Barganha neurótica
Autor Raphael Mello
Assunto PsicologiaAtualizado em 8/24/2026 6:41:30 PM

De primeira parece uma atitude notável estar sempre disponível, oferecer mais do que se recebe, jamais negar ajuda. Mas, essa suposta generosidade incondicional esconde um funcionamento neurótico, um pacto inconsciente que aposta na dinâmica "se eu me anulo por você, você nunca me deixará".
Essa posição, muitas vezes idealizada como bondade, é uma tentativa de garantir amor se forma antecipada, uma espécie de barganha afetiva onde se dá demais, esperando intimamente ser indispensável. Trata-se de uma economia do desejo marcada pela fantasia de que, se eu for tudo para o outro, o outro será tudo para mim. Um jogo de completude que ignora a realidade de que o outro não vem nos completar, e tampouco o amor pode ser assegurado pelo excesso.
O sujeito neurótico convive com a culpa e com a angústia da castração, medo da perda. Ao invés de aceitar sua própria incompletude, ele tenta compensar, fazer-se necessário, reparar. E muitas vezes esse "dar demais" é, na verdade, um medo de se ver recusado, esquecido, descartado. Um pedido de amor disfarçado de cuidado.
O amor, não está em tamponar a falta, mas em reconhecê-la. Em admitir que nem sempre poderemos responder ao outro como ele gostaria. Que amar não é garantir presença constante, mas sustentar algumas ausências.
Assim, aquela bondade sem limite, que parece linda, pode ser uma forma de aprisionamento subjetivo. Uma tentativa de controlar o desejo do outro por meio da dívida: "te dou tanto, que você nunca poderá me abandonar". Isso não é generosidade é medo, é sobrevivência emocional com "rostinho" de amor.
Só há laço verdadeiro quando há espaço para o "não". Quando aceitamos que o outro pode nos faltar e escolhemos ficar. Onde não barganhamos amor, e sim a alteridade.
A ética com o nosso desejo não está em dar tudo ao outro, mas em dar o que podemos e sustentar que isso nem sempre será suficiente. Porque não existe simetria capaz de fazer de dois sujeitos uma coisa inteira.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
O amor, não está em tamponar a falta, mas em reconhecê-la. Em admitir que nem sempre poderemos responder ao outro como ele gostaria. Que amar não é garantir presença constante, mas sustentar algumas ausências.
Assim, aquela bondade sem limite, que parece linda, pode ser uma forma de aprisionamento subjetivo. Uma tentativa de controlar o desejo do outro por meio da dívida: "te dou tanto, que você nunca poderá me abandonar". Isso não é generosidade é medo, é sobrevivência emocional com "rostinho" de amor.
Só há laço verdadeiro quando há espaço para o "não". Quando aceitamos que o outro pode nos faltar e escolhemos ficar. Onde não barganhamos amor, e sim a alteridade.
A ética com o nosso desejo não está em dar tudo ao outro, mas em dar o que podemos e sustentar que isso nem sempre será suficiente. Porque não existe simetria capaz de fazer de dois sujeitos uma coisa inteira.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
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Autor Raphael Mello Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |









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