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Delírio

por Aurora de Luz
Delírio

Publicado dia 15/9/2009 em Psicologia

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O delírio caracteriza-se pela presença de uma ou mais crenças falsas que persistem por pelo menos um mês.
Ao contrário da esquizofrenia, o delírio é relativamente pouco freqüente e o funcionamento da pessoa está menos alterado. A perturbação afeta pela primeira vez as pessoas geralmente na meia-idade ou em idade avançada.
Os delírios tendem a incluir situações que poderiam ocorrer na vida real, como ser perseguido, envenenado, infectado, amado à distância ou enganado por uma esposa ou amante. Reconhecem-se vários subtipos de perturbação delirante.

- No SUBTIPO EROTOMANÍACO, o tema central do delírio é que outra pessoa está enamorada pelo doente. Costumam ser correntes os esforços por contatar com a pessoa objeto do delírio através de chamadas telefônicas, cartas e, inclusive, vigiá-la e estar à espreita. O comportamento em relação ao delírio pode criar conflitos com a lei.

- No SUBTIPO GRANDIOSO, a pessoa está convencida de que tem algum grande talento ou de que fez alguma descoberta importante.

- No SUBTIPO DE CIÚMES, a pessoa está convencida de que o cônjuge ou o amante lhe são infiéis. Esta crença é baseada em interpretações incorretas apoiadas em «evidências» duvidosas. Em tais circunstâncias, a agressão física pode representar um perigo real.

- No SUBTIPO PERSECUTÓRIO, a pessoa crê que é objeto de uma conspiração, espiada, difamada ou hostilizada. A pessoa pode efetuar repetidas tentativas para obter justiça, apelando para os tribunais e para outras instâncias públicas. Pode surgir a violência como vingança à perseguição imaginária.

- O SUBTIPO SOMÁTICO implica uma preocupação pela função do corpo ou de certos atributos, como imaginar uma deformação física, um odor ou uma parasitose.

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

Um delírio pode surgir a partir de uma perturbação paranóide da personalidade preexistente. Começando nos primeiros tempos da idade adulta, as pessoas com uma perturbação paranóide da personalidade mostram-se impregnadas de uma desconfiança e de uma suspeita dos outros e das suas motivações. Os primeiros sintomas incluem o sentir-se explorado, estar preocupado com a lealdade ou a confiança dos amigos, ver ameaças em acontecimentos ou comentários bem intencionados, manter rancores durante muito tempo e responder asperamente ao que é interpretado como desprezo.

PROGNÓSTICO E TRATAMENTO

O delírio não conduz, geralmente, a uma incapacidade ou a alterações graves na personalidade. Contudo, as pessoas podem integrar-se cada vez mais no seu delírio. A maioria das pessoa pode continuar a trabalhar.
No tratamento da perturbação delirante, a boa relação médico-doente ajuda. Poderá ser necessária a hospitalização se o médico considerar que o doente é perigoso. Geralmente, não se utilizam os fármacos antipsicóticos, mas por vezes são eficazes para suprimir os sintomas. Um objetivo de tratamento a longo prazo é desviar o foco de atenção do delírio para uma área mais construtiva e gratificante, embora isso seja, freqüentemente, difícil de conseguir.

COMO ATUAM OS MEDICAMENTOS ANTIPSICÓTICOS

Os medicamentos antipsicóticos parecem ser os mais eficazes para tratar as alucinações, os delírios, o pensamento desorganizado e a agressividade. Embora estes fármacos sejam prescritos, mais comumente, para a esquizofrenia, da demência ou da intoxicação aguda com algumas substâncias, como as anfetaminas.

O primeiro medicamente antipsicótico eficaz, a clorpromazina, obteve a sua patente em 1955. Desde, então, desenvolveram-se mais de uma dúzia de fármacos antipsicóticos similares (flufenazina, haloperidol, perfenazina e tioridazina, para citar alguns). Sob a denominação de fármacos antipsicóticos convencionais, todos funcionam essencialmente do mesmo modo: bloqueiam os receptores de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor, uma substância química que ajuda a veicular os impulsos elétricos através das vias nervosas e entre os nervos. Uma atividade excessiva da dopamina associa-se às alucinações e delírios. O bloqueio dos receptores de dopamina pode aliviar estes sintomas.

Os medicamentos antipsicóticos convencionais diferem entre eles em relação à sua potência (alta ou baixa), aos efeitos secundários (tendência para a sedação contra a tendência para a contração muscular) e à via de administração (oral ou injetada).
Devido ao fato de todos os medicamentos antipsicóticos convencionais serem igualmente eficazes para controlar os sintomas da esquizofrenia, a escolha de um em particular baseia-se, muitas vezes, nos efeitos secundários e na sua tolerância pelo doente em concreto.
Um tipo de medicamentos antipsicóticos relativamente novos parece funcionar bloqueando os receptores da dopamina como de serotonina (outro neurotransmissor) no cérebro. A clozapina é um exemplo deste tipo de medicamentos. Esta tem maior eficácia do que os medicamentes antipsicóticos convencionais no tratamento dos sintomas da esquizofrenia. No entanto, dado que tem efeitos secundários muito graves, como uma descida na contagem de células sanguíneas brancas, usa-se somente para pessoas que não respondem aos fármacos convencionais.

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