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O Argueiro e a Trave


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“Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão”. (M 8, 3-5)

Há no homem um mecanismo de defesa onde o sujeito expulsa de si sentimentos, qualidades, desejos e inclinações que não aceita possuir e desta forma passa a identificar nos outros os mesmos elementos que esconde e despreza (em si). Conhecido como projeção, esse termo explica por que encontramos tantos “defeitos” nos outros, por que razão nos sentimos agredidos com o comportamento alheio e gostamos de patrulhar e evidenciar a postura reprovável de alguém. Na verdade, é uma forma de nos convencermos de que somos diferentes, ou não temos a mesma inclinação censurável com a qual nos deparamos no mundo externo, com isso, transferimos nossas fraquezas para o lado de fora, como se estivéssemos nos livrando de uma batata quente.

Todas as vezes que ouvirmos alguém reclamando do marido, dos filhos, do patrão, do sócio, do amigo, enfim, de qualquer um que provoque o seu desagrado, na realidade, ao reclamar, essa pessoa está apenas se confessando, revelando sua natureza mais íntima, mostrando para quem tiver ouvidos aquilo que existe de deficiente nela.
Isso nos leva à seguinte conclusão: quando qualquer ocorrência externa nos provocar desconforto, é sinal de que estamos em ressonância com o problema, portanto, é um indício de que temos os mesmos problemas que denunciamos.
Se uma pessoa identifica a inveja em outra, significa que existe nela a mesma propensão para o uso deste tipo de comportamento, por isso se irrita, na realidade, identifica no lado de fora o que existe em seu interior e não aceita, simplesmente por que vive em constante combate contra esse problema. Agimos assim de forma instintiva, inconsciente, pois o nosso ego trabalha no sentido de manter-se confortável, inerte, livre de aborrecimentos e contrariedades, portanto, com o apoio da mente, expulsa para fora de suas terras os invasores indesejáveis, manda-nos para o mundo que o cerca.

Edmundo Husserl, através de sua fenomenologia, explica que quando nós, sujeitos, nos relacionamos com o objeto, existe toda uma contaminação particular de significados nessa ação, explica, de forma taxativa que na relação com o conhecimento não há fatos, apenas interpretações e apela para a necessidade de olharmos para as coisas de forma objetiva, ou seja, impedir que o mundo sofra com a contaminação emocional e psíquica de nossa visão subjetiva.

Um certo rabi da Galiléia cita o exemplo do argueiro e da trave, queria alertar a humanidade para esse comportamento recorrente nas relações humanas, pois, está cada vez mais claro que transformamos o mundo em um espelho e envolvemos todas as coisas e pessoas com o nosso programa emocional, tudo ficou subjetivo. Uma flor amarela na campina pode representar algo de extrema importância para alguns e apenas uma informação irrelevante para outros. A flor é a mesma, mas provoca em seus observadores, muitas vezes, impressões absolutamente distintas.
Quem dá significado ao objeto é o observador. Por isso, o Mestre Jesus nos disse que deveríamos, primeiro, retirar a “trave” do nosso olho, ou seja, refazer o programa emocional vulnerável que se ofende com os eventos do exterior, para depois, com uma visão mais clara do mundo, livre da contaminação das nossas emoções, avaliarmos de forma isenta, racional e equilibrada, qual seria a melhor forma de ajudar aquele que está com um argueiro no olho.

O Nazareno, em uma das passagens mais lindas e brilhantes do evangelho, após salvar a vida da mulher adúltera, disse aos fariseus: “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo”. (Jo 8:15). Julgar segundo a carne, é julgar segundo o padrão humano, de acordo com os valores instáveis das convenções sociais e mundanas. Um padrão formado por nossas projeções, ou seja, pela projeção da própria humanidade. Percebam que os escribas e fariseus se horrorizaram com os atos pecaminosos da mulher, ficaram tão transtornados que queriam apedrejá-la, como forma de restabelecer a moral abalada. Ofendiam-se, justamente, por trazerem dentro de si a mesma inclinação pecaminosa, ou seja, apenas mais um exemplo daquilo que chamamos de projeção. Tanto é verdade que o Mestre, sabendo disso, pediu que atirasse a primeira pedra aquele que estivesse sem pecado e foi, justamente, nesse momento que eles acordaram. Assim que voltaram os olhos para dentro de si, perceberam o tamanho da “trave” que traziam na alma, soltaram as pedras e partiram.

Na realidade, temos que concordar com a autora Anaïs Nin: “as coisas não são como são! São como somos!”.


Texto revisado

 


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Conteúdo desenvolvido por: Paulo Tavarez   
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