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Será que o mundo acabou?

por João Carvalho Neto
Será que o mundo acabou?

Publicado dia 25/12/2012 em Espiritualidade

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Hoje é manhã do dia 25 de dezembro e estou eu aqui sentado à frente do teclado imaginando como juntar letras para formar um texto em homenagem ao aniversariante. É Natal!
Gostaria de falar de paz, de amor, das mensagens do evangelho que vêm tentando transformar nossa mesquinha compreensão da vida, mas não consigo. Acho que as religiões realmente têm falhado nessa tentativa. Não que alguns resultados eventuais não sejam alcançados, mas, no conjunto, nosso mundo ainda permanece injusto, egoísta e desumano.
Digo injusto, egoísta e desumano mesmo que alguns não o sejamos individualmente em atitudes, mas porque nos tornamos assim quando omissos no silêncio de nossas comodidades.
Ontem, assistia uma entrevista com Renato Aragão em que ele lembrava de uma mãe nordestina que viu seu filho morrendo de fome em seus braços perguntando: “Mamãe, no céu tem pão?” e não posso esconder que lágrimas me rolam pelo rosto por saber que essa é uma realidade ainda viva em nosso país e em outros países do mundo. Estive há pouco tempo no Maranhão e pude me assombrar em como o luxo consegue conviver com a miséria quase que lado a lado. Para mim, que moro em Saquarema (RJ), uma constatação assustadora. Mas me lembro também, não muito longe daqui, na cidade do Rio de Janeiro, outro dia quando vi uma menina de uns 7 ou 8 anos, dormindo na calçada com um pedaço de bolo ao seu lado. Aquela cena deixou marcas fortes. Senti num misto de tristeza, vergonha, culpa, incapacidade e sei lá mais o quê...
O que acontece com nosso espírito religioso? O que acontece com os princípios de igualdade e solidariedade difundidos nos templos que frequentamos?
“Nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas das nossas casas...” canta a música.
Alguns religiosos ainda afirmam que o Brasil é “a pátria do evangelho”; e eu penso que Jesus deve lamentar um povo que se gaba de sua religiosidade, mas está mergulhado em miséria, corrupção e violência. Temos muito o que fazer para tornar essa premissa um fato.
“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” (Paulo, Corintios 13, 11).
Talvez seja interessante aos seres humanos continuarem se iludindo como meninos sobre a eficiência de seus códigos religiosos, mascarando uma realidade que contradiz essas expectativas virtuosas. Mas a mim, enquanto homem, e acredito que a todos aqueles que se tornaram maduros para deixarem as fantasias infantis, parece que a humanidade precisa mais aceitar os desafios do trabalho a ser feito do que fugir dele sob o pretexto de sermos salvadores miraculosos.
E, com isso, não quero negar a necessidade da religiosidade que nos religa ao Criador, mas reforçar a ideia de que ela se faz muito mais na intimidade do homem do que nos templos religiosos, e que a ação deverá dizer muito mais do que discursos vazios de resultado e plenos de ilusões, onde nos escondemos de nossas neuroses.
Tenho pensado que o século XXI será o da saúde mental; talvez as psicoterapias de bases transpessoais venham a curar o homem do seu narcisismo egocêntrico.
Dia 21 de dezembro estava marcado com expectativas do fim do mundo, com diversas interpretações sobre o assunto. Acabar o mundo não acabou, já que escrevo estas linhas... “Penso, logo existo!” Mas continuo esperando que esta civilização que nos envergonha enquanto humanos se acabe nos processos de evolução e transformação.
Espero sim, que o ano de 2013 seja vivido em atitudes mais condizentes com o nível de desenvolvimento a que chegamos, onde a inteligência se consagra por tantas conquistas espetaculares, mas que nossos corações se abram mais sensíveis para as dores que perambulam lá fora, mendigando socorro.
Esse é o meu presente de Natal para Jesus. “Todas as vezes que fizeres a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeres também” (Jesus, Mt 25, 40); e é por eles que eu escrevo nesta manhã.
Façamos, nós que despertamos, a diferença nesse mundo em que nascemos, para que a prepotência do ímpio seja apenas uma triste lembrança nos anais da história de uma civilização em decadência.

João Carvalho Neto, Psicanalista, autor dos livros
“Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal”.
www.joaocarvalho.com.br

Texto revisado

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Sobre o Autor: João Carvalho Neto   
Psicanalista, Psicopedagogo, Terapeuta Floral, Terapeuta Regressivo, Mestre em Psicanálise, autor da tese “Fatores que influenciam a aprendizagem antes da concepção”, autor da tese “Estruturação palingenésica das neuroses”, autor do Modelo Teórico para Psicanálise Transpessoal, autor dos livros “Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal
E-mail: [email protected]
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