O neurótico deseja a tensão
Autor Raphael Mello
Assunto PsicologiaAtualizado em 8/12/2026 4:34:47 PM

O neurótico tem uma relação curiosa com o desejo do outro: sofre quando é desejado demais e sofre quando deixa de ser.
Quer fazer falta. Quer ocupar um lugar importante. Quer perceber que sua ausência produz alguma coisa no outro. Mas é preciso que essa necessidade tenha uma medida muito específica: perto o bastante para confirmar seu valor, longe o bastante para não lhe custar a liberdade.
Quando ninguém espera nada dele, aparece uma angústia difícil de nomear. Afinal, se o outro não precisa de mim, que lugar eu tenho para ele?
Mas basta que essa expectativa aumente para que aquilo que antes parecia amor comece a parecer cobrança. O que confirmava seu lugar passa a ameaçá-lo.
É por isso que tantas vezes a queixa muda de endereço, mas não desaparece.
Se o outro procura pouco, não ama.
Se procura muito, sufoca.
Se deixa livre, não se importa.
Se pede presença, exige demais.
Não se trata simplesmente de encontrar alguém que saiba oferecer a quantidade certa de amor. Há uma divisão aí que pertence ao próprio sujeito.
Porque o neurótico não quer apenas aquilo que diz querer. Ele precisa também conservar alguma distância daquilo que deseja.
Encontrar inteiramente seria perder a falta que o mantém procurando.
E é nesse intervalo que ele se instala: aproxima-se quando teme perder, recua quando percebe que pode ter.
Às vezes, passa uma vida inteira dizendo que procura alguma coisa sem perceber o quanto trabalhou para que ela nunca pudesse ser encontrada.
Por isso, às vezes, o problema não é que aquilo que queremos esteja tão distante.
É o que aconteceria conosco se finalmente estivesse ao alcance das mãos.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
Texto Revisado
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Autor Raphael Mello Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |









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