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As nossas emoções: MEDO


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"Seja paciente com as coisas não resolvidas em seu coração. Tente amar suas próprias questões...
Não procure agora as respostas que não podem ser dadas, pois você não seria capaz de vivê-las. E o mais importante é viver tudo!
Viva as questões agora. Talvez você possa, então, pouco a pouco, sem mesmo perceber, conviver, algum dia distante, com as respostas".
(Reiner Maria Rilke)


Sabe-se que o medo é uma reação dos animais, uma reação que temos e que nos protege. É uma resposta que se dá aos estímulos de ameaça à nossa vida. Sentimos (ou reagimos) com medo diante de situações que representem perigo, alerta ou ameaça. As situações novas, inesperadas também podem acordá-lo. Isso é o que podemos identificar como o medo "normal", ou seja, aquele que nos fará reagir com intenção de nos auto-protegermos. É comum sentirmos medo em situações que nos ameacem, como por exemplo, aviões, doenças, dentistas, assalto... Quando, diante de sua situação de ameaça real à vida, o medo não ganha status de patologia, mas de auto-proteção, auto-preservação, é instintivo. É comum e até saudável, não se pode enfrentar todos os perigos de peito aberto, sentindo-se imune às ameaças reais, seria até inconsequente de nossa parte.

Claro que o medo tem suas graduações e intensidades (da simples ansiedade ao pânico) e elas se alteram conforme a história de vida pregressa de cada pessoa.
O medo nos faz ter duas respostas: fugir ou lutar, mas sempre, estimuladas pelo sentido de autoproteção. Quando em pânico, porém, uma pessoa nem foge do perigo nem o enfrenta. Ela paralisa, torna-se inerte e sem controle. É preciso, pois, buscar a origem, o nascedouro desse medo para corrigi-lo, dar-lhe novo significado e assim feito, a pessoa tem a chance de agir (fugir ou lutar) diante de novas situações em que o medo se faça presente.

O medo irracional é aquele sem causa real aparente, deve ser enfrentado, dizem alguns especialistas, mas o nosso inconsciente não diferencia a fantasia da realidade. Num exemplo simplório, se uma pessoa tem medo de lagartixa, ela enxerga um jacaré enorme e ameaçador quando se vê diante de uma criaturinha dessas! O medo, contudo, nasce da associação que a nossa mente estabelece com as experiências vividas, mas o medo, é sempre o medo da morte. Ele é uma resposta de auto-preservação e auto-proteção, lembra-se?! Ele é, pois, uma sensação que traz em si um estado de alerta, por isso fugimos ou lutamos. E nós nos protegemos e nos preservamos da morte. Sem essa ameaça, não faria sentido sentirmos medo, medo de quê, então, se não da morte?!
O medo que sentimos traz reações químicas que facilmente podemos sentir e perceber em nosso corpo. Antes de tudo, uma descarga de adrenalina, que causa aceleração cardíaca, sudorese, tremores, mãos geladas, sensação de "pernas bambas", até abafamento e falta de ar ou respiração ofegante. Outros sintomas também podem ser sentidos e observados. Essa adrenalina nos prepara para a ação, seja ela de lutar ou de fugir.
O medo pode se agravar muito, a tal ponto de se tornar uma patologia, a partir do momento em que ele começa a comprometer a vida social e funcional da pessoa e/ou de lhe causar sofrimento psíquico.

Além das situações reais de perigos iminentes (aviões, dentistas, doenças, assaltos, acidentes...) o nosso medo pode aparecer em razão das associações que fazemos ao longo da vida. Por exemplo (e vou voltar aqui no exemplo da lagartixa X jacaré), uma criança brincando tranquilamente está alheia à lagartixa que passa. Um adulto vê o pequeno animal e, em vez de retirá-lo discretamente, sem chamar a atenção da criança para a existência da lagartixa, faz um escândalo, grita, busca a vassoura e mata a lagartixa com golpes violentos. Tira a criança da sua brincadeira, lava-lhe as mãos várias vezes e repetindo o "mantra" de que se não lavar as mãos, ela terá "cobreiro" e outras doenças, as quais a criança sequer supõe o que sejam. Quer queira, quer não, a criança fará essa associação de lagartixa com uma grande ameaça.

Então, de que maneira podemos abrandar os nossos medos, tornando-os saudáveis?
Há várias técnicas pra isso. A própria Psicologia traz em cada uma de suas abordagens ou linhas teóricas um meio próprio de se lidar com o medo, "reduzindo-o" ao seu tamanho normal, ou seja, àquela reação que nos faz lutar ou fugir para nos auto-protegermos dos perigos reais que nos ameaçam.

No meu trabalho, busco direcionar a pessoa a entrar em contato com seus medos e os acolhemos juntos, recebemos esses medos com carinho. É importante não brigar contra uma emoção, contra um sentimento, mas cuidar dela, tratá-la com respeito. Todas as emoções e sentimentos que trazemos e que se manifestam são legítimos, estão em nós e são nós. O medo, ressignificamos dessa maneira amorosa, até nos libertarmos. Não será sem lágrimas, emoções são comoventes, sentimentos nos despertam, fazem-nos aflorar. Quando descobrimos ou desvendamos os mistérios que o medo e suas manifestações escondem, através do que simbolizam pra nós, o que ele representa, o que ele traz, a maneira como ele nos faz agir, menos nós o negaremos, menos poderoso ele será. É preciso, pois, explorarmos nossos medos, estarmos verdadeiramente em contato com ele, de maneira aberta e honesta. Vamos removendo as camadas e camadas de mecanismos que construímos ao longo dos nossos anos. Aprender a identificar o medo nos liberta e nos torna mais capazes.

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Conteúdo desenvolvido por: Renata Kindle   
Psicóloga clínica e hospitalar (crianças, adolescentes, adultos, casais e família); autora de alguns textos e artigos. Desenvolvedora de um trabalho piloto sobre a atuação das emoções no corpo físico, que se realiza com grupos de oficinas terapêuticas.
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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