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Entre o superficial e o profundo

Entre o superficial e o profundo

por Flávio Bastos

"Sentimentos... profundos sentimentos é o que temos que plantar e cultivar hoje e sempre neste rico planeta que nos acolhe!" Vera Seegert

Quando o indivíduo nasce, ele vem ao mundo da dimensão material com o mesmo nível consciencial que o acompanha da ultima vivência. No entanto, se o seu nível for consideravelmente alto, digamos profundo, ele pode temporariamente perdê-lo, ou seja, tornar-se "anestesiado" se a educação imposta pelos pais biológicos ou substitutos for rígida em demasia. Porque a repressão educacional na infância, fundamentada em valores que dizem respeito à superficialidade do comportamento humano em sociedade, tais como competitividade, posse e status, entre outros, pode neutralizar e intoxicar temporariamente uma consciência que internamente luta para resolver seus conflitos resultantes de uma linha educacional exageradamente voltada para a contemplação de valores materialistas.

É óbvio que aquilo que Sigmund Freud destacou em seus estudos sobre a psique humana e denominou como sendo o "ID", isto é, o instinto, a energia interna que nos impulsiona a lutar pela sobrevivência, é uma energia real, natural e verdadeira no sentido da preservação da vida. Porém, essa tendência da cultura ocidental tornou-se equivocadamente um clichê implantado nas mentes dos educadores como uma diretriz segura para a vida de seus filhos...

Transportando o raciocínio ao âmbito social brasileiro observamos que a mídia é exatamente o reflexo dessa confusão de valores que tramita entre o superficial e o profundo. Novelas que mostram a realidade superficial das classes sociais economicamente estáveis, mas não mostram (e quando o fazem é com muita maquiagem) a realidade daqueles que lutam desesperadamente pela sobrevivência. No entanto, quando caminhamos pelas ruas dos grandes centros urbanos, nos deparamos com a profunda realidade social que não é mostrada nas novelas de televisão. Um curioso paradoxo...

Retornando ao nosso raciocínio anterior, após divagarmos pelo social, à medida que o indivíduo começa a adolescer, uma profunda transformação envolve seu espírito, ou seja, informações (ou valores) que ele traz de outras vidas, internalizados em sua consciência, começam a entrar em atrito com os valores superficiais impostos pela educação da vida atual. Esse é o motivo, principalmente, da adolescência ser para muitos indivíduos uma fase crítica no sentido psicológico com o surgimento de crises e conflitos familiares.

Nesse sentido, tenho observado no atendimento de alguns casos de depressão, consciências evoluídas que foram ao longo da infância condicionadas a seguirem a cartilha do sucesso, em que educadores tiveram a decisiva participação no processo de inculcação de valores materialistas, restando, no final das contas, apenas psiquismos traumatizados pelos exageros de uma educação de perfil doutrinador.

Como registrou Freud, não podemos abdicar do "ID" como instância da nossa personalidade responsável, entre outras coisas, pelo impulso que nos leva às realizações materiais, tão importante em nossas vidas. No entanto, o ID associado ao EGO onde o conflito está estabelecido pelos exageros provenientes da experiência educativa, pode levar o indivíduo a uma situação de paralisia consciencial até que ele, ao recuperar a lucidez, consiga conscientemente retomar o caminho do autoconhecimento.

Com as religiões acontece o mesmo, porque tudo o que é imposto contra a vontade manifesta da criança, possui um efeito contrário que se manifestará mais tarde na adolescência e (ou) na fase adulta do indivíduo.

Religião à parte, a educação baseada na certeza de que somos seres inseridos em um contexto multidimensional em permanente conexão interdimensional entre o superficial e o profundo da vida, talvez seja a referência mais saudável para a formação de nossos filhos. A certeza de que, sendo inerente à natureza humana, a evolução consciencial não é somente aquela restrita a valores materiais (superficiais), mas também aquela fundamentada em valores éticos, morais e espirituais que ao transcender o superficialismo revela o caráter profundo de sua natureza universal.

Somente com os pés ligados à mãe Terra, mas a partir de si mesmo e com a consciência elevada ao cosmos, o indivíduo se sentirá mais livre e completo e menos inseguro e solitário no planeta em que vivencia mais um capítulo de sua longa trajetória. E assim evoluímos!

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
www.flaviobastos.com
Curso de formação em Psicoterapia Interdimensional: ver no site do autor (STUM).

Texto revisado por Cris

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Avaliação: 5 | Votos: 19 Atualizado em 02/12/2009

Autor: Flávio Bastos   
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

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