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MATERNIDADE, OS MISTÉRIOS DE UMA PULSÃO


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"Ser mãe é padecer num paraíso" afirma antigo adágio popular, propondo os desafios visíveis e ocultos da maternidade.
Falar sobre este tema, pensando na possibilidade de analisar todas as forças psíquicas que envolvem essa experiência, é uma pretensão inalcansável. A natureza tipicamente feminina parece trazer implícita um instinto maternal de cuidado e proteção da prole.
Para Freud, este instinto não seria algo puro e espontâneo, mas o desdobramento de outro instinto que lhe é anterior, o de vida, que busca completude nas emoções que permeiam a relação com os filhos.

Dessa forma, a mulher, tão depreciada historicamente no contexto social, construindo conflitos psicológicos intensos, encontraria na maternidade uma compensação de suas angústias, projetando nos rebentos seus ideais de valor não realizados.
Ser mãe torna a mulher um ser apto a desenvolver uma função inacessível ao homem, funcionando como um trunfo sobre a pressão masculina que a submete. Algo como: “você parece dominar o mundo, mas sou eu quem detém o poder de gerar novos seres humanos para compor este enredo”. E, quando os filhos são homens, parece que a situação se intensifica, pelo amor que eles despertam na mulher mãe e também pelas projeções que ela fará sobre a dominação masculina que desejará exercer através dele.
Situação extremamente perigosa para a saúde mental de filho homem...

Contudo, temos que levar em consideração que este cenário foi descrito por Freud no início do século XX, onde a mulher mantinha-se muito submissa ao varão. Ser mãe era, então, viver no paraíso de uma compensação afetiva pelo seu papel supostamente inferior na sociedade machista da época.
Hoje, os tempos são outros apesar da figura da mulher submissa não ter se perdido totalmente, tanto na sua vivência mais explícita, quanto nos aspectos de personalidades femininas que lutam por esconder uma rendição silenciosa.

A mulher do final do século XX, início do século XXI, está mais fortalecida e independente, mas marcada pelos condicionamentos do sistema capitalista, onde o prazer deve ser alcançado a todo custo e, é claro, a todo preço.
Com isso, e com a diminuição da necessidade da pulsão materna compensatória da submissão feminina, o “padecer” parece que está ficando mais intenso que o “paraíso”.

As mulheres cada vez menos se sujeitam a ter muitos filhos, e mesmo com os poucos ou o único que têm travam lutas internas angustiantes para exercer as funções de cuidado e proteção. Existe um mundo lá fora muito mais atraente do que os sacrifícios da maternidade e elas possuem uma disposição muito mais aguerrida para ir ao encontro dessas satisfações.

É claro, queridas mamães, que isso é muito natural e justo. O que não pode ser natural e muito menos justo são crianças sendo abandonadas em latas de lixo, tratadas dentro do próprio lar com agressividade e desamor, sentenciadas a largos distanciamentos dos seres que elas tanto amam, de onde seus corpinhos se constituíram, onde elas sugaram seu primeiro alimento, numa frustração que as marcará para o resto da vida.
Um mundo melhor que todos desejamos começa na aprendizagem de amar e ser amado que o bebê vivencia nos primeiros meses e anos de sua vida, principalmente quando o lar se encontra estruturado. Daí ele levará para a vida adulta os formatos através dos quais perceberá e retribuirá ao contexto social onde vive.

Torna-se preciso rever posturas, papéis a serem vividos, para que todos possam se satisfazer nas suas necessidades afetivas, nos seus desejos. Surge a figura do pai maternal, um participante no cuidado com os filhos que antes ficava de lado, por acomodação deles e por conveniência delas que mantinham a prioridade da intimidade com os filhos.
A autoridade do pai que impunha limites para a educação passa também a ser compartilhada pela nova figura feminina, além do que, hoje se educa muito mais pelo amor e diálogo do que pela imposição.
As mães resignadas, os pais autoritários e os filhos distanciados precisam se tornar figuras de histórias passadas. Precisamos construir famílias mais participativas, relacionais e integrativas, respeitando as individualidades, os direitos e os deveres entre todas as partes.

Queridos papais que me lêem, não se assustem. Tenho certeza que vocês estão aptos a encontrar muita satisfação nas novas funções que lhes cabem. Queridas mamães, parabéns pelas lutas do passado, pelas conquistas do presente, mas cuidado... seus filhos ainda vão continuar a esperar muito de vocês, mas também precisam de desapego para seguirem seus caminhos.
Quem sabe daqui a alguns anos vamos deixar de ter dia de mãe e dia de pai para fazermos uma comemoração geral em favor da família, mais homogênea e igualitária. Fica lançada a idéia, se ela ainda não existir!

João Carvalho Neto
Psicanalista, autor dos livros
“Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal”

www.joaocarvalho.com.br

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Conteúdo desenvolvido por: João Carvalho Neto   
Psicanalista, Psicopedagogo, Terapeuta Floral, Terapeuta Regressivo, Astrólogo, Mestre em Psicanálise, autor da tese “Fatores que influenciam a aprendizagem antes da concepção”, autor da tese “Estruturação palingenésica das neuroses”, do Modelo Teórico para Psicanálise Transpessoal, dos livros “Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal"
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