feliz.
Texto revisado

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Avaliação: 5 | Votos: 34 Atualizado em 26/04/2011

Autor: Roberto Debski   
O Dr. Roberto é médico (CRM SP 58806) especialista em Acupuntura, Homeopatia e tem formação em Medicina Ortomolecular. Também é psicólogo (CRP 06/84803), Coach e Trainer em Programação Neuro-Linguistica com certificação Internacional. Acompanhe nossos próximos eventos! 
E-mail: rodebski@gmail.com
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