O que são essas tais outras dimensões?
Autor Alexei Bueno
Assunto EspiritualidadeAtualizado em 8/15/2026 8:04:14 AM

Dentro dos estudos espiritualistas, é comum encontrarmos referências às chamadas "outras dimensões", muitas vezes utilizadas como sinônimo de planos espirituais. No entanto, é importante observar que diversos termos empregados no espiritualismo, como "frequência", "ressonância" e "dimensão", foram originalmente utilizados nas ciências físicas e, quando transportados para contextos metafísicos, podem adquirir significados diferentes, o que eventualmente gera confusão. Na Física, o conceito de dimensão possui um sentido de coordenadas utilizadas para descrever uma posição. De maneira simplificada, podemos imaginar a primeira dimensão como o comprimento, representado por uma linha; ao acrescentarmos uma segunda direção, obtemos a largura, formando uma superfície; e, com uma terceira direção, a altura ou profundidade, chegamos ao espaço tridimensional no qual percebemos o mundo ao nosso redor.
O astrônomo Carl Sagan popularizou um interessante experimento mental para demonstrar como seres limitados a duas dimensões poderiam interpretar a interferência de um ser tridimensional em seu mundo. Imaginemos uma criatura vivendo exclusivamente sobre uma superfície plana, incapaz de perceber a existência de uma terceira dimensão. Se nós, seres tridimensionais, retirássemos essa criatura de seu plano, elevando-a por alguns instantes, e depois a colocássemos novamente em outro ponto da superfície, para os demais habitantes daquele mundo ela simplesmente teria desaparecido de um lugar e reaparecido em outro, aparentemente do nada como o "teletransporte" da série de ficção científica Jornada nas Estrelas (Star Trek). Os habitantes deste experimento não conseguiriam perceber o percurso realizado fora do plano porque lhes faltaria justamente a capacidade de compreender a terceira dimensão. Aquilo que para nós seria apenas um deslocamento espacial relativamente simples poderia, para eles, parecer um fenômeno extraordinário como certos fenômenos descritos na Parapsicologia, a exemplo do teleporte.
Essa analogia é particularmente interessante porque permite levantar a questão: se existissem dimensões espaciais superiores às três que percebemos, como interpretaríamos a ação de algo capaz de se deslocar por elas? Isto não significa que tais seres ou fenômenos existam, mas ajuda a compreender por que uma realidade dimensional superior poderia produzir efeitos aparentemente milagrosos ou paranormais para um observador limitado a dimensões inferiores.
Einstein demonstrou que existe também uma quarta dimensão: o tempo. Isso não significa, porém, que seja um lugar onde poderiam existir seres extrafísicos. Para compreendermos essa ideia por meio de uma analogia simples, imaginemos que desejamos marcar um encontro com alguém. Precisamos informar onde e quando ele acontecerá: duas coordenadas poderiam indicar o cruzamento de duas ruas, uma terceira especificaria o andar de um edifício e, finalmente, a quarta indicaria o horário do encontro. Nesta analogia utilizamos das quatro dimensões conhecidas.
Além destas dimensões outras existem na ficção científica e em algumas teorias da Física trabalhadas matematicamente. Nesses modelos, porém, elas estão relacionadas a questões como a gravidade e estão relacionadas com a teoria das cordas - e não como lugares habitados por espíritos.
Já na tradição teosófica iniciada por Helena Blavatsky e posteriormente desenvolvida por autores como C. W. Leadbeater, encontramos uma concepção bastante diferente: os chamados planos de existência (ou dimensões) não seriam simplesmente novas coordenadas espaciais, mas estariam associados a diferentes graus ou estados de manifestação da matéria e da consciência. Naturalmente, essa interpretação pertence ao campo metafísico e não possui comprovação científica. Ainda assim, a ausência atual de evidências não deve ser confundida nem com comprovação nem com impossibilidade: a própria história da ciência mostra que fenômenos como as ondas de rádio, os raios X e a radioatividade existiam antes que dispuséssemos de meios para detectá-los e compreendê-los. Da mesma forma, a matéria escura é atualmente detectada por seus efeitos gravitacionais, embora sua natureza permaneça desconhecida.
Isto posto, o plano físico, o plano astral, o plano mental e outros níveis de existência, nos quais atuaríamos por meio de diferentes corpos ou veículos da consciência - físico, astral e mental (ou espiritual) - poderiam ser compreendidos, por analogia, como diferentes "dimensões". No entanto, não se trataria de dimensões espaciais no sentido utilizado pela Física, mas de diferentes graus de densidade ou sutileza da matéria. Segundo este raciocínio, à medida que passamos de estados mais densos para estados progressivamente mais sutis, chegaríamos a formas de matéria ou substância não físicas, também chamadas de extrafísicas, que constituiriam aquilo que diversas doutrinas espiritualistas denominam planos espirituais.
Portanto, os planos espirituais não estariam "acima" ou "abaixo" de nós, como se ocupassem regiões distantes do espaço, mas coexistem conosco aqui e agora, diferenciando-se por condições ou níveis de manifestação que não seriam percebidos pelos sentidos físicos ordinários. Esses planos também não são atualmente detectados de maneira reconhecida pelos instrumentos científicos. Existem, contudo, linhas de investigação como a Transcomunicação Instrumental (TCI), que interpretam determinados registros eletrônicos como possíveis indícios ou hipótese de comunicação com uma realidade extrafísica.
Meu sonho é que, algum dia, possamos desenvolver uma tecnologia semelhante a uma "televisão interdimensional", capaz de permitir uma interação audiovisual com aquilo que hoje denominamos planos ou dimensões extrafísicas. Se um dia isso se tornar possível e puder ser demonstrado de maneira objetiva e reproduzível, aquilo que atualmente pertence ao campo da metafísica passaria também a integrar nossa realidade cotidiana e então deixaríamos de depender exclusivamente de pessoas que possuam uma sensibilidade especial, como os médiuns ou clarividentes, tornando-se uma experiência comum de observação e investigação por todos nós.
Alexei Bueno
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