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O Poder Feminino de Deus


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Nunca foram do meu gosto os discursos religiosos que concebem a Divindade em padrões antropomórficos. Ou seja, angustia-me ver a Suprema Realidade, impossível de ser abarcada pela compreensão humana, sendo explicada através de adjetivos e imagens simplistas, simplórias até. Contudo, às vezes, não há nenhum outro jeito de comunicar a não ser se valendo dos signos de cada linguagem. E por rica e sofisticada que sejam, não oferece nenhum conceito que não sejam os advindos da experiência de cada cultura.
Após mais de 40 anos estudando, experimentando e praticando os grandes caminhos espirituais do planeta, quase não me preocupo em tentar falar ou explicar Deus. Este é um conceito tão transcendente que o melhor que fazemos, diante dele, é nos aquietar em respeitoso e emocionado silêncio. Mas não se pode negar a monumental beleza poética, artística e filosófica das tentativas de explicação dessa presença maravilhosa e tremenda, elaboradas ao longo da História. E ao analisarmos esses discursos, saltam, diante dos nossos olhos e ouvidos, a força e a constância do aspecto feminino das divindades.E, não são apenas os aspectos da suavidade, a ternura e a beleza os caracteres divinos em sua feminilidade. A capacidade de criação, o poder de defesa e a força de agir e comandar que caracterizam o Ser Absoluto são todos atributos femininos. A energia cósmica em sua forma dinâmica, a força e o poder pelos quais o Universo é criado, preservado, transformado e recriado pelo Supremo e Absoluto acima de todas as coisas. Senão, vejamos. Se começarmos pela tradição judaica na Torá, todas as manifestações poderosas da glória de Javé é denominada a Shekinah, um substantivo próprio feminino. É ela quem abre o Mar Vermelho, quem habita na Arca da Aliança - fonte de todo poder e santidade do povo hebreu – e é ela quem entrega nas mãos de Israel os outros povos na guerra.
No cristianismo, apesar do patriarcalismo exagerado dos primeiros líderes, contrário às atitudes libertárias de Jesus de Nazaré, a divindade feminina veio sob a forma de Maria de Nazaré, a Mãe de Cristo. A Theotókos (Mãe de Deus) do catolicismo grego. Tão forte é a figura da Virgem Maria que, para alguns, a Compadecida é superiora ao seu Filho. Há grandes teólogos e santos que a consideram o canal da salvação divina que veio através de seu útero, a mãe da divina graça. Verdade ou não, os Evangelhos atestam. Ao chegar à plenitude dos tempos, quando Deus Pai deveria interferir nos destinos da humanidade, enviou seu mensageiro para pedir a permissão a uma simples jovem da obscura cidadezinha de Nazaré da Galileia. Sem o sim de Maria, não haveria Jesus.
Na tradição hindu-vedantina, é Shakiti, parceira dos membros do Trimurti, a Santíssima Trindade indiana, quem possui o poder e a força, além de toda a beleza, sabedoria e riqueza de bens. Shakti é a Energia Sábia, inteligente. O Poder de Manifestação e Transcendência e fonte da capacidade de iluminação, ou seja, é por ela que se chega à vida eterna. Se a trindade são três, há, também, três Shakiti. Bramam tem em Saravasti a fonte de seu poder criador. Vishnu conta com Lakshimi para exercer sua força de conservação do mundo. E Shiva, o que destrói e reconstrói o Universo, o faz pela força e poder da sua Parvati. As culturas do Extremo Oriente, Tibete, China, Coreia, Japão e de toda a Indochina (Vietnã, Camboja, Tailândia, Bali etc), também explicam o poder da divindade pelo aspecto feminino do Ser Supremo. Kuan Yin Lin, Quan Ham, Kanon ou Kanin é o canal pelo qual os Céus (a suprema divindade) derrama suas graças sobre a Terra. Como, além de estar colocado acima, e inacessível aos humanos, os Céus só são atingidos pela deusa, ela recebe esse nome que significa “aquela que ouve o grito de angústia dos humanos”. Há registros referentes a esta entidade de antes de 2.500 antes da era cristã.Até o budismo, uma filosofia de vida considerada ”uma religião sem deus”, pois seu fundador, Sidarta Gautama, o Buda, jamais quis perder tempo em discussões teológicas inúteis, cultua o feminino divino. Na Índia, Avalokitiesvara é a forma feminina do Buda e é a quem se recorre em busca de misericórdia e compaixão. No Tibete, é Cherenzing ou Tara, a mãe de todos os Budas, a entidade mais próxima dos humanos. Na China e Indochina, é a mesma Kuan Yin que os budistas também veneram já como um ser iluminado, assim como o Buda.
No Japão, ela é a mesma Kannon dos shintoístas. A DEUSA NASCEU QUANDO SURGIU A CONSCIÊNCIA HUMANA. Contudo, a figura da Mãe Suprema, do Útero Primordial de onde teria vindo todo o Universo é anterior, muito anterior, às grandes tradições filosóficas e religiosas que hoje existem em todo o planeta. Os mais antigos registros de culto às divindades se referem, sempre, a uma entidade feminina, quando não andrógina. Só com os judeus, depois da construção do Templo, pelo rei Salomão, por volta do ano 950 antes de Cristo, a imagem do deus pai passou a ser a dominante. Mesmo assim, sempre agindo em forma da Shekinah. As mais antigas culturas que hoje podem ser estudadas se referiam ao princípio do coração materno, ou ventre materno, que detém nele todo o poder da criação. Este coração materno, "uma energia capaz de tornar sólido o líquido primordial,” de dar forma ao cosmo, separar, organizar e definir os elementos que compõem o mundo.
Para os gregos, essa energia divina era a Diacousmos, ou seja a determinação da deusa em criar o mundo. Para os egípcios mais antigos, Ísis é essa figura ancestral. Ela é quem teria dado à luz aos deuses que cuidavam, cada um, de algum aspecto da vida na Terra. Osíris, seu filho, deus dos cereais, foi quem ensinou aos humanos as técnicas agrícolas, permitindo que abandonassem a vida nômade e construíssem cidades, organizassem governos e ampliassem o conhecimento.
Além de ter ser sido adorada no Egito Antigo, também foi cultuada no Império Romano que a conheceu através dos gregos. Contudo, ao dominarem as terras dos bárbaros do Norte, os romanos descobriram que lá, onde hoje é a Alemanha, já se adorava a mesma deusa suprema venerada em Roma. Não houve necessidade de proselitismo religioso, nem de catequização dos povos conquistados.Assim, nesta Semana da Mulher, é bom refletirmos a respeito da importância do feminino e também - quem sabe? – sobre seu papel na evolução do ser humano. Afinal, mais que companheira, irmã e mãe, a mulher é a parte do humano onde reside o princípio vital por excelência. Há, inclusive uma antiga história nórdica que conta que no início do mundo havia só homens. E como a humanidade estava acabando, pois não nascia mais nenhum, o Odin, com medo de ver sua obra perecer, pegou um homem e após muito trabalho o aperfeiçoou, fazendo dele uma mulher. E o feminino teria salvado a Terra.Uma boa maneira de comemorar!

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Conteúdo desenvolvido por: Ton Alves   
Ton Alves é coordenador do Projeto CASULO DE LUZ de incentivo à prática da MEDITAÇÃO HOLOMÍSTICA TRANSRELIGIOSA (MHT), baseada no exercício do silêncio interior, na contínua atenção ao instante presente e no amplo cuidado com as várias dimensões da realidade.
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