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Educação emocional

por Maria Isabel de Oliveira

Publicado dia 10/7/2008 em Psicologia

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Homem ignorante não é o homem sem instrução, mas aquele que não conhece a si mesmo. A compreensão só pode vir com o autoconhecimento, que é o conhecimento da totalidade do nosso processo psicológico. Assim, a educação, no sentido genuíno é a compreensão de si mesmo, pelo individuo, porque é dentro de cada um de nós que se concentra a totalidade da existência.

O que atualmente chamamos educação é um processo que consiste em acumular informações e conhecimentos, tirados dos livros, o que qualquer pessoa que saiba ler pode conseguir. Uma educação desta espécie oferece-nos uma forma sutil de fuga de nós mesmos e, como todas as fugas, cria, inevitavelmente, sofrimentos cada vez maiores. O conflito e a confusão nascem das nossas relações incorretas com pessoas, coisas e idéias e, enquanto não compreendermos e modificarmos essas relações, o mero aprender, a acumulação de fatos, a aquisição de habilitações diversas só nos podem abismar no caos e na insatisfação.

A educação mais apropriada, não descuidando do cultivo da técnica, deve realizar algo de importância muito maior e que consiste em levar o homem a experimentar o processo integral da vida. Se começarmos a compreender o indivíduo diretamente, em vez de o olharmos através da cortina de nossa idéia do que ele “deveria ser”, estaremos então interessados no que é. Então, já não desejaremos transformar o indivíduo em outra coisa; nosso único empenho será o de ajudá-lo a compreender-se a si mesmo, e nisso não há motivo pessoal egoísta ou lucro algum.

A educação emocional não está interessada em ideologia alguma, por mais promissora que seja de uma futura Utopia; não se baseia em sistema algum, por mais escrupulosamente que tenha sido concebido; não é tampouco, um meio de condicionar o indivíduo de determinada maneira. Educação emocional, no sentido verdadeiro, é ajudar o indivíduo a tornar-se um ente amadurecido e livre para “florescer ricamente em todo seu potencial físico, mental e espiritual”. Nisso é que devemos estar interessados, e não, em moldar a criança de acordo com um padrão idealista pré-concebido.

Cada um é único e diferenciado, sendo portador de be1ezas e verdades infinitas. A vida não pode ser posta em conformidade com um sistema, não podemos metê-la à força num molde, por melhor que este tenha sido concebido. Inculcar, simplesmente, na mente da criança os valores prevalecentes, fazê-la ajustar-se a ideais é condicioná-la, sem despertar-lhe a inteligência.

Nas relações que mantemos com as crianças e os adolescentes, não devemos encará-los como máquinas, passíveis de “endireitar” num instante, mas como seres vivos, impressionáveis, volúveis, sensíveis, medrosos, afetivos; e no trato com eles necessitamos de muita compreensão, da força da paciência e do amor.

Para ajudar a criança a libertar-se dos ditames do eu causadores de tantos sofrimentos, cada um de nós deverá modificar profundamente sua atitude e sua relação com a criança. Os pais e educadores podem, com seu próprio entendimento e conduta, ajudar a criança a ser livre e a florescer em sabedoria e bondade.

Mas pode-se chamar educação a esse ajustamento dos valores atuais, que levam toda sorte de desajustes que temos visto: vícios. guerras e fome? Quando não há respeito pela vida humana, o saber só pode levar à destruição e ao sofrimento. O cultivo do respeito para com os outros é parte essencial da educação correta, mas, se o próprio educador carece dessa qualidade, não pode conduzir seus discípulos a uma ação integrada. Não é possível cooperação entre mestre e discípulo, quando não existem afeição e respeito mútuos. A disciplina é um método fácil de controlar uma criança, mas não a conduz à compreensão dos problemas da existência.

Uma educação dessa espécie não nos pode ajudar a compreender a criança. nem há de construir um ambiente social isento de divisões e rancores. A finalidade da educação é cultivar relações corretas, não só entre indivíduos mas também entre o indivíduo e a sociedade, que estimula o respeito e a consideração para com os outros, sem incentivos nem ameaças de espécie alguma.

Que significa verdadeiramente estudar? Estudar é viver segundo uma meta superior e aprofundar a nossa ação a cada momento: realizar uma tarefa evolutiva, ser essa tarefa, criar e recriar a tarefa de que estamos encarregados no cumprimento do Plano evolutivo. Isso não implica inventar ou fantasiar, mas simplesmente fazer as coisas, ainda que as mesmas, porém, de forma sempre renovada. Estudar é penetrar o significado delas, para que cada ato praticado com consciência tenha um sentido interno; é descobrir o que devemos modificar, acrescentar, diminuir ou sintetizar. O estudo é um diálogo constante com a Vida, um diálogo com Deus; e pouco vale um estudo se o ensinamento não se aplica no cotidiano, se não se torna vivência. O verdadeiro estudo nem sempre requer leitura, mas jamais prescinde de trabalho interior.

A educação emocional vem com a transformação de nós mesmos. Reeducar-nos para não nos matarmos mutuamente por nenhuma causa, por mais “sagrada” que seja, por ideologia alguma, por mais que prometa a felicidade futura para o mundo; aprender a ser compassivos, a contentar-nos com o suficiente; e principalmente, a buscar o Supremo, o Sagrado, a Vida, o Ser que nos faz ser; porque só então poderá ocorrer a evolução emocional da humanidade.

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Sobre o Autor: Maria Isabel de Oliveira   
Maria Isabel de Oliveira tem formação em Cosmobiologia e Naturopatia, especialização em Fitoenergética e pós-graduação em Análise Bioenergética.
E-mail: [email protected]
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