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O sofrimento é necessário?


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"No mundo tereis aflições mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo". Jesus.

Onde situar a nascente das aflições? O que Jesus entendia por "mundo" e em que sentido Ele o venceu? Qual a relação entre "tereis aflições" e "Eu venci o mundo"?

Quando Jesus declara que "no mundo tereis aflições" está falando o óbvio. Exibe uma radiografia que, em contraste com a Luz, expõe as densas sombras que apontam para as somatizações das descompensações psíquicas e mentais do mundo chamado civilizado. Não há nenhum grande insight em suas palavras: é assim que é. Ou não é?

A declaração "no mundo tereis aflições" pode ser parafraseada para atender as mais variadas situações. Por exemplo: Na copa de 2014, tereis obras superfaturadas. Na segunda feira, tereis preguiça. Em 2012, tereis o fim do mundo, para muita gente.

Quando Jesus diz "Eu vim para que tenham Vida e a tenham em abundância" também não está dizendo nada de inovador, pois a Vida é um "experimento" que se realiza na abundância. Na abundância, há prazer, felicidade e alegria; na escassez, multiplicam-se os questionamentos e os sentimentos de inadequação. Ser plena é aspiração básica da Vida; na espécie humana não é diferente.

É da natureza da Vida fugir do sofrimento. Assim como uma planta busca desde o germinar a luz e o calor do Sol, de igual forma a vida move-se  para a direção do pleno prazer.

A Terra é um grande guarda-roupa onde a Vida experimenta os mais variados modelitos. Misteriosa e arbitrariamente, desfila vestida de infinitas formas, cores, sabores, aromas e texturas, possuindo um só propósito: A abundância!
Na espécie humana, creio que foi no Mestre Jesus em quem a Vida se expressou com mais liberdade. Nele a Vida desfilou de "roupas leves", nenhuma "bagagem" e total desapego. Expurgada de necessidades, posses, couraças, complexos, bloqueios ou sombras, experienciou plenitude, completude, abundância. Um dos ingredientes básicos de Sua abundante Vida estava em nada possuir senão a si mesmo, em ser possuído pelo seu próprio Ser.

Justifica sua encarnação declarando:"eu vim para que tenham Vida e a tenham em abundância". Não veio para ser um "estraga prazer" veio para mostrar o caminho do prazer pleno. Quem se especializou em estragar prazer foi a "cultura" religiosa judaico-cristã que da Essência Crística quase nada possui. 

O propósito do Mestre é o de todas as "encarnações", expressões da Vida ou "materializações" quer no reino animal, vegetal ou mineral. À semelhança do Universo, a Vida se realiza na expansão. A "contração" - consequência de ameaças reais ou imaginárias - é sempre fruto do medo de sofrer. No entanto, a própria contração que objetiva "proteger" do desprazer é em si uma limitação, uma perda, um sofrimento.

De onde vêm as aflições, dificuldades, angústias, estresses, desilusões, frustrações, dor, sofrimento e misérias que acometem tantos indivíduos? Antes de tudo é preciso admitir que a maior dificuldade de entender o sofrimento reside na teimosa e infrutífera tentativa de identificá-lo fora de nós.

No "universo" religioso o bem está atrelado a Deus, resta ao mal jogar no outro time, no time do Diabo. Entretanto, para além do dualismo filosófico e religioso permanece a crença que o sofrimento possui sua origem fora de nós, no "outro". Afinal, lembrando Jean-Paul Sartre "o inferno são os outros".

Tão importante quanto identificar a nascente do sofrimento é compreender que ele não é natural nem necessário. Dereiva de crenças estabelecidas e escolhas feitas tanto em nível pessoal como coletivo. E as principais causas que levam alguém a manter uma escolha geradora de desprazer é a ignorância, o orgulho, o medo, a indecisão e o comodismo.

O "mundo" tem sua nascente em crenças, formas-pensamento, sentimentos e valores que resultaram em "um mar de sofrimento". O sofrimento é uma construção humana, não tem a ver com Deus ou com o Diabo. Não é prova da inexistência divina e sim da falta de expansão da consciência e evolução espiritual. É um atestado de infantilidade humana que teima em "brincar" no berçário cercado de "proteções" egóticas.

Uma das mais tangíveis conseqüências desta infantilidade existencial é a forma como temos transformado a Terra em um imenso lixão. Na proporção em que abandonamos a Natureza a Vida nos "abandona" ampliando as "clareiras" por onde os agentes da morte "cultivam" as intermináveis patologias psicossomáticas.

Para Jesus o sofrimento do mundo é uma questão de escolha. Se alguém permanece dentro do condicionamento do "mundo"; de suas crenças, valores, projeções e criações egóticas, alimentando-se de culpa, amor especial, sentimentos menores, o resultado é obviamente sofrimento. E, como o "mundo civilizado" alicerça-se sobre tais fundamentos é obvio que o resultado é sofrimento; portanto, neste modelo de mundo "tereis aflições".

Colhemos o que plantamos! Somos o resultado daquilo que nos alimenta! A causa determina o efeito sempre! Como diz o ditado popular quem "planta vento colhe tempestade". Temos suficientes provas de que a fruta "venenosa" e "cancerígena" da qual nos alimentamos origina-se da sementeira realizada em nível religioso, político, ideológico, midiático e econômico. É insano defender modelos, crenças, instituições e valores quando os resultados se mostram descaradamente desastrosos. Ainda cremos no sofrimento como uma realidade inevitável e até necessária e, conseqüentemente, nos intoxicamos com os frutos desta crença.

Quando Jesus afirma que venceu o mundo Ele não está afirmando que tal vitória foi consequência da cruz. Sua afirmação foi anterior a experiência da cruz. Na cruz Ele se "arma" do Amor incondicional que mantém em fluxo a Vida em sua dimensão abundante. Não se retrai, expande-se!

Continua vencendo na medida em que mantém a opção pelo perdão em vez da retaliação, da gratidão no lugar da murmuração, da compreensão e acolhimento em lugar do julgamento. Em face da injustiça, ignorância, preconceitos, traição, abandono e agressões sofridas, prefere olhar para a infantil miséria humana. Enxergar para além das aparências e perceber o grito por socorro, a necessidade de Amor que se esconde atrás de cada ato de violência. Percebe a fraqueza por trás de cada demonstração de força. Sabia que não sabiam o que faziam e, portanto, só lhe restava dizer: "Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem".

Na cruz, dois "mundos" explicitamente se revelaram. Cada um com suas crenças e valores. O mundo espiritual movido por Amor incondicional que se expressa em silêncio, benevolência, compaixão, perdão e graça que oportuniza a Vida Abundante. E o mundo político, econômico e religioso com suas sombras, amor especial, apegos e sentimentos menores, gerador de miséria, injustiça, ódio, preconceito, divisões, sofrimento e morte. A este último "mundo", inquestionavelmente, Jesus venceu.

Quando declara: "no mundo tereis aflições mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo", não está dizendo que venceu por nós ou para nós. Aponta para uma realidade e uma saída. Está dizendo que é possível viver uma contracultura, que é possível escolher construir um mundo sob novas bases, crenças e valores.

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Conteúdo desenvolvido por: Oliveira Fidelis Filho   
Teólogo Espiritualista, Psicanalista Integrativo, Administrador,Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor.
E-mail: fidelisf@hotmail.com | Mais artigos.

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