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O ANJO BRANCO


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A vidência espiritual só me acontece normalmente em estado de desprendimento. É nestas condições que me avistei e me avisto com parentes falecidos, com amigos e mentores em estâncias da vida invisível. E, também, no episódio do anjo branco, cuja visualização aconteceu de maneira bem próxima ao que exibe a ilustração acima.
Por favor, é importante que se explique o que se quer aqui dizer com o termo anjo. É que, como nunca anteriormente deparara um ser com tamanha qualidade de irradiação, quase indescritível nos termos oferecidos pela pobreza da linguagem disponível nos meios materiais onde por ora estagiamos, não me sobrou analogia mais fidedigna de menção do acontecimento.
Lembro-me de que caminhava pelo corredor de acesso aos cômodos do que me parecia uma moradia qualquer, povoada de pessoas espalhadas por ali, quando, cruzando um quarto com a porta aberta, detive-me, de abrupto, atraída por algo insólito; e recuei,  ante a magnífica visão!
Diante de uma janela dando vista para um dia ensolarado, um ser de semblante praticamente adolescente, do qual mal identificava os traços fisionômicos, sorria-me jovialmente, acenando, como se cumprimentando uma estimada conhecida. E, sem pensar, sorri de volta,  magnetizada pela beleza sobrehumana do que me era dado presenciar!
Como descrever a magnitude do que me era dado contemplar? O ser gracioso como se expelia pura luz branca alvinitente, brilhante, de si próprio, de forma tão ofuscante que chegava a empalidecer os arredores de onde se achava, como uma estrela faiscante que, de súbito, invadisse o aposento, pousando graciosamente no solo. O sorriso, e o que ele me transmitia, até hoje considero como um presente do qual não sei se era digna. E, no entanto, os que lêem podem pensar: o que há de tão especial num simples sorriso?
Era que aquele sorriso não se tratava apenas disso; deste gesto de simpatia que nos habituamos mecanicamente a dirigir a conhecidos e a familiares com quem compactuamos afeto, opiniões e modos de ser e de perceber a vida num determinado momento. O sorriso daquele ser de luz não significava simpatia, pura e simples - mas pureza! Um sorriso que, estou certa, ele dirigiria a qualquer um com quem se deparasse, transmitindo-lhe, através dele, pura e simplesmente, aquele amor infinito e incondicional no qual reside a convicção pacífica de nos tratarmos, todos nós, seres e coisas imersos na Criação, de irmãos na Unidade!
Meu Deus! - Ainda hoje me deleito, ao evocar a imagem da visão indescritível - O que me transmitiu aquele simples gesto e aquele sorriso, e como pude me fazer por merecer tamanha emissão daquele amor, que se trata nada menos do que do mais genuíno?!
"Olá"! - O serzinho de luz branca brilhante, celestial, parecia me dizer mentalmente, sem palavras - "Fique sempre bem e feliz, porque é assim que deve ser! Porque é a sua herança! E se você assim quer, é porque já acontece!"
Ontem, em instante de repouso, e para meu profundo espanto, durante um momento no qual ouvia uma melodia celestial de Bach ao órgão, tive a vívida impressão de contatar de novo, e pelo mesmo modo de desprendimento espiritual, o indizível ser de luz! Parecia-me que era ele quem tocava a música magistral do venerável compositor clássico! Cheguei a distinguir a luz branca irradiando! Os movimentos suaves, graciosos, delicados, em instante no qual, em verdade, elevava meus pensamentos e sentimentos à espiritualidade evocando auxílio a um ente querido que, atualmente, atravessa uma situação difícil.
E para a minha surpresa, e quase incredulidade, depois de todos estes anos, lá estava o mesmo anjo branco, se assim posso designá-lo, na falta de uma analogia verbal mais adequada para definir um ser de elevadíssima estatura espiritual, embora apresentando-se com semblante de uma quase criança, da primeira vez em que o avistei! E ele parecia me repetir, como da outra vez, em meio à execução daquela melodia das mais altas esferas,  em atendimento à minha prece motivada por afeição sincera:
- "Olá! Fique sempre bem e feliz, porque é assim que deve ser! É a sua herança, e a de todos que a acompanham! E se assim quiserem, é porque assim já pode acontecer!"...
E, reconhecida, experimentando emoção difícil de se externar por meios verbais, imaginei se algum dia obterei a graça de conhecer melhor a intimidade daquele anjo, reflexo e expressão prováveis do nosso ser futuro, em época talvez ainda tão longínqua! E imaginei que, neste dia de suprema redenção, haverei de acenar-lhe, tentando retribuir-lhe a qualidade daquele gesto, sorriso e pensamentos sem descrição digna para o nosso ainda limitado estágio de compreensão. E haverei de, ajoelhada,  beijar-lhe as mãos de luz; e de elevar a Deus os meus sentimentos de mais pura gratidão!
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Conteúdo desenvolvido por: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: meridius@superig.com.br | Mais artigos.

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