Viagem Astral não é Sonho Lúcido?
Autor Alexei Bueno
Assunto EspiritualidadeAtualizado em 8/14/2026 10:13:15 AM

Quando comecei a estudar as experiências fora do corpo, popularmente conhecidas como Viagem Astral, o termo "Sonho Lúcido" ainda não era tão difundido como é atualmente. Hoje, porém, percebo, especialmente nas redes sociais, uma grande confusão entre esses dois fenômenos, que muitas vezes são tratados como se fossem a mesma experiência. Neste artigo, pretendo apresentar meu ponto de vista sobre as principais diferenças entre a Viagem Astral e o Sonho Lúcido, bem como refletir sobre os possíveis motivos que levam tantas pessoas a confundi-los.
Inicialmente, vamos compreender o que é um sonho lúcido, ou seja, um sonho no qual existe certo grau de consciência durante a experiência. Ele se diferencia do sonho comum, no qual geralmente acompanhamos os acontecimentos sem perceber que estamos sonhando, muitas vezes como meros espectadores de uma narrativa que pode apresentar situações ilógicas e mudanças repentinas de cenário. No sonho lúcido, por outro lado, em algum momento percebemos que estamos dentro de um sonho e adquirimos consciência suficiente para pensar: "Isto que estou vivenciando é um sonho." A partir dessa percepção, pode surgir também a capacidade de interferir na experiência, permitindo-nos tomar decisões, explorar o ambiente, conversar conscientemente com personagens e, em alguns casos, até modificar cenários e situações.
O sonho lúcido possui sua própria importância e pode, em determinadas abordagens psicológicas, favorecer a reflexão sobre conteúdos relacionados às nossas emoções, memórias e experiências pessoais. Um professor de um curso que realizei, por exemplo, relatou um sonho no qual se deparou com um monstro. Ao perceber que estava sonhando, decidiu conversar com aquela figura e perguntou quem ela representava. O personagem então mencionou o nome de um familiar que, curiosamente, possuía relação com uma situação que ele estava vivenciando. Experiências como essa mostram como a interação consciente com personagens e elementos simbólicos de um sonho pode estimular reflexões sobre aspectos de nossa própria vivência, podendo servir, em alguns contextos, como instrumento de autoconhecimento e exploração psicológica.
Agora, ao tratarmos da Viagem Astral, entramos em um fenômeno interpretado de maneira mais espiritual ou metafísica do que propriamente psicológica. Nessa perspectiva, haveria menor interferência dos conteúdos produzidos pelo inconsciente e uma percepção mais estável e consciente da experiência. O indivíduo tem a sensação de deslocar-se para além dos limites do corpo físico, podendo perceber ambientes relacionados ao mundo físico ou a dimensões denominadas plano astral ou plano espiritual. Enquanto no sonho lúcido o cenário pode se transformar rapidamente de acordo com a dinâmica do próprio sonho, na Viagem Astral o ambiente é geralmente relatado como mais estável e independente da vontade do indivíduo. Quando a experiência ocorre nas proximidades do plano físico, alguns praticantes relatam perceber o próprio corpo adormecido, o interior da casa e até locais conhecidos de sua vizinhança ou cidade.
Vejo com frequência, principalmente nas redes sociais, relatos apresentados como experiências de Viagem Astral que, quando analisados à luz das características mencionadas anteriormente, parecem revelar uma forte influência de conteúdos oníricos e do inconsciente. Narrativas envolvendo acontecimentos extraordinários - como contatos com seres extraterrestres, visitas a outros mundos ou mudanças repentinas de cenários - podem, em muitos casos, ser compreendidas como sonhos lúcidos extremamente vívidos e criativos, e não necessariamente como experiências de natureza extrafísica. A diferença fundamental, dentro da perspectiva que proponho, estaria justamente nesse ponto: enquanto o sonho lúcido se desenvolve em um cenário fortemente influenciado pela atividade psíquica do indivíduo, a Viagem Astral pressupõe a percepção consciente de uma realidade que seria relativamente independente de sua imaginação e de sua vontade.
Naturalmente, não quero dizer com isso que seja impossível vivenciar uma experiência extrafísica envolvendo, por exemplo, uma viagem em um disco voador ou até mesmo um contato direto com seres extraterrestres. Ressalto apenas que esse tipo de ocorrência não parece ser comum, tanto na literatura especializada quanto nos relatos de projetores extrafísicos mais experientes. Minha própria experiência mostra que, durante uma projeção consciente, nem sempre é fácil manter a calma e a lucidez. Para citar um exemplo, a simples sensação de voar em grande velocidade fora do corpo pode provocar uma intensa felicidade e euforia, capaz de interferir na estabilidade da experiência. Trata-se de uma sensação difícil de descrever e que, em geral, somente quem já vivenciou a experiência de permanecer lúcido fora do corpo físico consegue compreender em toda a sua intensidade.
E essa sensação quase indescritível de um verdadeiro "frio na barriga extrafísica", enquanto flutuamos ou volitamos conscientemente fora do corpo, vem acompanhada de um espanto difícil de traduzir em palavras: "Eu posso voar! Estou fora do meu corpo!". É uma mistura intensa de liberdade, euforia, admiração e assombro diante do que está acontecendo. Naquele instante, não estamos apenas observando uma experiência: sentimo-nos completamente imersos nela, com uma vivacidade impressionante. Penso que, por mais intenso e lúcido que seja um sonho lúcido, dificilmente ele consegue reproduzir essa mesma sensação de presença, liberdade e deslumbramento que acompanha uma legítima experiência extrafísica consciente.
Alexei Bueno
Meus livros: https://clubedeautores.com.br/livros/autores/alexei-bueno
Meus cursos:
- Filosofia do Ocultismo: https://www.udemy.com/course/filosofia-do-ocultismo/
- Viagem Astral: https://www.udemy.com/course/aprenda-sobre-experiencias-fora-do-corpo-ou-viagem-astral/
|
Conteúdo desenvolvido pelo Autor Alexei Bueno Visite o Site do autor e leia mais artigos.. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Espiritualidade clicando aqui. |









in memoriam