Às vezes você não quer a pessoa de volta. Quer desfazer a rejeição.
Autor Raphael Mello
Assunto PsicologiaAtualizado em 8/26/2026 7:00:33 PM

Depois que alguém vai embora, você pode começar a lembrar da relação de um jeito diferente.
As conversas boas aparecem primeiro. A intimidade, os planos, aquilo que vocês ainda fariam. O que incomodava passa a parecer contornável. Até o que nunca aconteceu entra na saudade.
E então dá vontade de procurar a pessoa outra vez.
A saudade existe, claro. Mas existe também uma dor muito particular em perceber que o outro seguiu a vida. Não voltou, não procurou e talvez já esteja interessado em alguém.
Ser rejeitado mexe com a imagem que a gente tem de si. Você não perde somente a pessoa. Perde também o lugar que imaginava ocupar para ela. Aquela certeza de que era importante, desejável, difícil de esquecer. Quem vai embora leva essa certeza junto.
Talvez por isso alguém possa parecer tão mais interessante depois que nos rejeita.
Quando a pessoa estava por perto, você enxergava os problemas. Tinha dúvidas, se irritava, percebia que muita coisa entre vocês não funcionava. Depois que ela vai embora, essas lembranças já não fazem o mesmo barulho. A recusa aumenta a importância de alguém que, até então, talvez nem ocupasse tanto espaço assim.
Você imagina o reencontro. Pensa no que diria, na conversa que finalmente teriam, na hora em que ela perceberia o que perdeu. O que aconteceria depois nem está muito claro. Na fantasia, o importante é que ela volte. Que se arrependa. Que escolha você dessa vez.
Porque, se ela voltar, talvez a rejeição possa ser desmentida.
Só que a pessoa pode voltar e a insegurança continuar ali. Você presta atenção nos silêncios, conta o tempo das respostas, procura sinais de que ela vai embora de novo. O retorno não desfaz o que aconteceu. Às vezes, apenas reabre a cena.
Quando alguém não nos escolhe, parece levar junto alguma coisa nossa. E ficamos esperando que essa mesma pessoa volte para devolver.
Pode haver amor nessa espera, uma vontade sincera de tentar novamente. Mas o orgulho ferido também participa, junto com o desejo de mudar o fim da história e provar que o outro estava errado quando não quis ficar.
Há vezes em que a gente não quer voltar para o outro. Quer voltar à cena em que não foi escolhido e fazer com que ela termine diferente.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
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Autor Raphael Mello Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |









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