Os Animais Não Precisam Gritar Para Existir
Autor Paulo Roberto Savaris
Assunto EspiritualidadeAtualizado em 1/25/2026 9:14:37 PM
Os animais não precisam anunciar quem são.
Não disputam atenção.
Não gritam suas convicções.
Não transformam diferenças em guerra.
Eles simplesmente existem — e isso basta.
Um pássaro não canta para ser aplaudido.
Um lobo não uiva para convencer ninguém.
Um boi não rumina para provar seu valor.
A vida neles acontece em silêncio funcional, em harmonia com o ambiente, em obediência a um ritmo maior do que o ego.
O ser humano, por outro lado, parece ter esquecido como existir sem se exibir.
Vivemos em um tempo em que aparecer vale mais do que ser. Em que gritar rende mais alcance do que escutar. Em que odiar mobiliza mais seguidores do que amar. A lógica é simples e cruel: quem faz mais barulho parece mais importante.
Mas a criação desmente isso todos os dias.
Francisco de Assis compreendeu que os animais eram mestres silenciosos. Não por falarem, mas justamente por não precisarem falar. Via neles uma sabedoria que o ser humano moderno perdeu: a capacidade de ocupar seu lugar no mundo sem violentá-lo.
Jesus também se retirava para o silêncio. Falava pouco, mas com profundidade. Não precisava disputar narrativas, porque sua vida já era mensagem. Ele sabia que a verdade não se impõe pelo volume da voz, mas pela coerência da existência.
Os animais nos ensinam isso sem discursos.
Eles não odeiam. Não polarizam. Não cancelam.
Reagem quando ameaçados, mas não constroem ideologias do medo.
Defendem-se, mas não transformam a defesa em espetáculo.
Talvez por isso o silêncio deles nos incomode tanto.
O silêncio revela o que o barulho esconde. Revela vazios, medos, inseguranças. Obriga-nos a encarar quem somos quando ninguém está nos olhando. E isso exige coragem — uma coragem maior do que gritar.
O mundo atual recompensa o excesso: de opinião, de posicionamento, de exposição. Mas a vida não floresce no excesso. Ela floresce no equilíbrio. E equilíbrio quase sempre nasce do silêncio.
Os animais sabem quando parar.
Sabem quando se afastar.
Sabem quando é hora de descansar.
Nós insistimos em seguir falando, mesmo quando já não sabemos mais o que dizer.
A espiritualidade franciscana não nos convida a calar por medo, mas a silenciar por sabedoria. A distinguir entre a palavra que constrói e o ruído que destrói. A perceber que nem toda verdade precisa ser dita agora, nem toda reação precisa ser imediata.
Num mundo em que todos querem ser ouvidos, talvez o mais revolucionário seja aprender a escutar.
Os animais não precisam gritar para existir.
Eles vivem.
E talvez seja exatamente isso que o ser humano precise reaprender: viver de tal forma que sua presença fale mais alto do que qualquer discurso.
E você? Onde o silêncio poderia curar mais do que mais uma palavra? Um Sonhador, Caminhando com Francisco - Paulo Roberto Savaris – Autor dos eBooks Série, Descubra Caminhando com Francisco e O Eremita Digital – Silêncio no Caos Moderno. Reflexões sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade. https://www.caminhandocomfrancisco.com/
Texto Revisado
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