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Onde coça em você?


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“...Os missionários visitaram um cacique que tinha fama de ser muito sábio. O cacique, um gordo quieto e calado, escutou sem pestanejar a propaganda religiosa que leram para ele na língua dos índios. Quando a leitura terminou, os missionários ficaram esperando. O cacique levou um tempo. Depois, opinou:    -Você coça. E coça bastante, e coça muito bem. E sentenciou: -Mas onde você coça não coça”. (extraído de “O Livro dos Abraços”, Eduardo Galeano, 1940).

Quando li pela primeira vez este texto, pensei nas inúmeras possibilidades que temos em encontrar respostas. Mas todas elas sem exceção passam por nossa subjetividade e aquilo que construímos dentro de nós como parâmetros de aprendizado. Ao ouvirmos ou lermos algo devemos sempre lembrar que o que está sendo dito pelo outro pertence a sua maneira de dizer, a experiência que tem, ao contexto que vive.

Encontrar o que coça em mim, faz-me correr na direção da busca de soluções para o que me incomoda, mas não chegaremos se não nos apropriarmos de nossa pergunta. O que me instiga na direção do novo? Por que ou pra que mudar? Se o conhecido permite que eu esteja ciente dos resultados sem precisar me esforçar, para que saber? Mas a imprevisibilidade da vida nos faz sair do lugar, mesmo quando estamos arraigados em nossos conceitos e preconceitos.

Não conseguimos fugir do sofrimento causado pela teimosia de querermos frear as mudanças. Elas chegam e surpreendem o modo que trilhamos nosso caminho. Um relacionamento que esfria, a morte de alguém que nos é importante, o nascimento de um filho, a perda de um emprego, tantos e tantos acontecimentos que mudam o ritmo da nossa vida. Exigem que conheçamos nossas imperfeições e desequilíbrios como parte do impermanente estado de ser. A autoaceitação pode nos ajudar nesta tarefa.

Ao aceitarmos como provisórios nossos defeitos abrimos uma direção diferente para nós mesmos e para os outros, é como uma nova chance, um direito à felicidade. Estaremos dispostos a olhar que, muitas vezes, aquilo que parecemos demonstrar, apenas expressa algo reduzido de nós mesmos, a camada superficial que desenvolvemos desde criança para nos proteger daquilo que nos feriu. Estaremos prontos para ir além de nossa aparência carrancuda, ou presunçosa, ou até mesmo subserviente, para estampar o sorriso, arriscar o abraço, despertar o amor do qual em essência fomos criados¹.

Descobrir o que coça em nós traz a certeza que mergulhar em si mesmo é caminho obrigatório. E após tirarmos as máscaras e nos despirmos de nossas fantasias, experimentaremos a plenitude de sermos apenas. Em Deus, em Deus, em Deus...  

¹Para Huberto Rohden, o verbo criar não estaria correto para o sentido da frase, pois o que é criado o é a partir de algo que já existe, porém, se utilizarmos o verbo crear estaremos corretamente relacionando à verdadeira fonte em que fomos creados – Deus, Causa primeira de todas as coisas.


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Conteúdo desenvolvido por: Anna Karina de Pontes Leite   
Terapeuta Floral.
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