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As nossas emoções: TRISTEZA


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Sabe aqueles dias meio fúnebres, cinzentos, que nada dá ânimo, nada nos motiva? Não é exatamente tristeza, pode ser cansaço físico, mental, emocional... não importa, será cansaço decorrente de algum esforço, de algum empenho, mas vai passar com um banho, uma boa noite de sono, uma alimentação mais leve, que não sobrecarregue o organismo...

Mas e o que é a tristeza, afinal? A tristeza é um estado emocional, um sentimento tão legítimo como a alegria. Elas surgem dentro de nós por razões incontáveis, emergindo e vindo à tona em situações que não desejamos, seja um acontecimento recente ou a mera lembrança de algo que já foi há muitos anos. Lembre-se, temos memória emocional!

O nosso corpo responde aos nossos estados emocionais e com a tristeza não seria diferente. A princípio, essas respostas corporais são bem visíveis: choramos, passamos por episódios de inapetência, de insônia, sensação de abafamento no peito, dor no timo (localizado no peito, bem no centro do osso externo), mas os estudiosos da Leitura Corporal, associam a tristeza aos pulmões. O que, para mim, faz muito sentido. Somente quem já experimentou uma tristeza traduzida por uma dor profunda sabe como o ar circula com dificuldade em nossos simples atos de inspirar e expirar o ar.

Entretanto, a tristeza, como qualquer outro sentimento, tem seu charme, sua beleza e sua importância. O que seria da alegria se não fosse a tristeza como seu par oposto? Uma vida feita somente de alegrias, além de ser utópica demais, seria impensável, seria um desperdício de vida, considerando que a ela seria dado pouquíssimo valor. Uma vida somente de alegrias, de sucessos e vitórias não teria nenhum glamour!

Entretanto, o que muito me assusta hoje (e a diversos profissionais da saúde) é a medicalização da tristeza, o seu tratamento como depressão. Claro que a depressão existe, é real, é patológica e deve ser tratada com seriedade, mas tristeza e depressão, até podem se confundir em alguns casos, mas realmente não se misturam. Estar triste de quando em vez é extremamente normal e nos força a uma necessária parada para que repensemos nossas vidas e tracemos novas estratégias de vida.

Ao lidarmos com nossas tristezas, podemos ser muito criativos, compondo novas canções, criando um poema, enfim, descobrindo novos talentos em nós mesmos - somos seres de possibilidades!

Evidentemente que os acontecimentos ruins não vão deixar de existir, a tristeza certamente vai nos visitar de vez em quando, seja na perda de um amigo, no rompimento de uma relação, na briga com os pais, com os filhos, no fracasso daquela prova, na viagem desmarcada, no carro batido, na perda do emprego, na morte do cachorrinho que está há quinze anos na família... mas o pulo do gato, o grande segredo é saber lidar com a tristeza no momento em que ela surge.

Algumas pessoas tentam driblar a tristeza, forçando prazeres efêmeros e muitas vezes perigosos. Isso é ruim, até se conseguirá sufocar um pouquinho a tristeza, mas não irá calar sua voz. Ao contrário, ela será alimentada e, portanto, crescerá mais forte e exuberante!

Outras, por sua vez, buscam o alívio fazendo o que gostam e aí vale uma lista enorme de possibilidades: cinema, teatro, sorvete na praça, um novo esporte, o treino de artes marciais, a jardinagem, a tapeçaria, a olaria, o telefonema para alguém disposto a ouvir...

Outras, ainda, vão ainda mais longe que o grupo anterior, procuram livros e artigos que expliquem seu estado emocional, marcam consulta no psicólogo, vão à acupuntura, participam de grupos terapêuticos, fazem meditação, relaxamento orientado, mas se colocam absolutamente em posição de sentir, antes de tudo, a tristeza com toda a força que ela possa se expressar. Aos poucos, conseguem elaborar esse sentimento e os efeitos vão paulatinamente diminuindo. A pessoa fica bem outra vez, sente-se no equilíbrio, em seu eixo.

Volto a falar da depressão como patologia séria e merecedora de atenção e cuidados, considerando a apatia prolongada e comprometedora que causa, levando a pessoa a um estado de desistência perigoso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é de que, em 2020, a depressão seja a segunda doença mais incapacitante. Então, ela mesmo séria e merece respeito. É tão séria que é causa frequente nos caos de suicídio, portanto, manter-se alerta quando aparentes quadros de tristeza forem muito recorrentes, bem como, é claro, associar outros sintomas que se apresentem!

Para a depressão, há uma enormidade de medicamentos, mas a psicoterapia é peça fundamental no tratamento. O medicamento é uma muleta, a psicoterapia, a reabilitação. Mesmo porque, essas medicações não tratarão da raiz do problema, estabilizarão por algum tempo, mas não devolverão o equilíbrio. Nas psicoterapias, a pessoa tem a oportunidade de fazer/deixar aflorar o conteúdo psíquico para ser cuidadosamente trabalhado.

Sentir a tristeza com honestidade, dar-lhe vazão pelas lágrimas, pelas palavras soltas numa folha de papel, pelos rabiscos ao léu com giz de cera... tudo é válido para que nos sintamos melhor no momento seguinte. Mas voltando sempre ao nosso eixo, ao nosso equilíbrio, pois a vida é um porvir, um mistério que se revela todos os dias. A tristeza é momentânea, é passageira. Depois que se sobre uma montanha, a única opção é descer. Ou ainda, o sol só se levanta até meio-dia, no minuto seguinte, ele já começa a se pôr para deitar no horizonte. E o mesmo se dá com a tristeza: depois de atingido certo nível de aumento, ela fatalmente vai começar a diminuir.

Então, vivencie seus dias de tristeza com honestidade, mas tenha em mente que o sol nasce de novo todas as manhãs! A tristeza passa, mas merece carinho, cuidado e atenção!



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Conteúdo desenvolvido por: Renata Kindle   
Psicóloga clínica e hospitalar (crianças, adolescentes, adultos, casais e família); autora de alguns textos e artigos. Desenvolvedora de um trabalho piloto sobre a atuação das emoções no corpo físico, que se realiza com grupos de oficinas terapêuticas.
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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