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O caso Isabela e a Lei da Eternidade

por Andrea Pavlo

Publicado dia 29/4/2008 em Espiritualidade

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A comoção é geral. Pessoas se amontoam na frente da delegacia onde pai e madrasta, acusados da morte da famosa e pequena Isabela, prestam seus últimos depoimentos. As frases vão desde “monstros”, “assassinos”, até todo tipo de xingamento de baixo calão. Eu, observadora que sou, vejo uma cena da madrasta descendo a escada e indo para o carro. Ela chora, muito. Ali está um mostro? Ou um ser humano?

A nossa primeira idéia do assassinato de uma criança de uma maneira tão cruel é de revolta. Pensamos imediatamente nas crianças de cinco anos que conhecemos. Nossos filhos, sobrinhos, alunos, pacientes. Passa pela nossa cabeça todo o acontecimento. Um pai maltratando sua filha, batendo talvez, apertando seu pescoço. Ou será que foi a madrasta, com toda a força arquetípica de seu personagem tirado das histórias de contos de fada? A investigação vira nacional. De repente todos são delegados de polícia, peritos e investigadores. Todos têm uma teoria, uma maneira nova de ver as coisas. Todos acham alguma coisa. Todos julgam. Julgam muito.

Tiram o seu juiz interno, aquele que fica adormecido até a primeira bobagem que nós, ou outros, cometemos. No caso do assassinato de uma criança o juiz vira um tirano. Um ser com total poder sobre todas as coisas e sobre todas as pessoas, podendo decidir que eles, o pai e a madrasta, são monstros e não seres humanos. Que o que eles fizeram é um ato de atrocidade e que não tem perdão, nem humano, nem divino.

Agora, vamos analisar as coisas por outro ângulo? Vamos pensar nós, aqui, com as nossas convicções na espiritualidade, na vida eterna e, quem sabe, na reencarnação, que lições uma menina que passa por uma coisa dessas precisava aprender? Será que ela não era um espírito tão perturbado que mesmo aos cinco anos já se achava merecedora de tal punição? E, pensando em outras crenças, será que Deus deixaria uma coisa dessas acontecer a uma criança de graça? E mesmo que ela seja 100% inocente na história, será que cabe a nós, cada um de nós, que já errou tanto com tanta coisa na vida, julgarmos o pai e a madrasta?

Se pensarmos na eternidade da nossa alma, será que nós mesmos já não cometemos nossas atrocidades em vidas passadas ou até mesmo nesta vida? Será que, realmente, estamos aqui inocentes e sem carregar nenhuma culpa na alma? Não sei quanto a você, mas o que eu vi descendo as escadas e entrando no carro para o seu depoimento foi um ser humano. Que errou! Feio! E que com certeza precisará de muitas e muitas lições para limpar o seu carma e retomar seu caminho de crescimento. Uma alma que sofria. Não somente porque sabia que seria punida pela justiça dos homens, mas porque lá dentro, lá no fundo, sabe o quanto se desviou de si mesma. E a alma sabe. Claro que sabe.

E quanto à comoção? Qual é a diferença entre o pai da garotinha e o vândalo que picha os muros da cidade com a palavra assassino? E qual é a diferença entre este pai e você, uma alma que, com certeza já cometeu muitos e muitos erros?

Não estou defendendo a violência, principalmente contra a criança ou contra seja lá quem for. E é muito fácil - vocês devem estar pensando - eu dizer isso porque Isabela não era minha filha ou sobrinha. Com certeza! Também acho! Mas neste momento vou escolher não julgar ninguém. Por nada. E acredito que essa comoção toda só nos mostre como as pessoas se viram no papel do pai e da madrasta de Isabela, naqueles momentos de raiva em que querem, literalmente, jogar os filhos pela janela. Naquelas palmadas “inocentes”, naqueles xingamentos, naquelas violências do dia-a-dia que podem marcar, para sempre, a vida de uma criança. A comoção se dá pelo medo. Medo que as pessoas têm de verem dentro de si o mesmo mostro, o mesmo assassino que está hoje estampado na capa de todos os jornais deste país. Medo de perceber que todos, absolutamente todos, somos anjos e demônios. Temos um lado bom e um lado ruim, que não são opostos e sim complementares. Que todos temos uma vítima e um algoz dentro de nós. Que todos temos um juiz e um réu. E que trocamos esses papéis conosco mesmos o tempo todo.

Os assassinos, se assim for provado, serão punidos pela justiça dos homens. Uma justiça que pune, assim como nós punimos nossos filhos que não obedecem. Pagarão a sua pena e, esperamos todos, aprenderão a lição. Mas a lei da eternidade não é essa. Não é punitiva. A lei educa, verdadeiramente, mesmo que seja com lições de dor como a lição por que está passando toda essa família. Não é à toa que cada um dos parentes de Isabela são seus parentes. Não é à toa que a menina tenha nascido e se criado, até seus cinco anos, nesta família. E esta era a hora dela ir embora. Pela mão dos homens ou pela mão de Deus. Nada, absolutamente nada é por acaso. E a chamada injustiça, simplesmente não existe, quando entendemos a Lei da Eternidade.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Andrea Pavlo   
Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.
E-mail: [email protected]
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