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VIDA ABUNDANTE


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"O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham  em abundância." Jesus.

Não obstante frágil e fugaz, a vida se apresenta generosamente abundante em sua diversidade e quantidade. Desde os organismos mais simples aos mais complexos, a vida prodigamente explode neste encantado Planeta Vivo. A abundância quantitativa também se manifesta na espécie humana que numericamente dá provas claras de que já ultrapassou o limite da sustentabilidade.

"O cientista do envelhecimento Aubrey de Grey afirma que, em 2030, estaremos vivendo até os 130 anos. E que os homens que farão mil aniversários já nasceram." (Revista Galileu, fevereiro de 2011). Conhecido como "o profeta da imortalidade" Aubrey de Grey busca oferecer resposta a questões tais como: Por que envelhecemos? Existe limite biológico para a vida dos seres humanos? Viver mais significa viver melhor?

Se em muitos aspectos guardamos estreita semelhança com as demais espécies vivas, talvez sejamos a única que, ao mesmo tempo em que investe na autodestruição individual e coletiva, acalenta, concomitantemente, a utopia da vida eterna. Como psicanalista, chego a pensar que tal desejo de viver eternamente revela, também, um forte complexo de inferioridade e uma tentativa de compensar constrangedoras limitações.

Independentemente das motivações, o desejo de viver para sempre energiza as asas dos sonhos da humanidade no decorrer da história. Encontrar a fonte da juventude eterna ou uma maneira de viver para sempre é a utopia alimentada por religiosos, espiritualistas, filósofos e cientistas, entre outros, sabe Deus desde quando. Muitos neurônios foram e são forçados a incontáveis horas extras em prol deste eterno projeto. E aqui se aceita mão de obra, especializada ou não, da Ciência e da Fé.

Existem também os que, movidos pelo medo da morte, gostariam de não morrer nunca e os que pelo medo da vida estão sempre desejando morrer. Há ainda os que gostariam de possuir o direito de, conscientemente e com dignidade, cortar o cordão umbilical que o prende ao corpo, uma vez que o mesmo já não mais cumpre os objetivos para o qual foi plasmado.

Quando Jesus declara que veio para que tivéssemos vida em abundância já havia declarado que antes dele vieram ladrões e salteadores, enfatizando que o ladrão vem para roubar, matar e destruir.

A forma como Jesus confrontou a religião, a tradição religiosa, os doutores da lei e os donos do templo, permite identificar o ladrão principalmente a partir da instituição religiosa. Em Jesus, o contraste entre religião e espiritualidade se mostra, na prática, inconfundível. É como se, novamente, Deus ordenasse: "Haja Luz e houve Luz". Tal transbordamento da dimensão Crística, por Jesus encarnada, apresentou-se com clareza solar, o que levou o autor bíblico a dizer: "O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz."(Mateus 4.16).

A Luz que o povo viu emanava da Verdade em Jesus encarnada. Verdade esta que dissipa as trevas e liberta os cativos e oprimidos pela ignorância. Jesus via na religião de seu tempo um nefasto instrumento de opressão, abuso, injustiça, aprisionamento mental e limitação espiritual.

Entre os instrumentos de opressão criados e perpetuados pela religião, o mais nocivo é, sem dúvida, a crença no pecado e seu consequente juízo de valor. Poucas coisas roubam da vida mais saúde psíquica e somática do que a noção do pecado.

Nada impede mais a vida abundante do que a idéia de pecado original, ao afirmar que vivemos separados de Deus, que temos em nós uma imagem quebrada da divindade. Tal concepção rouba do homem sua essência divina. Tal percepção só é benéfica à manutenção da religião como instituição, pois sem este discurso a religião não se justificaria ou sustentaria. Entretanto, rouba da vida a abundância na medida em que faz o homem acreditar que se encontra separado de Deus, que nele Deus não está. O efeito colateral é a culpa, o medo, a fuga, o sentimento de inadequação, vergonha e condenação tão bem retratado no mito religioso de Adão e Eva.

Para que a vida seja abundante cabe, portanto, defendê-la dos ladrões; entre eles, a crença de que somos separados de Deus. Nada mata mais, rouba e fere a verdade, a essência e a dignidade humana do que tal conceito. Quando lançamos mão deste pecado e o assimilamos, é certo que vida perde sua abundância.

Para que a vida floresça, é preciso resgatá-la do cativeiro das crenças e valores religiosos e sociais. Para que seja frutífera, precisa ser liberta dos domínios externos e internalizados que não comungam com sua essência divina.

Para que a vida seja abundante, é preciso investir na individuação. O processo de individuação permite caminhar do ego para o Eu. Leva-nos a diluição das sombras na Luz Crística, presente na essência de cada expressão do Criador. Leva-nos a desfazer as rígidas couraças que o medo e a reatividade produziram. Leva-nos a desconstrução dos complexos constelados. Compreende devolver a nós o que é nosso e remover de nós o que não nos pertence. Significa deixar de viver comandado por padrões instalados e por crenças e valores externos para viver a partir da alma, do coração, da essência divina que nos habita.

Para que a vida seja abundante, faz-se necessário crer que somos essencialmente bons e que em cada semelhante existe a essência divina. Assim veremos em cada pessoa um templo onde Deus habita, em diferentes estágios de construção.

O Mestre Jesus viveu abundantemente. Sua existência terrena se expressou na liberdade que a verdade gera, no caminho iluminado por incondicional amor, sob o brilho da Graça. Sua espiritualidade floresceu e frutificou fora dos limites asfixiantes do templo e da religião. A Vida nele estava e assim vivia, servia, encantava e adorava em Espírito e em Verdade. Obviamente, tal dimensão existencial, livre e leve, gerou inveja mortal nos religiosos sobrecarregados dos mais variados fardos.

Somos livres, essencialmente bons, somos seres iluminados, somos habitação de Deus, morada do Espírito, filhos da Luz. Cabe-nos assim crer para nos transformar no que em essência somos.

Está dentro de cada um de nós o entendimento que proporciona a vida abundante. Ouçamos o Mestre; "quando orares entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará" (Mateus 6.6).  Para Jesus, é imprescindível entrarmos em nosso próprio quarto, no abrigo da alma, no sagrado espaço do coração.  Neste refúgio secreto encontramos a Eternidade, a Vida que é eterna. Neste espaço secreto encontramos o verdadeiro Eu, nossa essência amorosa, livre e iluminada; encontramos os tesouros dos céus que tornam abundante a vida.  
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Conteúdo desenvolvido por: Oliveira Fidelis Filho   
Teólogo Espiritualista, Psicanalista Integrativo, Administrador,Escritor e Conferencista, Compositor e Cantor.
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