Quem Grita Mais Não Ama Melhor
Autor Paulo Roberto Savaris
Assunto EspiritualidadeAtualizado em 2/7/2026 6:30:33 PM
Vivemos um tempo em que o amor perdeu o tom de voz.
Quanto mais alto se grita, mais se acredita estar certo.
Quanto mais se ataca, mais se confunde isso com coragem.
Quanto mais se odeia, mais seguidores se conquista.
Mas gritar nunca foi sinônimo de amar.
O amor não precisa de volume.
Precisa de presença.
Precisa de constância.
Precisa de gestos que não cabem em slogans.
Jesus nunca gritou para convencer. Nunca humilhou para vencer debates. Nunca transformou o outro em inimigo para afirmar sua verdade. Seu modo de amar era desarmado - e exatamente por isso tão ameaçador. Ele não disputava plateias; tocava consciências.
Francisco de Assis seguiu esse mesmo caminho. Em vez de confrontar o mundo com discursos inflamados, escolheu desarmá-lo com mansidão. Não gritou contra a riqueza - viveu a simplicidade. Não atacou o poder - caminhou com os pobres. Não acusou a criação - fez-se irmão dela.
Hoje, porém, o amor parece insuficiente se não vier acompanhado de indignação visível. Amar em silêncio é visto como fraqueza. Amar sem atacar é confundido com conivência. Amar sem polarizar parece, para muitos, falta de posicionamento.
Mas observe a natureza.
Nenhuma forma de vida se sustenta pelo grito.
O cuidado acontece no detalhe.
A vida cresce no silêncio.
A restauração se dá no tempo.
Os animais não precisam provar que pertencem. Não disputam quem está certo. Não constroem narrativas para justificar sua existência. Eles vivem - e, ao viver, equilibram o todo.
Talvez o maior sinal de que nos afastamos do essencial seja esse: precisamos gritar para nos sentirmos vivos.
A espiritualidade franciscana nos propõe outro caminho. Um caminho em que o amor não é reação impulsiva, mas decisão cotidiana. Em que a mansidão não é omissão, mas maturidade espiritual. Em que o silêncio não esconde a verdade, mas a protege do desgaste.
Amar dá trabalho.
Odiar rende aplausos rápidos.
Amar exige escuta.
Odiar dispensa compreensão.
Amar constrói lentamente.
Odiar destrói em segundos.
Por isso, quem ama de verdade quase nunca viraliza.
Mas sustenta lares.
Sustenta vínculos.
Sustenta comunidades feridas.
Sustenta a esperança quando tudo parece perdido.
Jesus sabia: o amor não seria popular. Francisco também sabia: a mansidão seria ridicularizada. Ainda assim, ambos escolheram amar até o fim - não porque fosse fácil, mas porque era fiel à vida.
Num mundo que confunde barulho com verdade, amar em silêncio é um ato de resistência. Não uma resistência agressiva, mas firme. Uma resistência que não precisa vencer o outro, porque já venceu o próprio ego.
Quem grita mais não ama melhor.
Ama menos.
Ama com medo.
Ama para si.
O amor verdadeiro não precisa se impor.
Ele permanece.
E você? Onde o amor pede menos grito e mais presença na sua vida hoje?
Um Sonhador, Caminhando com Francisco - Paulo Roberto Savaris - Autor dos eBooks Série, Descubra Caminhando com Francisco e O Eremita Digital - Silêncio no Caos Moderno. Reflexões sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade.
https://www.caminhandocomfrancisco.com/
|
Conteúdo desenvolvido pelo Autor Paulo Roberto Savaris Visite o Site do autor e leia mais artigos.. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Espiritualidade clicando aqui. |
Deixe seus comentários:










in memoriam