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Alertas gratuitos

por Paulo Salvio Antolini

Publicado dia 24/9/2012 em Psicologia

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Pela manhã, ao abrirmos nossos olhos, podemos até imaginar aquelas cenas de filmes que se iniciam com o movimento agitado de uma rua, onde o trânsito é acelerado pela máquina filmadora que o registra. Não vale para todos, mas uma grande maioria inicia assim o seu dia.
É como se correria e agitação fossem condições básicas de sobrevivência. Estamos sempre em cima da hora. A roupa para vestir sempre é motivo de dúvida. Inúmeras vezes sacrificamos o desjejum por falta de tempo. É preciso abastecer o carro. De novo, a vaga do estacionamento está ocupada, quem será o infeliz? Crianças, acordem! O despertador não tocou. Lavem o rosto, escovem os dentes. Pegue a blusa. Arrumou a mochila? Cadê sua irmã? Entrem no carro. Querem parar de brigar? Esta rotina agitada não muda nunca e tornou-se um problema crônico e geral. A expressão "não agüento mais" já é parte do nosso vocabulário inconsciente. O restante do dia é um extremo cansaço, com a consciência de que se está rendendo pouco e vem o sentimento de culpa, pois na ânsia de produzir mais, percebe-se que se está sendo irritadiço(a) com as pessoas à sua volta, e mesmo ciente disso não se muda de atitude e a impaciência se mantêm. É difícil de controlar, aliás, está fugindo ao controle.

Hora de parar. Você está recebendo não só alertas, mas "berros" de aviso: "Está chegando ao seu limite". Chegar em casa e sentir necessidade de isolamento, fumar, comer, beber desenfreadamente, como sendo esta a única forma de aquietar-se internamente, Não querer sair da cama, ou querer ir direto para ela, são mais do que sinais de que as coisas não estão indo como deveriam. Tudo bem que vocês pensem que disso todos já sabem. Pois eu digo: "Se sabem, por que não mudam sua maneira de agir"?

Hora de refletir, pensar sobre a forma como se está levando a própria vida. Vocês já ouviram falar da "síndrome do enfartado"? Pois é, após uma crise que põe em risco a própria vida, as pessoas reformulam sua maneira de encarar as coisas. Os valores mudam, as preocupações se realocam dentro de si. O que antes parecia sem espaço: família, lazer, convivência com as pessoas, passa a ter um espaço especial após esse "susto". O trabalho é revisto e assume um papel menos intenso na vida dessas pessoas, mas nem por isso menos importante, é bom se frisar.

Podemos dizer que são descrições extremas, não é? Então, vamos recomeçar. Iniciemos pelo despertar. Parece que a noite foi longa e pesada, sem o descanso esperado. Sair dela foi um sacrifício. O intestino não está funcionando regularmente, você acha que foi alguma coisa diferente que comeu e que mexeu com seu metabolismo. Falando nisso, você lembra que acordou várias vezes sentindo uma queimação no estômago. Parece que não fez a digestão da última refeição. O café da manhã não desce gostoso. Há uma tensão no corpo todo. Para alguns, uma pressão no peito e para muitos, aquela sensação de que vai acontecer algo ruim. Prazer, você acaba de ser apresentado! Isso leva o nome de ansiedade. Já apresentados, informo-lhes que o dia continua e continuam também os alertas. Pressão na cabeça, parecendo andar nas nuvens (pressão alta). Em um movimento mais rápido, forte tontura que quase provoca uma queda (a pressão abaixou repentinamente). Precisamos continuar? Gastrites, tremores infundados, dores nas juntas, impossibilidade de se concentrar, não conseguir registrar as coisas, mesmo as importantes.

Após assimilarmos o que foi descrito, acho que poderemos até trocar o título para "Alertas cujo preço é a perda do bem-estar pessoal", vocês não acham? O discurso sobre "qualidade de vida" é um primeiro passo, pois significa que intelectualmente já se está tomando contato com o que, de fato, precisa agora ser vivido. O dia não precisa se iniciar com câmera acelerada. É difícil admitir a necessidade de se aprender a viver melhor. Mas sempre é tempo. Nosso corpo, nossas emoções, vão nos mostrando se estamos no caminho certo ou não. Só precisamos aprender a nos entendermos, saber "ler" o que estamos nos dizendo sem o uso de palavras. As palavras enganam. O corpo não, pois ele expressa diretamente o que estamos realmente sentindo. Se soubermos lê-lo, estaremos recebendo "alertas gratuitos", que nos permitirão agir antes que nos custe caro o tratamento.

Texto revisado

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