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Vencendo o medo

por Maria Silvia Orlovas
Vencendo o medo

Publicado dia 29/10/2009 em Espiritualidade

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Desde que o mundo é mundo, o medo é um instrumento de aprendizado e evolução, pois todos nós, numa ou noutra circunstância, sentimos medo e somos forçados a crescer e se desenvolver. As crianças e os adultos, por exemplo, sentem medo do desconhecido.

O que difere um medo real de um sentimento de aflição é a nossa capacidade de enfrentar aquilo que tememos. E é esperado que quando nos tornemos adultos tenhamos já vencido uma série de medos que eram naturais para uma criança; porém, nem sempre é isso que acontece, já que muitas vezes à medida que nos libertamos de um medo, surgem outros, pois a vida é mesmo cheia de desafios.

Alguns têm medo de coisas palpáveis, medos reconhecidos. Outros têm medo de coisas mais sutis e, para esses, é fundamental trilhar um caminho de autoconhecimento porque iluminando nossos quartos escuros, com certeza, vamos nos libertar e ter mais força para caminhar. Lembrando que o medo inibe nossa energia, ficamos fracos e até confusos quando o medo ocupa a nossa mente.

O medo de não ser amado, associado ao sentimento da rejeição, é um dos maiores empecilhos para a pessoa se realizar no amor. Muitas vezes aquele que sente medo de uma rejeição evita enfrentar o problema, sofre com a carência mas não tem coragem de se lançar numa nova história. Em geral,  por uma experiência dolorida e traumática, as pessoas deixam de se abrir para possibilidades diferentes, sem pensar que se protegendo e não enfrentando seus medos poderão sofrer ainda mais. Não devemos esquecer que somos nós que damos força ao medo. Somos nós que criamos em cima de fatos ocorridos, verdadeiros dramas que não precisariam se concretizar.

Pode parecer óbvio, mas nem sempre nos libertamos de medos infantis. Eles mudam de cor, formato e profundidade, mas continuamos carregando boa parte deles. Se, por exemplo, uma criança veio de uma criação rígida, provavelmente ela se cobrará muito e terá medo de errar. Se ela vier de um ambiente de desamor, brigas e discussões, certamente terá medo de se posicionar em seus relacionamentos. Se sentir medo do escuro, do desconhecido, acreditando em coisas negativas, monstros ou fantasmas, naturalmente essas assombrações continuarão assustando suas noites causando a cada dia mais sofrimento.

Infelizmente, para curar tudo isso, não basta apenas exigirmos de nós, adultos, um entendimento racional dos fatos da vida. É preciso também se amar mais, perdoar àqueles que nos criaram e entender que a vida pode trazer coisas boas e novas, independentemente, daquilo que imaginamos ser o limite. Deus pode agir a nosso favor, em qualquer situação, mesmo naquelas em que nos acreditamos perdidos e solitários. Aliás, devemos lembrar que o medo também é um crença, uma sensação e não uma verdade absoluta.
Se você sofre de algum medo, tente pensar no que poderia acontecer de mais dramático se seus medos se concretizassem. O que você sentiria? O que iria acontecer na sua vida ou na vida das pessoas à sua volta?

Faça um exercício de imaginar o que você poderia fazer para solucionar a situação da concretização do seu medo. Posso afirmar que a pior sensação associada ao medo é ficar preso um minuto antes da manifestação do medo pensando no que vai acontecer... Idealizar como seria o futuro é mais difícil do que viver quaisquer situações, até as mais complicadas. Porque no futuro não temos nenhuma ação, pois o futuro ainda não aconteceu. Assim, além do medo temos que enfrentar a impotência. Já, no presente, sempre teremos algo a fazer, o que definitivamente nos liberta.

Nesta semana, com minha mãe internada no hospital, na área de oncologia, caminhava pensativa, no corredor, quando cruzei com uma moça totalmente careca sendo assistida por uma enfermeira. Por alguns segundos, nossos olhos se encontraram e esqueci do meu sofrimento e das preocupações sobre o estado da minha mãe, e me entreguei aos sentimentos dela. Jovem, desfigurada pela doença, guardaria ela ainda alguma esperança? Ou estaria enfrentando o mais terrível dos medos pensando na própria morte?

Pensando nisso, sorri para ela com benevolência, sentindo em mim a impotência em não poder ajudar mais. Sorri sem graça, apenas por solidariedade. E quando recebi dela um lindo sorriso, quase tive vergonha da minha dor, pois aquela moça magrinha, arqueada, ainda sabia sorrir a despeito de tudo o que imaginei que ela estaria sentindo.
Nesse momento, entendi que enfrentar o medo é a maior libertação de qualquer situação, porque o medo está dentro de nós e não nas circunstâncias externas.

O medo é uma percepção distorcida da realidade e um estado de falta de fé. Claro que não podemos nos impedir de sentir medo, mas podemos encarar nossas sombras. Tive medo de sorrir para aquela moça e de alguma forma ofendê-la com a minha atitude. Sei também que muita gente tem medo de doença, de hospital, talvez mais do que o medo da morte. Porque ver alguém doente exige de nós uma intimidade com a dor do outro que nem sempre estamos prontos a enfrentar. A doença exige que quebremos preconceitos, inseguranças, bloqueios e que, de alguma forma, estendamos as mãos para ofertar algo bom que vem do nosso coração. E, devido às circunstâncias, isso não é fácil para muita gente.

Sei que o homem não pode existir sem medo, porque o medo ajuda a colocar limites e nos ensina a lidar com a realidade, respeitando o que está à nossa volta, mas, quando o vencemos, descobrimos o quanto podemos ser fortes, amorosos e livres.
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Sobre o Autor: Maria Silvia Orlovas   
Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores.
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