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Você está se sentindo cansado (a), preso (a)?


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Há algum tempo reencontrei com um antigo amigo, da época de colégio, e ele me pareceu cansado. J. (vou chamá-lo assim daqui para diante) falou com nostalgia do clube onde nós aprendemos a nadar quando éramos crianças. Ele me contou que hoje o clube está quase abandonado, não é mais a mesma coisa. O meu amigo também falou do peso das responsabilidades da vida adulta, disse que quando nós éramos adolescentes tínhamos a liberdade de passear à tarde... Eu apenas concordei, fiquei calada. Mas me lembrei que quando eu era adolescente adorava ir a algum sebo e comprar discos. Às vezes, em um lindo dia de sol eu estou no trabalho e olho pela janela, com vontade de caminhar pelas ruas. Então, sonho poder ir ao cinema, a uma livraria ou a um café. Lembrei-me do filme "Shirley Valentine". O sonho de Shirley era saborear uma taça de vinho olhando o mar. Coisas simples que dão cor à vida...

Mas é possível dar uma pausa na rotina às vezes... Quando posso, vou ao cinema... No meu horário de café, já fui até uma loja de materiais para desenho e pintura que fica perto do meu trabalho. Há um café ao lado da loja e eu me permiti comer uma tortinha e tomar um capuccino. Muitas vezes, nós até nos privamos de comer alguma coisa porque queremos emagrecer... É claro que não há nada de errado se alguém decidir emagrecer por motivos de saúde ou porque vai se sentir melhor assim. Mas a sociedade procura restringir a nossa liberdade de uma maneira absurda!

Li na internet o depoimento de uma garota rockeira e que se sentia presa por não poder se expressar livremente nas redes sociais, pois o seu ambiente de trabalho era bastante conservador. Alguém a aconselhou a ter um perfil no qual ela adicionaria como amigos os colegas de trabalho e outro no qual ela se expressaria livremente e no qual poderia adicionar como contatos quem ela quisesse. Às vezes, somos obrigados a usar “máscaras” sociais. Como é bom, como é libertador quando isto não é necessário!

O fato é que cada um de nós pode defender o seu espaço, encontrar “brechas”, lapsos na vida para fazer o que tem vontade! Quem sabe... Observar uma obra de arte, escutar uma música, permitir-se dançar como você fazia quando era adolescente, tomar um sorvete ou um capuccino, voltar a ser criança por alguns momentos junto com seu filho... Fazer qualquer destas pequenas coisas pode ser como... respirar! Tudo isto é vida!

Lembrei-me de outro filme, “Frances Ha”. Gostei muito da cena na qual ela sai pelas ruas dançando! Quando eu era adolescente também fiz isso. Eu estava escutando a música “I dont wanna go on with you like that”, do Elton John, e saí pelas ruas pulando, segurei em um poste, dei uma volta... (Risadas) Por que não recuperar de alguma maneira esta espontaneidade, esta alegria?

Geralmente nós buscamos a segurança, a liberdade amedronta. Mas é na incerteza que está a beleza, a poesia da vida. Vejamos o que o mestre Osho diz sobre este tema:

“Olhe uma rosa: ela é bela, mas não existe liberdade alguma de florescer ou não florescer. Não existe problema, não existe escolha. A flor não pode dizer, ‘Eu não quero florescer’, ou ‘Eu me recuso’. Ela nada tem a dizer, nenhuma liberdade. É por isso que a natureza é tão silenciosa (...)
 
Com o surgimento do homem, pela primeira vez aparece a liberdade. O homem tem a liberdade de ser ou não ser. Por outro lado, surge a angústia, o medo de que ele possa ou não ser capaz, medo do que vai acontecer. Existe um tremor profundo. Todo momento é um momento em suspense. Nada é seguro ou certo, nada é previsível com o homem: tudo é imprevisível. 

Nós conversamos a respeito da liberdade, mas ninguém gosta de liberdade. Nós falamos sobre liberdade, mas criamos escravidão. Toda liberdade nossa é apenas uma troca de escravidão. Nós seguimos mudando de uma escravidão para outra, de um cativeiro para outro. Ninguém gosta de liberdade porque liberdade cria medo. Com a liberdade você tem que decidir e escolher. Nós preferimos pedir a alguém ou a alguma coisa para nos dizer o que fazer – à sociedade, ao guru, às escrituras, à tradição, aos pais. Alguém deve nos dizer o que fazer: alguém deve mostrar o caminho, para que possamos seguir – mas nós não conseguimos nos mover por nós mesmos. A liberdade existe, mas existe o medo.

É por isso que existem tantas religiões. Não é por causa de Jesus, de Buda ou de Krishna. É por causa de um enraizado medo da liberdade. Você não consegue ser simplesmente um homem. Você tem que ser um hindu, um muçulmano ou um cristão. Apenas por ser um cristão, você perde a sua liberdade; sendo um hindu, você não é mais um homem – porque agora você diz, ‘eu seguirei uma tradição. Eu não vou caminhar no inexplorado, no desconhecido. Eu seguirei num caminho bem marcado com pegadas. Eu caminharei atrás de alguém; eu não seguirei sozinho. Eu sou um hindu, assim eu seguirei com uma multidão; eu não caminharei como um indivíduo. Se eu me mover como um indivíduo, sozinho, haverá liberdade. Então, a todo momento eu terei que decidir, eu terei que gerar a mim mesmo, a todo momento estarei criando a minha alma. E ninguém mais será responsável: somente eu serei o responsável final.’

Nietzche disse ‘Deus está morto e o homem está totalmente livre.’ Se Deus está realmente morto, então o homem está totalmente livre. E o homem não tem tanto medo da morte de Deus: ele tem muito mais medo da sua liberdade. Se existe um Deus, então, tudo está bem. Se não existe Deus, então você foi deixado totalmente livre – condenado a ser livre. Agora faça o que você gosta e sofra as conseqüências, e ninguém mais será responsável, só você. 

Erich Fromm escreveu um livro chamado ‘O Medo da Liberdade’. Você se apaixona e começa a pensar em casamento. O amor é uma liberdade; o casamento é uma escravidão. Mas é difícil encontrar uma pessoa que se apaixona e não pense imediatamente em casamento. Existe o medo porque o amor é uma liberdade. O casamento é uma coisa segura; nele não existe medo. O casamento é uma instituição – morta; o amor é um evento – vivo. Ele se move; ele pode mudar. O casamento nunca se move, nunca muda. Por causa disso, o casamento tem uma certeza, uma segurança.

O amor não tem certeza nem segurança. O amor é inseguro. A qualquer momento ele pode sumir de vista da mesma forma como apareceu do nada. A qualquer momento ele pode desaparecer! Ele é muito sobrenatural; ele não tem raízes na terra. Ele é imprevisível. Por isso é melhor casar. Assim fincamos raízes. Agora esse casamento não vai evaporar no nada. Ele é uma instituição!’ 

Em toda situação – exatamente como no amor –, quando encontramos liberdade, nós a transformamos em escravidão. E quanto mais cedo melhor! Assim nós podemos relaxar. Por isso, toda história de amor termina em casamento. ‘Eles se casaram e viveram felizes para sempre’.

Ninguém está feliz, mas é bom terminar a história ali porque em seguida vai começar o inferno. Por isso toda história termina no momento mais bonito. E qual é esse momento? É quando a liberdade se torna escravidão! E isso não é apenas com o amor: isso é com tudo. Assim o casamento é uma coisa feia; é provável que venha a ser. Toda instituição tende a ser uma coisa feia porque ela é apenas um corpo morto de algo que um dia foi vivo. Mas com uma coisa viva, a incerteza provavelmente estará presente.

‘Vivo’ quer dizer que pode mover, pode mudar, pode ser diferente. Eu amo você; no próximo momento eu posso não amar. Mas se eu sou o seu marido, ou sua esposa, você pode ter a certeza de que no próximo momento eu também serei seu marido, ou sua esposa. Isso é uma instituição. Coisas mortas são muito permanentes; coisas vivas são momentâneas, mutáveis, estão num fluxo.

O homem tem medo de liberdade, mas a liberdade é a única coisa que faz de você um homem. Assim, nós somos suicidas – ao destruir nossa liberdade. E com essa destruição nós estamos destruindo toda nossa possibilidade de ser. Então você acha que ter é bom porque ter significa acumular coisas mortas. Você pode continuar acumulando; não existe um fim para isso. E quanto mais acumula, mais seguro você fica.
 
Eu digo que agora o homem tem que caminhar conscientemente. Com isso eu quero dizer que você tem que estar consciente de sua liberdade e também consciente de seu medo da liberdade. 

Como usar essa liberdade? A religião nada mais é do que um esforço no sentido da evolução consciente, em saber como usar essa liberdade. O esforço de sua vontade agora é significativo. Qualquer coisa que você esteja fazendo não voluntariamente é apenas parte do passado na escala da evolução. O seu futuro depende de seus atos com vontade. Um ato muito simples feito com consciência, com vontade, dá a você um certo crescimento – ainda que seja um ato comum.

Por exemplo, você resolve jejuar, mas não porque você não tem comida. Você tem comida; você pode comê-la. Você tem fome; você pode comer. Você resolve jejuar: isso é um ato voluntário – um ato consciente. Nenhum animal pode fazer isso. Um animal jejua algumas vezes, quando não existe fome. Um animal terá que jejuar quando não existir alimento. Mas somente o homem pode jejuar quando existe ambos: a fome e o alimento. Isso é um ato voluntário. Você usa a sua liberdade. A fome não consegue incitar você. A fome não consegue empurrar você e o alimento não consegue puxar você.

Esse jejum é um ato de sua vontade, um ato consciente. Isso dará a você mais consciência. Você sentirá uma liberdade sutil: livre do alimento, livre da fome – na verdade, no fundo, livre do seu corpo, e ainda mais fundo, livre da natureza. A sua liberdade cresce e a sua consciência cresce. 

Na medida que sua consciência cresce, a sua liberdade cresce. Elas são correlacionadas. Seja mais livre e você será mais consciente; seja mais consciente e você será mais livre".

Osho - The Ultimate Alchemy - Vol. 2 -  Capítulo n° 4  - pergunta n° 1 
Tradução: Sw. Bodhi Champak


Como disse Nina Hagen em uma de suas canções, "Flying Saucers"*, "Be fearless"**! Também gostei muito da seguinte frase de um discurso de formatura do MIT: "Faça todos os dias algo que te assusta!" O exercício da liberdade é isso aí! E pode trazer muita alegria!

* Discos voadores
** Seja destemido(a)!

Texto revisado
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Conteúdo desenvolvido por: Patricia M. Barros   
Sou jornalista e advogada. Atualmente sou funcionária pública e estudante de psicologia e psicanálise. Sempre me interessei por questões que envolvem comportamento e o desenvolvimento pessoal. Espero contribuir um pouco para o bem-estar e felicidade de algumas pessoas!
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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