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O Oceano



As coisas funcionam em cadeia. A meditação nos leva ao autoconhecimento e este nos leva a uma profunda paz de espírito. Certa vez, após meditar, escrevi este texto, e esta foi a sensação mais próxima que pude ter do que é plenitude, do que é SER. Antes, durante e depois.

"Um dia você dorme e sonha com o Oceano, vasto, enorme, indecifrável. E sem saber por que acorda e sabe que ele existe, que está em algum lugar. E começa o seu processo de busca por ele. Procura-o nas colinas, nos vales, nos vulcões, nas montanhas, nas depressões. Procura cansativamente, desesperadamente, até que um dia se cansa e pára de procurar.

Numa bela noite de lua você dorme e sonha novamente com o Oceano, um lugar imenso, repleto de mistérios e verdades, cheio de profundezas e certezas. E novamente desperta. E pesquisa nos desertos, nos furacões, nas ventanias. Nada encontra! A única certeza é a existência do Oceano. Que está lá, impávido e colossal.

Onde mais procurar? Nos rios, nos lagos, no orvalho, no sereno, nos córregos, nas cachoeiras? Na manhã, na noite? Sabe que já investigou em todos os cantos da Terra, em cada fenômeno da natureza, em qualquer momento da sua vida. Sua busca foi incansável, mas, por fim, você desiste. Ele está em algum lugar, contudo, por algum motivo não consegue enxergá-lo. Você se entrega à sorte e vai em busca de qualquer outra coisa. Pega um barco e sai remando pela correnteza do rio e, de repente, quando menos espera, lá está você desagüando nEle.

O Oceano abundante e indecifrável está à sua frente. Ele é enorme. É. Não há como descrevê-lo em palavras. Sua sede dele é tão grande que você faz uma concha com as mãos para retê-lo e sorvê-lo um pouco. Você engasga, apesar da sede, apesar da água, o Oceano não é para ser bebido. O Oceano não vai matar sua sede, ele não foi feito para isso. Então você tenta pegá-lo, para guardá-lo, mas ele escorre por entre seus dedos. O Oceano não foi feito para ser guardado. Para que serve o Oceano, então? Por que sonhou tanto com ele?

Você rema até a costa e puxa o barco para a areia. Se acomoda à beira-mar e fica contemplando-o. E os dias começam a passar e você permanece examinando-o. Nota que ele diminui ou aumenta de acordo com a Lua, que fica mais agitado ou mais calmo, que se movimenta, mas não vai a lugar algum, que interage com a areia, com os pássaros, musgos, estrelas do mar. Que às vezes está violento e às vezes, calmo. Que não se incomoda com a chuva nem com o sol. Que muda de cor, de cheiro, que as ondas às vezes caem grossas, que às vezes ele faz redemoinhos. E todo esse tempo você fica lá, observando-o.

Então, você se aventura e molha os pés. Uma sensação gostosa percorre o seu corpo e logo você mergulha inteiro e quase se afoga, pois vem uma onda forte que o embrulha e o joga na areia. Você descobre que é melhor não mergulhar em dias de ondas, de mar agitado e espera uma nova oportunidade. Senta-se e espera até ele ficar mais calmo e mergulha novamente. E mais uma vez, quase morre afogado. O Oceano faz redemoinhos que o puxam para dentro dele e você não sabe como está sendo sugado feito uma centrífuga; você luta desesperadamente, mas o Oceano é muito maior, muito mais forte e você afinal desiste; então ele o cospe para fora. E lá está você novamente observando-o da areia.

Você vê que enormes ondas se formam ao longo da praia e que algumas pessoas mergulham mesmo assim. Você percebe que o Oceano não as cospe nem as engole. Elas reaparecem lá na frente, felizes e brincalhonas. Você passa a observá-las mais de perto e percebe que elas mergulham profundamente dentro do mar um pouco antes da onda quebrar e vão se afastando delas até um lugar seguro. Ficam lá brincando com o Oceano e depois voltam da mesma forma.

Então é isso o que você tem a fazer: transpor a barreira e ficar lá no fundo. É para isso que serve o Oceano. E você entra nele novamente, espera a onda chegar, mergulha profundamente e sai lá embaixo, onde ele jaz tranqüilo. O Oceano é lindo, é gostoso, você descobre que pode mergulhar, que pode deitar em seu colo. É uma delícia estar ali, estar ao sabor do vento, do sol ou da chuva. Nada modifica sua relação com o Oceano. Vocês se entendem, vocês se conhecem, vocês se respeitam, mas é só isso. Você fica entediado por causa da calmaria, da falta de novidades. Já explorou tudo o que o Oceano tem a oferecer. Já mergulhou no mais profundo, descobriu suas cavernas, sua escuridão, seu frio, sua fauna, tudo. Não tem mais mistérios para você, no entanto, ele ainda é um mistério. Como você não consegue entender o mistério, volta para a areia para pensar.

E todo o dia você faz a mesma coisa: transpõe as barreiras do oceano e fica mergulhando de um lado para o outro em busca de alguma coisa que você não sabe o que é. Até que passa alguém por você, sorrindo, um sorriso enorme de satisfação completa. E ele está no Oceano também, só que ele está boiando! Ele bóia e sorri. Ele e o Oceano parecem uma coisa só. Você pensa e diz que também pode fazer aquilo e tenta boiar. E quanto mais você pensa, mais se debate, mais afunda e menos consegue boiar. Boiar é um mistério para você. E por isso, você volta para a praia.

Agora você observa as pessoas que bóiam. E são tão poucas. Mas todas as pessoas que bóiam estão felizes, despreocupadas. Há algo em comum entre as pessoas que bóiam que não há com todo o resto. Essas pessoas estão tranqüilas, não estão se debatendo, não estão fazendo esforço algum, estão apenas deitadas lá, no colo do Oceano.

E você descobre que é isso o que tem que fazer, ou não fazer. Esforço algum... e de repente você está lá, boiando, no meio do Oceano. Você descobre que também está feliz, que não importa para onde leva a correnteza, você simplesmente bóia, se entrega ao Oceano, e só ele e você sabem onde podem parar. O que interessa é que você entendeu o mistério. Que vocês podem ser uma coisa só, desde que um não ofereça resistência ao outro. E o Oceano não vai se opor a você. Ele não sabe como. Só você sabe como se opor ao Oceano. Mas agora vocês são um só, comungam da mesma tranqüilidade, da mesma calma, da mesma sensação de estar. Para que importa onde o vento leva? Vocês não estão indo a lugar algum, não precisam ir. Vocês apenas são o que são. E é tudo o que você precisa saber para manter esse sentimento de plenitude, paz e infinito!"


Heloisa Aragão
Instrutora de Meditação Ráshuah
Psicoterapeuta Ráshuah
www.rashuah.com.br
(21) 2484-1571

Texto revisado por Cris
Publicado dia 27/11/2007
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Autor: Heloisa Aragão    
Heloisa Aragão é jornalista, ministra cursos de Meditação Ráshuah, dá palestras sobre Frequencias Cerebrais, Os perigos da ilusão, Dramas de Controle, entre outros. Aplica Testes Vocacionais Ráshuah, maiores informações pelo telefone (21) 2484-1571 ou pelo site www.rashuah.com.br
E-mail: aragaoheloisa@yahoo.com.br | Mais artigos.

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