A tendência de reviver, sem saber, o que ainda não foi resolvido.
Autor Raphael Mello
Assunto PsicologiaAtualizado em 7/22/2026 5:34:11 PM

Repetimos no amor aquilo que não foi digerido nas primeiras relações objetais, isso é, com quem nos criou, com quem cuidou da gente.
A gente escolhe parceiro achando que está escolhendo alguém novo, mas boa parte dessa escolha já vem escrita de antes.
Não é repetir a pessoa literalmente. É repetir a cena. O jeito que a gente aprendeu a esperar cuidado, ou a desconfiar dele.
O tanto de ausência que ficou tolerável. O tipo de amor que precisou ser conquistado e nunca veio de graça.
Tem gente que se apaixona sempre por quem está meio ausente. Jura que é coincidência, que os caras certos nunca aparecem.
Só que, de perto, o ausente é o roteiro conhecido. É ali que ela sabe se mover, porque aprendeu cedo a lidar com isso. Ou pelo menos aprendeu a sobreviver daquele jeito.
Tem quem repita o oposto. Escolhe quem sufoca, quem controla, porque foi essa intensidade que aprendeu a chamar de amor.
Falta ar, mas tem certeza de que é isso mesmo que se sente quando alguém se importa.
Freud chamou isso de compulsão à repetição, essa tendência de reviver, sem saber, o que ainda não foi resolvido.
Não porque a gente goste de sofrer. Porque existe ali uma tentativa de finalmente ganhar da cena. De reescrever o final. De, dessa vez, ser escolhido, ser visto, ser suficiente.
Só que amor não é terapia. E o parceiro de agora não é seu pai, nem sua mãe, mesmo que você o trate como se fosse, cobrando dele reparação de uma dívida que ele nunca contraiu.
Às vezes a raiva que sobra numa briga boba não é sobre a louça suja ou o atraso de meia hora.
É sobre outra pessoa, de outra época, que também deixava a louça suja ou também se atrasava, e não estava mais ali pra ouvir o tanto que isso doía.
Ninguém ama sem repetir alguma coisa. Mas dá para repetir sabendo. E saber já é outro jeito de amar.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
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Autor Raphael Mello Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |









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