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ANSIEDADE NOSSA DE CADA DIA.

por Tania Paupitz

Publicado dia 3/8/2008 em Psicologia

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Ela chega devagarzinho e quando menos você espera. A poucos minutos de uma entrevista de emprego, por exemplo. O suor frio molha as mãos, o coração dispara, a respiração torna-se ofegante e sentimos todo nosso corpo passando por um turbilhão de sensações e emoções decorrentes da ansiedade que, no fundo, nada mais é do que um produto que o cérebro humano encontrou para se defender. Quando o cérebro capta um sinal de perigo, ficamos em alerta e é quando se deflagra todo um processo colocando nosso corpo num estado emocional que mantém o nosso organismo pronto para a luta ou a fuga.

A ansiedade está diretamente ligada às coisas que irão acontecer lá no nosso futuro, sendo uma das emoções mais difíceis de lidar, pois não nos encontramos centrados no nosso aqui e agora. A necessidade de entender esse terremoto emocional levou muitos cientistas a empreender estudos pelo interior do nosso cérebro, buscando explicações porque algumas pessoas são presas mais fáceis desse problema. Sabemos que hoje a ansiedade faz parte da rotina da vida das pessoas e, segundo algumas pesquisas, constata-se que na maioria dos casos, os mais graves problemas de ansiedade, não se resolvem sozinhos, necessitam de tratamento, seja através de ajuda profissional (terapia) ou até mesmo, medicamentos.

Os distúrbios da ansiedade são os problemas psiquiátricos mais comuns na atualidade e podem se manifestar através de fobias, medos irracionais (objetos, animais, ou de qualquer coisa), síndrome do pânico, ataque de ansiedade aguda com suor frio, falta de ar, boca seca e até mesmo medo da morte. A versão mais popular desse transtorno é a ansiedade generalizada que se caracteriza por um permanente estado de preocupação, muitas vezes, excessiva.

Um exemplo bastante corriqueiro que traduz bem a ansiedade vivenciada no nosso dia-a-dia poderia estar relacionado a um engarrafamento de trânsito, quando estamos eventualmente apressados e ficarmos preocupados em ter que pegar nossos filhos na escola ou um encontro marcado com o dentista, ou ainda, alguém que ficamos de pegar no aeroporto. É nesse momento, com o trânsito totalmente congestionado, o celular sem sinal, que se dá início ao processo gerado pela ansiedade de chegarmos logo e cumprirmos com nossos compromissos. É como se de dentro de nós disparasse um sensor, sinalizando todos os sintomas desagradáveis de tensão, nervosismo, medo e os mais variados tipos de pensamentos: "E se eu não puder chegar a tempo de pegar meu filho, será que ele vai estar bem?" "Se eu perder o horário do dentista, será que irei conseguir outro horário logo?" "Será que a pessoa do aeroporto está me esperando ou está pensando que me esqueci completamente de ir buscá-la?" E assim nossa mente segue preocupada, girando num interminável círculo de melodrama, num conjunto de preocupações levando ao seguinte e voltando ao começo.

É obvio que não há mal quando a preocupação funciona com o objetivo específico de resolvermos algum problema, ou seja, quando empregamos a reflexão construtiva, geralmente, podemos atrair a solução. No caso da ansiedade, quando o medo dispara o cérebro emocional, parte dele fixa atenção na ameaça direta, forçando a mente a obcecar-se como tratá-la e a ignorar tudo o que vai além daquele momento presente. A preocupação é, num certo momento, uma antecipação da ocorrência de um fato desagradável e de como lidar com isso. O papel da preocupação que vem da palavra “pré-ocupar” a nossa mente é o de projetar soluções positivas para os perigos que nos circundam, prevendo-os antes que surjam.

Com toda a certeza, muitas pessoas já passaram por experiências que a deixaram ansiosas em determinadas situações, pois vivemos um ansiar sem fim. Uma situação da qual me lembro, e que costumava gerar muita ansiedade, era quando eu sabia que teria que viajar para algum lugar desconhecido, principalmente fora do país. Recordo-me que costumava não dormir direito na noite anterior ao dia da viagem, pois a preocupação, o nervosismo e o próprio medo (talvez do avião cair!), acabava tomando conta de minha mente, não permitindo que eu relaxasse um só minuto. Minha cabeça girava tal qual a sensação de estarmos numa roda gigante. Queria relaxar e dormir, porém, quando mais tentava, em vão se tornava todo esforço, pois não tinha o domínio sobre minha mente. Com os pensamentos totalmente enlouquecidos, sem controle, gerando os mais variados tipos de distorções, medos infundados, pensamentos sem nexo, acabava não dormindo e no outro dia, viajava sempre muito cansada e estressada.

Lendo um trecho do livro “A natureza da Inteligência Emocional”, Borkovec nos diz o seguinte: “O primeiro passo para nos livrarmos da ansiedade é a autoconsciência; é se apoderar dos episódios preocupantes tão logo eles se iniciem. O ideal sendo assim ou imediatamente após que a instantânea imagem catastrófica dispare o ciclo de preocupação-ansiedade”. Ele costuma treinar pessoas se utilizando do seguinte método: primeiro ensina a pessoa a monitorar os indícios da ansiedade, sobretudo, aprendendo a identificar situações que provocam preocupação ou os pensamentos e imagens que, num relance, dão início à preocupação, assim como as conseqüentes sensações corporais de ansiedade. Com a prática, as pessoas aprendem a identificar as preocupações num ponto cada vez mais perto do início da espiral da ansiedade.

As pessoas também aprendem métodos de relaxamento que podem aplicar nos momentos em que percebem o início da preocupação e praticam-nos diariamente para poderem usá-los na hora em que mais precisem. Ele salienta também que o método de relaxamento por si só não é suficiente; é preciso contestar ativamente os pensamentos preocupantes; sem isso, a espiral de preocupação retornará, gerando ainda mais ansiedade.

Outra das muitas técnicas que temos à nossa disposição para lidar com a ansiedade está relacionada aos exercícios de controle da respiração, pois eles ajudam a pessoa ansiosa a respirar mais calmamente. Na sua grande maioria, as pessoas ansiosas respiram predominantemente pelo tórax. Por isso a respiração é mais rápida e ofegante.

Hoje em dia temos à nossa disposição inúmeros profissionais da área da saúde que nos orientam de forma adequada para aliviar a maioria dos sintomas oriundos da nossa ansiedade que acabam, com certeza, atrapalhando bastante a nossa vida.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Tania Paupitz   
Tânia Paupitz é Artista Plástica e Professora de Artes, há 30 anos, sendo sua marca registrada as cores fortes e vibrantes, influência dos estudos de vários artistas Impressionistas como Pissarro e Van Gogh. Cursos de Pintura para Pintura em Óleo ou acrílica sobre tela -iniciantes ou não. www.taniapaupitz.com.br wathsapp - 48 999723446
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