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Horas perdidas!


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"O dia hoje está com horas a menos". Novamente estamos às voltas com a falta de tempo e com a maneira como preenchemos nosso dia. "Não tenho tempo" é uma afirmação corriqueira e que se ouve repetidamente, mas percebemos que as pessoas não pensam no real significado da frase.
A dona de casa acorda muito cedo. Prepara rapidamente o café e já inicia uma correria doida que vai, desde levar os filhos na escola, passar pelo supermercado, apanhar algo que ficou esquecido no dia anterior, até uma conversa rápida com a amiga na porta de um estabelecimento qualquer. Volta para casa correndo e já está quase na hora de buscar as crianças. Ainda precisa fazer o almoço. À tarde, a loucura se repete, quando o marido chega ainda está nos afazeres e parece que nada foi feito, a arrumação da casa não demonstra todo o trabalho que ela teve, o jantar nem foi começado e sua aparência, nem é preciso falar.

Construíram a cena? Imaginem como essa mulher se sente e também o seu marido. A casa não está aconchegante. "A refeição não está servida, a expressão da mulher é uma mescla de "olha como sou uma coitadinha" com "que raiva", você é o culpado". Não há o menor clima para que possam conversar. Se trocam algumas palavras é para cobranças e acusações. Queixas e lamúrias a cada dia os sufocam mais e mais. Estresse?

Ele saiu cedo e já atrasado, mal tomou um gole de café. Não conseguiu nem se despedir direito de sua mulher e filhos. No trabalho, não conseguiu levar um único assunto até o fim, pois ou o telefone ou as interrupções de outros colegas o impediram de concluir seu feito. Ao final do dia, somaram-se as insatisfações e cobranças dos demais e um "monte" de pendências para o dia seguinte. Sem contar que já deveria ter ido para casa há muito tempo. O dia não rendeu. Os resultados não estão aparecendo. A ameaça de perder o trabalho, o cliente, etc.. A ansiedade é crônica. Quando chega em casa, a esposa com aquela "cara". Relaxar como?
Ambos sentem que poderia ser diferente, mas as coisas não mudam.

Pessoas percebem que têm muitas idéias, mas nada acontece. Os resultados são insipientes. A busca de culpados é uma estratégia constante para justificar tantos desgastes. Poucos se detêm ao fato de que iniciaram uma idéia e não a levaram até o final. Nas primeiras dificuldades já pularam para outra idéia. Sabem por que isso ocorre? Porque enquanto no plano das ideias, tudo é facilmente solucionável. Na prática, é preciso fazer. Em outros casos, a ação é abandonada momentos antes dela começar a dar frutos.
A desorganização de nosso dia e conseqüentes resultados falhos e pequenos, não satisfatórios, ou mesmo não correspondentes aos esforços tidos, refletem nossa desorganização interior. Nossa dificuldade em parar e refletir sobre o assunto.
A ansiedade com as quais as pessoas convivem impede-nas de ter a tranqüilidade interior para refletir e ter a visão do todo. Não conseguem definir exatamente o que querem, e mesmo quando sabem, não analisam a melhor forma de concretizar o que começaram.

Nos relacionamentos, as conversas não vão até o final e ficam sem o desfecho de compreensão e fechamento do pensamento expressado. Ele é apenas iniciado, mas não concluído. Depois um cobra do outro aquilo que não foi dito ou consensado. Das relações afetivas às de trabalho, tudo fica jogado e nada é "concatenado" (lembram-se desse termo?). A correria é imensa. O dia realmente não rende, mas se perguntarmos às pessoas o que elas terão para fazer nesse dia, as respostas serão difusas e genéricas: "Um monte de coisas"; "Vários problemas para resolver", etc.. A dona de casa responde: "Você acha pouco levar e buscar as crianças na escola, fazer o café ver se as lições estão feitas, lavar passar, e...?". Apenas as pessoas que sabem exatamente o que têm que fazer e em que ordem farão é que responderão com propriedade e calmamente.

Manter a ansiedade é uma das formas utilizadas para que não se olhe o que está dentro de cada um, assim como o que se faz necessário fazer.
Somar o tempo despendido e não produtivo pode ser, para muitos, assustador, pois poderão perceber que não ficaram apenas horas perdidas, mas sim, vidas perdidas.

Texto revisado
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Conteúdo desenvolvido por: Paulo Salvio Antolini   
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