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OS DROGADINHOS - Órfãos de pais vivos 4/11


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  O Nêmesis o Deus Menino encontra-se também em pesquisa Google livros - pesquisar dentro- Não mostra os principais enfoques  nem os momentos de clímax, mas nos dá um idéia da proposta que é uma excursão no passado de nosso sistema solar   dentro da conotação evolução espiritual.

Continuação - 4/12

Então, senti nova picada. Notei que fui levantado e colocado na cama cênica, mas o homem desproporcional não se aproximou. As luzes dos refletores foram acesas e aqueciam meu corpo, meus membros, e aos poucos fui sentindo-me mais leve, mais relaxado, mais feliz. Parecia estar flutuando ora no espaço, ora no tempo, ora em um mar de luzes e sons, ora eu nadava, voava, era lançado, amparado, amado, envolvendo-me cada vez mais nesse mundo novo, desconhecido, maravilhoso, celestial.         

De repente, lá na frente, longe ou perto, envolto na luz, nas cores, nos sons, no movimento, estava meu avô aguardando-me com os braços abertos. Foi um momento de êxtase total. Aos poucos, conforme me deslocava em sua direção, sentia que meu corpo diminuía, transformava-se e, de repente, senti-me novamente com meus três anos de idade. Naquele êxtase desconhecido, nunca vivido, tentei chamá-lo mas minha voz não obedecia. Lembro-me que me aproximava cada vez mais, lentamente, e quando me aproximei me apanhou e me aninhei em seus braços e, então, pude articular apenas vvvv...vvô...vvvô. 

Com o maior carinho ele me abraçou sorrindo e chorando de alegria. Nesse momento, uma paz enorme, gigantesca, inebriante, tomou conta de minha mente, meus pensamentos, meu sentimento, meu ser, meu corpo. E envolto no calor, amor, carinho e aconchego que irradiava dele dormi em seus braços.

Despertei em um ambiente claro, e percebi que estava deitado em uma cama. Senti uma necessidade urgente da droga, e ao meu movimento apareceu uma moça alegre, risonha e vestida de branco. Cumprimentou-me cordial e ao ouvir minha necessidade injetou uma dose no soro que estava ligado a meu braço. Em pouco tempo, passou a ânsia e um leve sono tomou conta de mim. Devo ter recebido pelo menos uma dúzia de doses até que pudesse recuperar-me o suficiente para sentar-me na cama e aperceber-me que estava em um quarto hospitalar. Medicado e aliviado, resvalei novamente em sono reparador povoado de sonhos desconexos e sem sentido, mas que me davam uma sensação de paz, leveza, harmonia e bem estar.

Após uma série de experiências como essa, ao despertar deparei com o médico que risonho e descontraído aguardava que eu acordasse. Cumprimentou-me bem humorado, e pedindo licença para examinar-me o fez usando aparelhos desconhecidos por mim. Findos os exames que tomaram uns trinta minutos guardou o equipamento e colocou-se à minha disposição para responder às minhas perguntas. Soube que havia desencarnado motivado por overdose e que realmente foi meu avô que me recolheu àquela casa de saúde. Disse-me que eu teria outras surpresas mas deveria voltar à sonoterapia pois estava surtindo um efeito além do esperado. Não era droga o produto ministrado no soro, mas um estimulante e um reagente para reequilibrar meu espírito ainda bastante intoxicado. Dentro de pouco tempo eu estaria apto para deixar a clínica e continuar o tratamento na casa de meus avós que me aguardavam muito saudosos.

Na rotina, sempre que acordava, invariavelmente surgia uma ou outra simpática enfermeira, conversava comigo e dava-me algo para ingerir. Certa manhã a surpresa: estava sentado na cama olhando para mim o garoto mais lindo que já havia visto. Parecia a visão de um anjo, se isso fosse possível. Com seus cabelos encaracolados, rebeldes, o rosto de uma pureza indescritível irradiando simpatia, amor, alegria, os olhos marejados embora risonhos redobrando o brilho como a emitir luz, vestindo uma roupa de alvura quase luminosa, estava ali ao meu lado olhando para mim meu amigo M.A.P.. A emoção foi tão grande que ficamos um tempo parados, magnetizados, nos admirando, e de repente em um impulso jogamo-nos nos braços um do outro. Após demorarmos em abraços afetuosos passamos a conversar recordando nossas vidas, nossas mortes. Então fiquei sabendo detalhes do final de nossa saga.

- Mais ou menos uma hora após você ter saído em direção ao estúdio, - contou-me ele - a Rosinha apareceu em casa atrás de você, pois necessitava um pequeno favor. Com surpresa disse-me não saber do encontro, e mesmo que fosse convidada jamais se permitiria tal envolvimento. Desconfiado, liguei para o estúdio e disseram-me que você realmente passou por lá, mas como a garota não apareceu, saiu em direção à residência do traficante. Na fortaleza informaram que você não havia chegado e que J.P. ainda se encontrava e ficaria aguardando sua chegada para virem juntos para casa. À tardinha ele chegou só, e todos ficamos preocupados pois ninguém sabia onde você poderia estar. Passamos três dias desesperados à sua procura vasculhando hospitais, delegacias de polícia, da criança e adolescência, enfim todos os possíveis locais onde poderia eventualmente encontrar-se. Foi quarta-feira que recebemos a notícia: ao levantar-me encontrei na sala sua mãe, J.P., a cozinheira, a governanta e o jardineiro, todos tristes, chorosos, desesperados. Antes de inteirar-me do ocorrido ouvi sua mãe protestar: o vagabundo covarde reconheceu o filho e depois desapareceu sem ao menos telefonar. Ao aproximar-me, J.P. olhou-me com a fisionomia triste, alquebrada, tremendo, e em silêncio alcançou-me o jornal. Em um canto da página policial lia-se: "Dois garotos caçando com estilingue, ao aproximarem-se de um bosque perto da estrada de Realengo a seis quilômetros do Rio de Janeiro tiveram sua atenção despertada por um bando de urubus que revoavam por perto. Curiosos, aproximaram-se e depararam com o corpo nu de um garoto de uns prováveis catorze anos. Acionada a polícia, o cadáver foi conduzido ao necrotério municipal. Segundo o legista, o menino foi morto por overdose, sendo constatada a

presença de cocaína, morfina e LSD. A dose, segundo o legista, daria para intoxicar uma família de elefantes. Seguindo os registros policiais de desaparecidos, foi contatado o pai da vítima que o reconheceu como A.R.C. residente em Nova Friburgo. Após o reconhecimento, o pai desapareceu e o corpo liberado está à disposição da família. Acredita a polícia que se trata de uma queima de arquivo, pois o garoto era suspeito de traficar drogas no colégio que frequentava".

- Desesperado e revoltado com o pavoroso castigo que impingiram em você, J.P. resolveu vingar-se em alto estilo. - continuou M.A.P. - Auxiliado pela cozinheira, o jardineiro e mais dois amigos do Rio, juntaram vinte e cinco mil dólares e contrataram dois matadores de aluguel conhecidos, que após verem o dinheiro aceitaram o trabalho: deveriam "despingolar" os cinco principais responsáveis pelo estúdio, e mediante fotografia de corpo inteiro receberiam cinco mil dólares por cada serviço, bastando apresentá-las à cozinheira.                                                                                  

Continua quarta-feira
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Conteúdo desenvolvido por: Dante Bolivar Rigon   
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