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Descobri que meu marido é homossexual! E agora o que faço?



Uma paciente me relatou que seu marido apresentou sinais de homossexualidade. E pergunta: e agora, o que fazer?
As dinâmicas de relacionamento e as questões afetivas são fonte de grande alegria ou sofrimento.
As pessoas buscam um ao outro para um relacionamento e a responsabilidade sempre é 50% de cada um em tudo o que acontecer na relação.
Muitas vezes alegamos que “não sabíamos” que o outro era agressivo, ou alcoólatra, ou homossexual, porém, inconscientemente atraímos pessoas com as quais aprenderemos e ensinaremos algo, e que tem relação a várias questões emocionais e de relacionamento que existem em nosso sistema familiar de origem.
Não é estranha a alegação que fazemos quando vivemos com uma pessoa por anos, em um relacionamento íntimo onde se compartilha o convívio, as emoções, as responsabilidades, filhos, sexualidade e de repente descobrir que a pessoa não era quem imaginávamos?

Estávamos abertos a trazer à consciência a verdade daquela relação?
Quando em algum momento a situação se desvela, e não pode mais ser um segredo, o melhor a fazer é conversar abertamente, sem dramas.
Abrir o coração sobre suas emoções, necessidades, sobre a relação, avaliar verdadeiramente qual o papel de cada um, as expectativas, e muitas vezes buscar ajuda e orientação profissional.
Esta será necessária para que ambos atravessem essa nova fase na qual a verdade se revela e precisa ser vista e solucionada.
Aconteça o que acontecer deve se manter o respeito e o relacionamento deve se direcionar para uma solução saudável para ambos e para a família.

É indicado nestes casos pedir a separação ou há chances de reconciliação?
Cada caso terá um encaminhamento particular.
Se realmente o marido for homossexual e somente agora pôde assumir sua verdade, ambos terão inúmeras dúvidas a respeito de si próprios e sobre o casamento.

Devem se questionar se vale a pena manter a relação, se irão se separar, qual a finalidade de viver uma relação com essa condição específica, como ambos lidarão com sua sexualidade, com os projetos individuais, de casal e de família, se há filhos, qual modelo de relação estão passando para estes filhos?

Uma situação assim traz muita angústia, dúvidas, incertezas e também oportunidades de aprender e crescer.
Esperar que a situação volte a ser como antes é uma ilusão, pois sempre que olhamos para algo a realidade se transforma, uma nova fase inicia e requer de nós novas reflexões, posturas e atitudes.

Buscar nesse momento uma orientação profissional, através de uma terapia ou aconselhamento, é indicado para que ambos possam lidar com tantos questionamentos.
E quando o casal tem filhos? Como tratar o assunto com as crianças?
Se há filhos, dependerá da idade e da maturidade destes a forma de abordagem.

Os filhos não devem ser colocados no meio da relação do casal como muitas vezes vemos acontecer nas famílias.
Há casos em que os filhos ficam no meio do casal para que estes não se separem, porque o casal não consegue olhar para a própria relação, um dos pais ou ambos querem a cumplicidade deste filho, ou usam este filho para atingir o outro, e inúmeras outras situações disfuncionais que mostram a imaturidade destes pais.

O que os pais não sabem é que com estas atitudes prejudicam seus filhos ao colocá-los em uma posição que não lhes é devida.
Os filhos não podem ser usados para resolver os problemas do casal.
No caso em questão, os filhos não devem saber detalhes, nem sobre a sexualidade dos pais, nem ser colocados a favor de um ou outro, muito menos ser usados para consolar, ser confidente ou ajudar os pais a decidir qualquer coisa, independentemente de serem crianças ou filhos já adultos.

Os filhos sentem o que acontece na relação, e principalmente quando crianças devem ser poupados para que passem por esta fase que já é difícil por si só, sem gerar traumas desnecessários que poderão prejudicar seus relacionamentos no futuro.
Quando o casal decidir sobre o casamento, se por algum motivo optarem por continuar juntos, saibam que sua relação é modelo que os filhos terão para aprender como se relacionar futuramente.

Do mesmo modo, se decidirem se separar, devem fazê-lo com respeito, sem usar os filhos criando uma situação de alienação parental.
Os pais sempre continuam a ser pais independente de sua relação enquanto casal, e sua função é necessária para que os filhos cresçam e se desenvolvam de maneira saudável.
No caso de separação os filhos devem sentir que ambos permanecerão disponíveis para eles, que a culpa da separação não é dos filhos, e que eles não precisam nem devem interferir nas escolhas que os pais façam sobre a relação do casal.
O casal pode manter um relacionamento aberto? Como lidar com este modelo de relacionamento?
Se o casal decidir permanecer juntos tendo outros relacionamentos, ou qualquer outra opção que escolherem, devem saber que o modelo deverá ser bom para ambos.

Não é possível que um se sinta bem com a situação e o outro esteja sofrendo e infeliz.
Quando o acordo é satisfatório para ambos, se houver respeito e se mantiver a dignidade de cada um, pode ser possível a convivência.
O casal deve sempre lembrar que quando há filhos, estes modelam os pais e aprendem com eles como é se relacionar.

Os filhos vêem nos pais além da sua função materna e paterna, como ambos se relacionam enquanto homem e mulher e levarão esse modelo para suas vidas.
Isto não quer dizer que agirão igual, mas existe a tendência a repetir diversos padrões de comportamento aprendidos na família, inclusive os modelos de relacionamento, sexualidade e afetividade.

O alemão Bert Hellinger, criador das “constelações familiares”, descobriu em seus estudos que há leis naturais básicas que orientam os relacionamentos entre as pessoas, chamada por ele de “Ordens do Amor”.

Essas leis são o Pertencimento, que mostra que ninguém em um sistema pode ser excluído, da Ordem ou Hierarquia que mostra que devemos manter o respeito a quem chegou primeiro ao sistema e do Equilíbrio de troca, que mostra que as relações devem se manter equilibradas no que cada um dá e recebe do outro.

Quando essas leis da vida não são respeitadas, acontecem dinâmicas disfuncionais nas famílias que podem gerar dificuldades nos relacionamentos, nas profissões e inclusive de saúde.
Se viemos de sistemas familiares em desequilíbrio, a tendência é que inconscientemente levemos esses mesmos padrões disfuncionais para nossos próprios relacionamentos.
Somente quando podemos enxergar essa realidade, conseguiremos nos desemaranhar e caminhar para relações mais harmoniosas e funcionais, e para um destino mais saudável na família.
Encarar os problemas e buscar soluções sempre é preferível a escondê-los e sofrer. Busque ajuda profissional sempre que necessário. Dr. Roberto Debski

Médico – CRM SP 58806

Especialista em Homeopatia e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira

Psicólogo – CRP/06 84803

Coach Sistêmico e Trainer em Programação Neurolinguística

Facilitador em Constelações Familiares




Texto Revisado


Publicado dia 1/4/2018
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Autor: Roberto Debski   
O Dr. Roberto é médico (CRM SP 58806) especialista em Acupuntura, Homeopatia e tem formação em Medicina Ortomolecular. Também é psicólogo (CRP 06/84803), Coach e Master Trainer em Programação Neuro-Linguistica. Formador e facilitador em Constelações Familiares Sistêmicas Acompanhe nossos próximos eventos! https://www.facebook.com/debskiroberto/
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