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O SALTO CONSCIENCIAL

O SALTO CONSCIENCIAL

por Christina Nunes

Quem assistiu Avatar deve lembrar de um dos momentos mais significativos deste marco do cinema. Quando Jake Sully,  após algum tempo convivendo com o povo Navi através de seu avatar e gravando mais um vídeo log, experimenta franco conflito de identidade.

Preocupado, diz para si mesmo: Não sei mais quem eu sou. Parece que a realidade é apenas lá, e mal consigo me recordar da vida que levava antes!

Pois é mesmo o que acontece. Com todos nós. Ou ao menos com muitos de nós que em franca rota de retorno à dimensão consciencial mais autêntica e paralela ao estágio físico-material, começam também a experimentar o mesmo tipo de angústia.

Já possui valores e códigos de conduta que só se compatibilizam com a Ética Cósmica mais avançada. Enxergam, portanto, tudo a partir de um prisma perceptivo que ainda não encontra correspondente constante e fidedigno onde estagia na materialidade - quiçá, apenas flashes, dado o elevado grau de heterogeneidade das massas reencarnadas sobre o solo terreno. E isto os angustia. Como sobreviver com a persistente e sufocante sensação de se "nadar contra a maré"? Ou, por outra, de vez em quando vitimizado pela inevitável agonia do "peixe fora dágua"?

Quando ainda na Terra, em Avatar, Jake Sully vive um momento assim. Ansiava por algo ainda não bem definido; queria lutar, sim, mas por uma causa que valesse a pena. E só se estrepava. Recruta mal reconhecido a partir da fatalidade de sua paralisia nas pernas, em dado momento, quando em um bar, testemunha uma cena de violência contra uma mulher. Não pensa duas vezes; mesmo em sua cadeira de rodas se aproxima, decidido, e, ao menos, tenta dar uma lição no valentão de maus bofes.

Dá a lição, mas, em desvantagem física flagrante, toma uma sova. E, dado o perfil de espelunca do local onde se achava, ainda acaba mal interpretado. O dono do bar o coloca pra fora, jogando-o na lama da rua do lado de fora em plena noite chuvosa; em seguida a sua cadeira. E lá Jake fica, estatelado no solo molhado do beco de aspecto sórdido, totalmente impotente, contemplando, com expressão perdida, as luzes do trânsito intenso dos veículos voadores daquela Terra de alguns séculos à frente, cruzando velozes sobre a sua cabeça.

Não se assemelha, a cena, ao fim da linha? À ameaça de final de todos aqueles nossos melhores sonhos,  naqueles episódios limítrofes que, de uma forma ou de outra, muitos de nós já vivemos?!

Quantas vezes, no decorrer dos anos, e já devidamente empenhados no estudo e na dilapidação de um código de conduta para nós mesmos pelos padrões de uma Terra regenerada, conforme confiamos e nos fora informado por mentores encarnados e desencarnados, por profetas e por seres de alto padrão evolutivo que por aqui passaram e eventualmente conosco conviveram - nem que através de leituras, de palestras, ou da simples verdade que identificamos nas suas mensagens de elevado diapasão evolutivo - não sentimos derribar quase todas as nossas esperanças, ou a nossa autoconfiança nestas coisas que já reconhecemos como a realidade maior de tudo, quando atravessamos vivências que nos empurram para a insegurança própria de quem tenta falar grego, por assim dizer, em meio a quem deste idioma não entende coisa nenhuma?!

Em quantas oportunidades vimos as nossas melhores intenções serem enxovalhadas ou pessimamente interpretadas? Refletimos, desalentados, se é mesmo viável a existência daquele tal mundo onde a sintonia haverá de situar a cada um segundo suas obras, conforme já nos foi há tanto tempo pontificado. Quantas ocasiões em que simplesmente, entre as agruras diárias e as asperezas de conduta do mundo, que assim e em tantas vezes nos respondem às iniciativas de uma coexistência na base do respeito das diferenças, da harmonia e da concórdia, tais embates perturbadores nos vieram frustar os melhores sonhos de contribuição para um mundo melhor?

Todavia, há que ser assim mesmo a transição, amigos! Pelo menos para os padrões próprios da dimensão material onde por enquanto vivemos,  com tudo nos comparecendo aparentemente lento, moroso, vibrando dentro de um diapação pesado de expressão do ser!

Em Avatar, ao final de tudo, quando Jake faz sua escolha consciencial definitiva e finalmente parte para a feta de seu re-aniversário - por assim dizer - era que, naquelas circunstâncias, vivenciara lúcidamente seu foco consciencial em duas expressões de vida distintas, alternadas em dois corpos: o seu, da vida na Terra moribunda, do Jake Sully paralítico, limitado fisicamente tanto quanto tolhido nos seus melhores ideais pelas diretrizes violentas e rudes de uma civilização decaída, e prestes a dar trágico arremate ao seu mundo agonizante; e o do avatar, para onde transferira seu foco de consciência voluntariamente - como numa reencarnação lúcida! Um navi criado em laboratório, no mundo Pandora, a cujo povo acaba se afeiçoando irremediavalmente em reconhecendo neles,  em autêntico paradoxo, a elevação de conceitos na veneração à Vida manifesta em todo ser e coisa criada - princípio cósmico da Ética Universal que não mais reconhecia nos humanos, tido como mais avançados (o Povo do Céu, segundo os Omaticaya). Mas latente e vívido no modus vivendi dos seres daquele planeta estranho ao qual fora chamado a interagir, a princípio por razões espúrias que só serviriam à campanha predatória empreendida pela raça da qual era representante.

Só que, intimamente, não mais se compatibilizava com aquelo código vital decaído e gerador de destruição em qualquer local para onde fossem os seus sanguinários defensores. E, no fim, ele faz a sua escolha: pelo patamar existencial mais avançado, próprio daquele povo do qual gradativamente quis integrar seus componentes. Por afinidade pura e simples.

Não importava o que ele fora ou a qual povo planetário pertencera antes. Jake fora íntegro na sua decisão. Ascendara ao padrão existencial dos Onmaticaya, mais compatível com seus próprios princípios pacíficos de respeito e veneração à Vida. E é esta a exata escolha que cada um de nós, neste momento importante de transição planetária, realiza dia a dia. E que nos levará à estadia naquele lugar do Universo que haveremos de identificar como o nosso verdadeiro lar! 
 

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Avaliação: 5 | Votos: 6 Atualizado em 06/05/2011

Autor: Christina Nunes   
Médium psicógrafa das obras de autoria do espírito Caio Fábio Quinto: O Pretoriano (Mundo Maior Editora); Sob o Poder da Águia; Elysium; Entre Jesus e a Espada, Amparadores do Invisível e Pacto de Amor Eterno (Lúmen Editorial). Ufóloga e oradora espírita. 
E-mail: meridius@superig.com.br
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