auravide auravide

Quanta luz!

por Andrea Pavlo

Publicado dia 9/12/2008 em Espiritualidade

Compartilhe

Facebook   E-mail   Whatsapp


“... é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...”
Renato Russo
 

Ainda estou meio enjoada e minha tendência foi a de dormir a tarde toda. Não sabia que uma história de longe ainda pudesse mexer tanto comigo. Pode ser também a minha sensibilidade feminina mais aguçada pelos hormônios ou o momento de vida que eu gostaria que fosse outro, mas o fato é que isso mexeu demais comigo.

Ontem à noite fui a um velório. De um jovem, 38 anos, com um filho de 2, que foi acometido e levado por um câncer com o qual ele não podia mais lutar. Lutou na vida e venceu, lutou pela família que ele tinha, pela profissão e pelos amigos. Mas com a doença ele não pôde. Por volta das 22 horas um grupo do centro espírita, do qual ele fazia parte, entrou no velório. Rezamos uma Ave Maria e um Pai Nosso. Alguém sugeriu a oração de Caritás e depois cantaram a música que, segundo sua jovem esposa, era a que ele mais gostava, de título “Quanta luz”.

Chorei porque sentia, naquele momento, aquele coro de vozes que formavam uma energia incrível. Uma fina névoa de fumaça branca e perfumada desceu por sob o caixão aberto e todas as pessoas presentes. Foi um momento de despedida que, tenho certeza, fez com que ele sentisse do outro lado. Uma semana antes, exatamente, esse mesmo moço estava no aniversário do filho. Fez em um bufet, com direito a palhaço, brincadeiras, comidinhas infantis e música alta e divertida. Ele saiu do hospital, onde estava há um mês, com a permissão de um médico que deve ter se compadecido por saber de seu estado de saúde, e foi até a festa. E também não teve quem não chorasse ao ver aquele homem forte, que foi o meu dentista por um tempo enorme, inchado, branco e sem nenhuma energia vital, balbuciar os parabéns junto a seu filho e sua esposa. Foi uma das coisas mais bonitas que já vi na vida. E não chorei de tristeza, mas de saber que ele sabia o que estava fazendo.

Confesso que tudo isso me fez, mais uma vez, parar para pensar. Por quê? É fácil para nós, que temos uma visão espiritualista, entendermos. Mas, e aceitar? Aceitamos que um senhor de 90 e tantos anos passe. Aceitamos que uma velhinha doente passe. Mas como aceitar que a morte leve um homem jovem, no auge da sua vida? Como aceitar que nosso corpo humano não é de ferro e, não, não tem o poder de se refazer de qualquer coisa que lhe aconteça? E como passar por isso tudo sem encontrar um culpado,um bode expiatório, qualquer coisa que o valha. Como aceitar, principalmente, que algumas pessoas podem, mas outras ainda têm que passar por coisas como essa?
Confesso que a minha história com a morte ainda não está bem resolvida. E hoje, por causa da minha falta de aceitação, passei o dia todo com náuseas e dores de cabeça (também herança de uma gripe alérgica, depois de fazer a limpeza anual de quinquilharias de casa). Mas, pensando bem, a única coisa que mais nos ensina sobre a vida é a morte. Se não fosse ela, com certeza, nenhuma daquelas pessoas que estavam naquele enterro e naquele velório, sairia de lá pensando que é bobagem continuar brigado com um amigo ou com a família. Que é besteira não comprar aquilo que tanto se quer, ou ficar adiando ter um filho para um momento perfeito.
A morte desse moço ensinou muito para mim e para muitos sobre a vida. E que, enquanto tivermos uma manhã para viver, devemos agradecer aos céus a chance, a oportunidade de ainda estarmos por aqui e podermos fazer alguma coisa. Amar as pessoas, acima de tudo. Viver momentos de puro prazer. Comer chocolate, ver filme triste, abraçar e ser abraço. Beijar na boca, na bochecha, nas perninhas fofas de bebezinho. Deixar o prazer e o amor fluir por todos os  nossos poros. Porque no fim, como bem disse o mestre, “do pó viemos e para o pó retornaremos”.

Uma boa vida para cada um de vocês. E carpe diem!

Texto revisado por Cris

Compartilhe

Facebook   E-mail   Whatsapp
  estamos online

Gostou deste Artigo?    Sim    Não   

starstarstarstarstar Avaliação: 5 | Votos: 26

foto-autor
Sobre o Autor: Andrea Pavlo   
Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.
E-mail: [email protected]
Visite o Site do autor e leia mais artigos.


Veja também
artigo Não se trata do que eu devo nem do que eu quero...
artigo Infeliz
artigo O sagrado
artigo Tenha uma vida afetiva abundante

© Copyright - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução dos textos aqui contidos sem a prévia autorização dos autores.


auravide

 

Voltar ao Topo

Siga-nos


Somos Todos UM no Smartphone
Google Play


© Copyright 2000-2020 SomosTodosUM - O SEU SITE DE AUTOCONHECIMENTO. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade - Site Parceiro do UOL Universa