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A aquisição da individualidade e seus reflexos



Quem sou eu? Esta é uma das perguntas que atormentam a mente humana há séculos... Talvez milênios... Nós, humanos, necessitamos de definições e referenciais para designar aquilo que denominamos “eu”. O autoconceito, ou seja, o que pensamos sobre nós mesmos inclui uma série de fatores, entre os quais tudo o que pensamos sobre o nosso “eu-psíquico” (ego) e o nosso “eu-corpo”, cujo reflexo vemos no espelho.

A criança pequena inicialmente não tem noção de sua própria individualidade, vendo-se como se fosse uma extensão da mãe e do próprio ambiente. À medida que se desenvolve, passa a ver a si mesma como um ser inteiro e individual. Ela integra mentalmente as partes de seu corpo, ou seja, passa a entender que aquele pezinho que leva à boca é parte de si e reconhece sua imagem no espelho. Posteriormente, demonstra que tem consciência de sua individualidade quando faz uso do pronome eu e deixa de se referir a si mesma na terceira pessoa, seja por seu nome ou como “o nenê”.

Enquanto cresce e amadurece, a criança incorpora novos aspectos à sua auto-imagem, identifica-se com o gênero feminino ou masculino e passa a se ver como menina ou menino. Dessa forma, além das tendências inatas, a criança busca apresentar as características próprias de seu gênero, tanto na aparência como no comportamento. A diferenciação de gênero se enfatiza entre os 6 e 10 anos, fase em que as crianças costumam ter grupos exclusivamente femininos ou masculinos, apresentando também intensa rivalidade entre os sexos. A separação e a rivalidade são esperadas e até necessárias justamente para que se sedimentem os aspectos da identidade que se relacionam ao gênero.

Na adolescência as transformações orgânicas, emocionais, intelectuais e sociais são mais rápidas. O início, com as primeiras transformações corporais, é denominado puberdade. Geralmente é conturbado e gera muita ansiedade, pois o jovem não sabe como seu corpo irá ficar e deseja seguir os padrões corporais aceitos e impostos pela mídia. Embora o processo de formação de identidade seja contínuo, nessa fase passa por mudanças bruscas.

Mais adiante o jovem costuma ter muita identificação com o grupo e, freqüentemente tende a testar seus próprios limites. Desafiar passa a ser o lema: o jovem necessita pertencer a um mundo próprio, com plena identificação junto ao grupo e seguir determinados líderes (desde que estes não sejam representantes típicos do mundo adulto). É necessário ter vínculo com o grupo para que, ao compartilhar suas idéias junto a amigos com características semelhantes, sedimente sua própria identidade. É bastante comum que o sujeito tenha dificuldades em estabelecer uma identidade própria, separada da dos pais e irmãos. Essa confusão de identidades costuma ocorrer com freqüência entre irmãos e, com mais intensidade entre gêmeos. Se forem gêmeos univitelinos (idênticos) o processo de individualização tende a ser ainda mais difícil em função de não saber se ele é um ou o outro!

Muitas vezes um filho passa a ter um comportamento totalmente diferente do esperado, fugindo ao padrão familiar. Podemos ver isso como um processo saudável e benéfico se considerarmos que ele busca sua individualidade, diferenciando-se dos padrões impostos. Independentemente de seu comportamento fugir ou não aos padrões cobrados pela sociedade, ele deve ser conscientizado de que seus atos têm conseqüências pelas quais ele é responsável e irá pagar um preço por suas escolhas.

Com freqüência os pais têm dúvida sobre o que podem deixar os filhos decidirem por si e em que eles devem interferir. É claro que pais e educadores têm o dever de alertar sobre eventuais riscos, cabendo aos primeiros a imposição de limites e regras que garantam a segurança do jovem. Os adultos podem ajudar o jovem nesse processo de buscar a si mesmo, valorizando suas qualidades, auxiliando-o a ver o que gosta, que talentos possui em esportes, artes, habilidades especiais, bem como dar ênfase ao ser único que é. No que se refere à aparência, os pais devem ser mais permissivos, garantindo o espaço necessário para o jovem exercer sua individualidade. Ainda que venham a se expor ou correr o risco de serem ridicularizados, necessitam dessas experiências para afirmarem sua identidade.

No caso de irmãos gêmeos é muito importante dar espaço para que eles se manifestem e sejam o que querem ser permitindo que façam escolhas diferentes, por exemplo, quanto ao corte de cabelo, modo de se vestir, decoração do quarto, objetos pessoais, etc. Quanto mais espaço cada um tiver para ser ele próprio, mais seguros estarão quanto às suas individualidades.

Independentemente da fase da vida, o ser humano vive um constante conflito visando atender a duas necessidades primordiais e, aparentemente, contraditórias do ser humano:
- ver-se como ser único, especial, diferente dos demais;
- ver-se como um ser igual aos demais, pertencente a um grupo.

Neste aspecto, tanto o comportamento social quanto a aparência têm um papel fundamental, de forma que o sujeito busca marcar seu estilo próprio refletindo o seu modo de ser único em sua aparência. Ao mesmo tempo, necessita ser aceito pelo grupo, daí a ser influenciado pela moda, costumes e tendências. Os profissionais de estética e beleza devem sempre levar em conta esses aspectos e como eles se apresentam em cada cliente. Por exemplo, um jovem tímido, que deseja ser aceito pelo grupo, não deveria ter uma aparência muito chamativa. Ao contrário, os que possuem uma personalidade forte e são naturalmente mais seguros podem se arriscar num visual mais ousado. Assim, o eu-corpo deve estar coerente e harmonizado com o eu-psíquico, de forma que o sujeito, ao olhar-se no espelho, tenha prazer nesse encontro consigo e possa dizer com satisfação: Esse aí sou eu!


Publicado dia 16/8/2007
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Autor: Pri Gaspar   
Priscila Gaspar é Psicanalista, Terapeuta de Regressão e Terapeuta de Casais, com especialização em Sexualidade Humana. Atende em psicoterapia individual e de casal.Contato: priscilagaspar@terra.com.br
E-mail: priscilagaspar@terra.com.br | Mais artigos.

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