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O Jogo da Vida


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No jogo da vida, somos todos atores e atuamos como se nunca fôssemos morrer e a representação nunca fosse acabar. Mas um dia, inexoravelmente, mesmo para os ídolos, eis que caem os dentes, as mãos ficam trêmulas, o raciocínio falha e os olhos já não enxergam mais. Andar é sacrifício imenso. Subir escadas, nem pensar. É necessário ajuda para tudo. Para comer, para beber e para se limpar. Autoestima e dignidade pouco significam. Noites sem dormir e amanhãs sem futuro. Resta apenas lembrar o passado enquanto os poucos instantes de lucidez ainda o permitirem. Resta aos protagonistas da vida chorar de saudade pelo que foram e esconder-se pelo que são. Para se consolarem, vão achar que valeu a pena pelos amores vividos e pelos filhos e netos crescidos. Pelas memórias de quão divertido foi o palco da vida. Voltarão talvez a ser notícia quando de sua partida. Partida para um eterno retorno a passados não resolvidos, onde continuarão a nascer chorando, a sobreviver se queixando e a morrer gemendo.

No jogo da vida, os homens quando não mais capazes de executar aquelas tantas coisas insignificantes que os faziam pensar serem livres e felizes, ficam perdidos, sem perspectiva, sem saber mais nada. Isso, até que se realize o desapego necessário para a expansão da consciência e a libertação da alma; até que seja aprendida a lição de que bens terrenos têm valor na medida em que auxiliam a conhecer os valores eternos; e até que consigam vislumbrar que neste mundo as aparentes realidades são tão variadas quanto os referenciais nos quais alguém é capaz de se situar e adaptar.

Referenciais que servem somente para atribuir importância a coisas que nenhuma importância, nenhum sentido e nenhum valor têm, a não ser o de impedir a percepção da realidade. Referenciais que, ao longo da vida, precisam ser adaptáveis para o ajuste da normalidade de acordo com o passar dos anos. Mudando o referencial de observação, o que parecia real pode se desfazer em um instante. O homem sente-se seguro e feliz dentro de sua infelicidade enquanto tiver um referencial. Enquanto puder se localizar por meio de algumas coordenadas. Na falta disso, o homem começa a perder a razão e a sentir medo. Medo que precisa ser superado por quem quiser encontrar uma liberdade isenta de referenciais.

Em geral, no jogo da vida, é nas horas da doença, do sofrimento e da morte que o indivíduo se dá conta de que tudo no mundo não vale quase nada. Se nessas horas, o homem for capaz de se conscientizar e compreender, então, poderá perceber que o nascer em si pode não ser um bem, a menos que o encarnado retorne com o firme propósito de se redimir e de ajudar outros em um despertar livre dos véus que embaçam a razão.

Porém, enquanto a Luz não dirimir as sombras, no palco da vida, continuaremos correndo atrás de objetivos que, quando alcançados, terão de ser substituídos por outros para mantermos a sensação de estar fazendo algo que vale a pena e que glorifica o viver, dando-lhe sentido. Isso até surgir a percepção de que não há absolutamente nada importante a ser conquistado. Tudo não passa de um jogo. Um jogo no qual as crenças e os referenciais nada mais são do que ferramentas para tornar miragem o que se encontra nos limites da terceira dimensão.

Imagine um caleidoscópio. Várias imagens que mudam aparentemente infinitas vezes. Mas sempre causadas pelas combinações dos mesmos poucos papeis coloridos. E as possibilidades dessas variações são iguais ao número de papeis elevado a si mesmo. Daí, o que participa num instante de um universo visual, logo estará participando de outro e mais outro e mais outro. Alguns melhores ou piores? Não! Na essência todos iguais. Até sempre! É tão somente a ilusão que nos faz achar que vivemos vidas diferentes e variadas. Na essência, somos sempre os mesmos com diferentes interações. Até a hora em que alguém, percebendo isso, se apavora e busca uma via de saída desse labirinto. Labirinto onde podemos sempre fazer o “check-in”, mas dificilmente o “check-out”, presas que somos da Besta tão difícil de matar!

Mas, para quem tem fé, a esperança nunca morre. Então, quem realmente quiser e tiver a força interior, poderá um dia reconquistar a liberdade que teve antes de mergulhar na dimensão da matéria e ficar preso no jogo da vida onde, disfarçado, o caos se encontra atrás de tudo que parece estar em ordem.


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Conteúdo desenvolvido por: Renato Mayol   
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