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Os pequenos prazeres da vida



Eu gosto de cozinhar. Gosto de misturar os ingredientes. O arroz, o feijão, seus temperos. O cheiro do alho queimando, do óleo fritando, da manteiga derretendo. Gosto de abrir a geladeira e pensar o que seria gostoso comer naquele dia. Está frio? Que tal uma sopa. Está calor demais? Que tal uma salada de macarrão que fica gostosa, na geladeira, com bastante molho de iogurte. Gosto de inventar, de criar, de refazer. É um prazer para mim, fazer essas coisas, mesmo que seja todos os dias. Por isso sou a cozinheira oficial aqui de casa. E não abro mão disso. Depois, ver todo mundo comendo, quietinho, porque está uma delícia... Tem coisa melhor do que isso?

Noutro dia estava saindo do consultório e passei por uma rua em que sempre passo. Mas, não sei, tinha uma coisa diferente lá. Havia um sol se pondo, alaranjado como só o outono sabe ter. Umas folhas caíram rápidas da árvore em cima do meu carro, enquanto fazia a curva e tocava Marisa Monte. Parecia uma cena de cinema, muito bem dirigida, com uma iluminação perfeita. Coisas que acontecem só de vez em quando.

Será? Será que é só de vez em quando que esses pequenos prazeres nos chegam aos olhos, aos ouvidos? Quantas vezes você não colocou um doce na boca e, com ele, lembrou de toda a sua infância? Quantas vezes nos deliciamos com pequenas coisas como o barulho da chuva no telhado, aquele cheirinho que ela deixa quando o asfalto está muito seco e quente. É uma delícia! E um café quentinho quando está um tempo frio? Um cobertor colocado sobre as nossas pernas pelo nosso amor enquanto fingimos dormir! Tem coisas que são tão deliciosas que deveria existir um capítulo nas nossas vidas só para elas. Deveria ter um "pause", preste atenção e depois continuar. Mas sempre estamos tão ocupados para isso, não é mesmo?

Não percebemos o mínimo por estarmos tão preocupados com o máximo. Com as contas, com o trânsito, com a vizinha barulhenta. Não vemos nossos filhos crescerem, não fazemos bolinhos de chuva numa quinta-feira à tarde, não vagabundeamos na frente de um sofá só porque estamos ocupados demais ou culpados demais para isso. Perdemos, com isso, o nosso mínimo. As nossas mínimas coisas, mínimos prazeres que substituiriam qualquer gastança no shopping ou quilos de chocolate comidos às pressas na frente da TV.

Às vezes só precisamos de tempo. De nos darmos um tempo para curtirmos a comida, o cozinhar, o ir a uma feira livre, comprar flores. Tempo para ver nosso bebê dando um sorriso, mesmo que nosso bebê seja um cachorro. Tempo para ver o pôr do sol da nossa janela, mesmo morando na cidade grande e cinza.

Precisamos ir em busca do nosso tempo perdido. E não estou falando de tempo perdido com um amor que não deu certo ou um emprego que nos sugava. Estou falando dos segundos, dos minutos que perdemos nos sentindo mal, magoados e culpados. A vida é o todo do dia. O dia-a-dia. Não é o dia em que chegaremos a algum lugar. Como diria a filosofia budista, o que nos interessa é o caminho e não a chegada. E quando vivemos um pouquinho disso tudo, todos os dias, nos damos conta de que podemos viver melhor. Sempre melhor e mais atentos ao todo, à criação e a Deus. Mesmo que seja o nosso Deus interno, aquele que sempre fala com a gente, mas que nunca temos tempo de ouvir.

Vamos parar? Que tal? Vamos ver, ouvir, escutar, silenciar? Prestar atenção nas coisas bonitas e bobas que estão ao nosso redor? Esse é o meu desafio agora. E espero poder aproveitar mais e me preocupar menos. Para sempre.

Texto revisado por Cris

Publicado dia 23/5/2007

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Autor: Andrea Pavlo   
Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.
E-mail: contato@andreapavlo.com | Mais artigos.

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